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Canabidiol e Alzheimer: Estudo Brasileiro com 62 Pacientes

5 min de leitura

Estudo clínico brasileiro com 62 pacientes investiga o uso de canabidiol e THC para melhorar a qualidade de vida de quem tem Alzheimer. Conheça os avanços da pesquisa.

Canabidiol e Alzheimer: Estudo Brasileiro com 62 Pacientes cover image
  • Estudo brasileiro com 62 pacientes investiga o uso de canabidiol (CBD) e THC no tratamento do Alzheimer, com foco em evidência clínica nacional
  • Resultados preliminares indicam melhora de sintomas comportamentais, como agitação, ansiedade, irritabilidade e distúrbios do sono
  • A cannabis medicinal pode auxiliar no controle desses sintomas
  • O tratamento é complementar e tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos pacientes

Introdução

Você provavelmente já ouviu falar do potencial da cannabis medicinal em diferentes condições de saúde. Mas quando o assunto é Alzheimer, uma das doenças neurodegenerativas mais complexas e desafiadoras, a pergunta que mais aparece é: será que o canabidiol pode realmente ajudar?

A resposta começa a tomar forma no Brasil. Um estudo clínico conduzido pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) está investigando exatamente isso, com resultados preliminares que merecem atenção. Neste artigo, explicamos o que é a doença, como os canabinoides atuam no cérebro e o que essa pesquisa brasileira já descobriu.

O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo. Em termos simples, trata-se de uma condição em que o cérebro perde suas funções gradualmente — começando pela memória e, com o tempo, afetando também a linguagem, o raciocínio e o comportamento.

Do ponto de vista biológico, a doença está associada ao acúmulo de proteínas anormais no cérebro. Essas substâncias prejudicam o funcionamento dos neurônios, especialmente em regiões essenciais para a memória e as funções cognitivas:

Região do cérebro

Hipocampo

Região do cérebro

Formação de memórias

Região do cérebro

Dificuldade de lembrar fatos recentes

Região do cérebro

Córtex cerebral

Região do cérebro

Linguagem, raciocínio, pensamento abstrato

Região do cérebro

Perda progressiva de capacidade cognitiva

Essas alterações explicam por que os primeiros sinais da doença costumam envolver falhas de memória recente e, com o avanço do quadro, comprometem outras funções cognitivas importantes.

Cannabis medicinal e Alzheimer: o que a pesquisa brasileira revela

A busca por novas formas de tratar o Alzheimer tem se tornado cada vez mais urgente. Como ainda não existe uma cura, o foco da medicina está em estratégias que ajudem a melhorar a qualidade de vida dos pacientes — especialmente no controle dos sintomas que mais impactam o dia a dia.

Nesse cenário, a cannabis medicinal começa a ganhar destaque como uma alternativa promissora. Estudos internacionais já apontavam o potencial dos canabinoides em doenças neurodegenerativas, e agora o Brasil também começa a avançar com suas próprias pesquisas.

O estudo da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ)

Um dos destaques é o estudo clínico conduzido pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), que investiga o uso da cannabis medicinal em pacientes com Alzheimer em estágio moderado.

O foco da pesquisa está no controle de sintomas comportamentais que costumam ser os mais desafiadores para pacientes e familiares, como:

  • Agitação e irritabilidade
  • Alterações de comportamento
  • Distúrbios do sono
  • Ansiedade e agressividade

O estudo está registrado no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC), sob o identificador RBR-103jtq75, e segue o modelo de ensaio clínico randomizado, considerado um dos mais rigorosos em termos científicos.

Resultados preliminares

O protocolo tem duração de cerca de três meses, com avaliações periódicas e acompanhamento por uma equipe especializada em geriatria. Até o momento:

  • 47 pacientes já concluíram o estudo
  • 15 ainda estão em acompanhamento

Embora os resultados ainda sejam iniciais, esses dados já representam um avanço importante. Isso porque a produção de evidências clínicas sobre cannabis medicinal no Brasil ainda é limitada — e estudos como esse ajudam a ampliar o conhecimento e dar mais segurança para o uso terapêutico.

Como o canabidiol atua no cérebro de pacientes com Alzheimer

Para entender como a cannabis medicinal pode ajudar, é preciso conhecer o sistema endocanabinoide. Esse sistema biológico regula funções essenciais como humor, sono, apetite e resposta ao estresse. É nele que os canabinoides atuam.

CBD vs THC: diferenças e complementaridade

Os dois principais compostos estudados são o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol). Cada um tem um perfil de ação distinto:

Composto

CBD (canabidiol)

Composto

Anti-inflamatório, ansiolítico, neuroprotetor

Composto

Reduz ansiedade, promove equilíbrio emocional, possível proteção neuronal

Composto

THC (tetrahidrocanabinol)

Composto

Ativação de receptores CB1 no cérebro

Composto

Influencia humor, sono e apetite; pode reduzir agitação

Quando utilizados de forma controlada e com acompanhamento médico, esses compostos podem atuar de forma complementar para:

  • Reduzir a agitação
  • Melhorar o comportamento
  • Favorecer a qualidade do sono
  • Contribuir para a proteção das células cerebrais

Sintomas comportamentais do Alzheimer e o papel dos canabinoides

Quando se fala em Alzheimer, a maioria das pessoas pensa na perda de memória. Mas na prática, são os sintomas comportamentais que mais afetam a rotina de quem convive com a doença.

Irritabilidade, ansiedade, agressividade e distúrbios do sono se tornam frequentes conforme o quadro avança. Esses sintomas desgastam emocionalmente familiares e cuidadores, e são muitas vezes os mais difíceis de manejar com tratamentos convencionais.

É exatamente por isso que a pesquisa da FMJ foca nesses sintomas. Os canabinoides, ao atuarem no sistema endocanabinoide, podem ajudar a regular essas funções de forma mais natural, oferecendo uma alternativa complementar aos tratamentos tradicionais.

Por que estudos clínicos com cannabis são importantes no Brasil

Um dos principais desafios para a consolidação da cannabis medicinal no Brasil é a falta de dados clínicos produzidos no próprio país. Hoje, grande parte das evidências disponíveis vem de pesquisas internacionais, que nem sempre refletem completamente a realidade da população brasileira.

Por isso, estudos como o da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) têm um papel estratégico. Eles ajudam a:

  • Gerar evidências científicas no contexto brasileiro
  • Dar mais segurança para a tomada de decisão médica
  • Contribuir para o avanço das discussões regulatórias junto à Anvisa
  • Ampliar a aceitação da cannabis medicinal na prática clínica

Além disso, por seguir protocolos éticos rigorosos e contar com acompanhamento especializado, esse tipo de pesquisa aumenta a confiança da comunidade médica e científica nos resultados obtidos.

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Dúvidas frequentes

Cannabis medicinal pode curar o Alzheimer?

Não. Atualmente não existe cura para a doença de Alzheimer. O que pesquisas como a da FMJ investigam é o potencial dos canabinoides para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, especialmente no controle de sintomas comportamentais como agitação e distúrbios do sono.

Qual a diferença entre CBD e THC no tratamento do Alzheimer?

O CBD (canabidiol) tem efeitos calmantes, anti-inflamatórios e possivelmente neuroprotetores, ajudando a reduzir ansiedade e promover equilíbrio emocional. O THC (tetrahidrocanabinol) atua diretamente nos receptores cerebrais, influenciando humor, sono e comportamento.

A pesquisa da FMJ já tem resultados definitivos?

Os resultados são preliminares. Até o momento, 47 pacientes concluíram o protocolo de 3 meses e outros 15 seguem em acompanhamento. Os dados iniciais estão sendo analisados e representam um avanço importante na produção de evidências clínicas sobre cannabis e Alzheimer no Brasil.

Quem pode participar do estudo da FMJ?

Pacientes com diagnóstico de doença de Alzheimer em estágio moderado podem se candidatar. A participação inclui acompanhamento clínico especializado e monitoramento contínuo. Informações pelo e-mail tr.terezaraquel@gmail.com ou pelo formulário online.

É seguro usar canabidiol em pacientes com Alzheimer?

Quando utilizado com prescrição e acompanhamento médico, o canabidiol tem apresentado um perfil de segurança favorável. Estudos como o da FMJ seguem protocolos rigorosos e contam com supervisão especializada. Ainda assim, é essencial consultar um médico antes de iniciar qualquer tratamento.

O SUS oferece tratamento com cannabis medicinal para Alzheimer?

Ainda não de forma ampla. O acesso pelo SUS ocorre apenas em iniciativas locais (estaduais ou municipais), geralmente com prescrição médica e indicação clínica.

Quais sintomas do Alzheimer a cannabis medicinal pode ajudar a controlar?

Principalmente sintomas comportamentais, como agitação, irritabilidade, ansiedade, agressividade e distúrbios do sono.

Onde encontro mais estudos sobre cannabis e Alzheimer?

Estudos sobre o tema podem ser consultados em bases científicas como PubMed, Frontiers in Neuroscience e BMJ Open, além do Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC), onde está cadastrado o estudo da FMJ.

Como é feito o tratamento do Alzheimer hoje?

O tratamento atual é focado no controle dos sintomas e na desaceleração da doença, com uso de medicamentos e acompanhamento médico contínuo.

Existem novas alternativas para o tratamento do Alzheimer?

Sim. Além do tratamento convencional, novas abordagens estão sendo estudadas, como a cannabis medicinal e terapias focadas no bem-estar e no comportamento.

Contribuidores:

Andrea Vieira

Andrea Vieira

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