O transporte de peixes ornamentais — como o Xiphophorus variatus (platy) — constitui uma etapa crítica na cadeia produtiva do comércio de aquários. Durante esse processo, os animais são expostos a vibrações, variações de temperatura, restrição de espaço e alterações na qualidade da água, fatores capazes de desencadear respostas intensas de estresse. Manifestam-se, com frequência, alterações comportamentais como nado errático, aumento da agressividade e comportamentos de perseguição, além de potenciais repercussões fisiológicas, especialmente após viagens prolongadas e em condições inadequadas.
Diante desse cenário, pesquisadores passaram a investigar estratégias capazes de mitigar o estresse em peixes ornamentais durante o transporte. Uma hipótese considerada promissora envolveu a adição de canabidiol (CBD) — composto não psicoativo extraído da planta Cannabis sativa, reconhecido por suas propriedades ansiolíticas, anti-inflamatórias e moduladoras do sistema nervoso em mamíferos — diretamente à água de transporte.

O estudo foi conduzido por uma equipe internacional vinculada à University of the West of Scotland (UWS) e ao Waltham Petcare Science Institute, braço científico da Mars Petcare.
Os peixes foram submetidos a um transporte simulado de 30 minutos em sacos plásticos contendo água com diferentes concentrações de CBD (3,9 mg/L, 7,8 mg/L e 15,6 mg/L), além de grupos controle (sem CBD e com solvente). Após o período de transporte, os comportamentos foram registrados por meio de gravações em vídeo e analisados com base em indicadores comportamentais de estresse, tais como:
Além da análise em grupo, parte dos peixes foi avaliada individualmente após a simulação, com o objetivo de quantificar de forma mais precisa as respostas comportamentais. Também foram aferidos parâmetros fisiológicos, como a concentração de cortisol na água e a quantidade de muco presente na pele, utilizados como indicadores indiretos de estresse físico.
O estudo demonstrou que:
Os peixes expostos às concentrações de CBD, especialmente à dose de 7,8 mg/L, apresentaram redução significativa dos comportamentos associados ao estresse, como nado desorganizado, aumento da agressividade e maior tempo de imobilidade, tanto nas análises em grupo quanto nas avaliações individuais.
Não foram observadas alterações relevantes nos níveis de cortisol na água, nem diferenças significativas na quantidade de muco cutâneo, o que sugere que o CBD, nas concentrações testadas, não provocou efeitos fisiológicos adversos detectáveis nesses parâmetros.
De modo geral, o padrão comportamental observado no período pós-transporte mostrou-se mais calmo e organizado nos peixes tratados com CBD quando comparados aos grupos controle.
Em conjunto, esses achados indicam que a adição de CBD à água de transporte pode exercer um efeito modulador do estresse comportamental em peixes ornamentais, contribuindo para a preservação do bem-estar, da saúde e, potencialmente, da sobrevivência dos animais após o transporte.
O estudo representa um avanço inovador na pesquisa sobre bem-estar animal na aquicultura ornamental, com potencial impacto prático em uma indústria global que envolve o transporte de bilhões de peixes anualmente.
Os autores, contudo, ressaltam a necessidade de investigações adicionais, especialmente quanto à estabilidade do CBD em diferentes condições de transporte e às possíveis consequências de longo prazo na saúde dos animais, antes de qualquer aplicação em larga escala.

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