O uso da cannabis tem ganhado espaço no debate público, seja para fins medicinais ou recreativos. No entanto, quando o assunto envolve gestantes, lactantes ou mulheres que planejam engravidar, o alerta dos especialistas é firme: os riscos superam quaisquer possíveis benefícios.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) publicou recentemente a diretriz Clinical Consensus: Cannabis Use During Pregnancy and Lactation, reforçando sua posição em relação ao uso da cannabis durante a gestação e lactação.
O documento orienta que os profissionais de saúde devem aconselhar de forma consistente a interrupção do consumo em todos os estágios da gravidez e também no período de amamentação.
Em setembro de 2025, o ACOG divulgou ainda novas recomendações para a triagem universal do uso de cannabis nos períodos de pré-gravidez, gestação e pós-parto.
O objetivo é ampliar a orientação precoce às mulheres em idade fértil, permitindo identificar hábitos de consumo e reduzir a exposição ao THC antes mesmo da concepção e ao longo de todo o ciclo reprodutivo.
Nos Estados Unidos, o consumo de cannabis entre gestantes tem aumentado de forma preocupante. Muitas recorrem à planta em busca de alívio para sintomas como náuseas ou insônia. No entanto, as evidências científicas são consistentes ao demonstrar que o uso durante a gestação está diretamente relacionado a complicações para o bebê, como parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Pesquisas — incluindo revisões sistemáticas e diretrizes médicas — indicam que a exposição pré-natal à cannabis, em especial ao THC, pode comprometer o desenvolvimento do sistema nervoso central do feto. Isso ocorre porque o THC atravessa a placenta e interfere em processos neurológicos fundamentais, aumentando o risco de alterações no desenvolvimento cerebral.
A evidência científica disponível demonstra que o uso de cannabis durante a gestação e a lactação não é seguro. A passagem de seus compostos pela placenta e pelo leite materno expõe o bebê a riscos que podem comprometer seu desenvolvimento físico, neurológico e emocional.
As recomendações médicas atuais reforçam a necessidade de uma abordagem preventiva, com triagem, orientação e acompanhamento contínuo das mulheres em idade fértil. Mais do que evitar danos imediatos, trata-se de preservar o futuro da criança, assegurando-lhe condições mais saudáveis para crescer e se desenvolver plenamente.

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