A dor neuropática periférica é uma das formas mais desafiadoras de dor crônica. Entre suas principais causas está a neuropatia diabética, uma complicação frequente do diabetes que afeta os nervos periféricos, gerando sintomas como dor, formigamento, queimação e sensibilidade intensa — especialmente nos pés e nas mãos.
Diante da eficácia limitada dos tratamentos convencionais, cresce o interesse por alternativas que ofereçam mais alívio e menos efeitos colaterais. Nesse contexto, a cannabis medicinal, em especial os compostos canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (), tem ganhado destaque como uma opção terapêutica promissora.
A dor neuropática ocorre quando há mau funcionamento ou dano direto nos nervos — seja do sistema nervoso periférico ou central. Isso faz com que o cérebro receba sinais de dor mesmo sem um estímulo real, gerando sensações contínuas e desconfortáveis.
Em pessoas com diabetes, esse tipo de dor costuma surgir nas pernas e pés, podendo avançar para as mãos. Os sintomas variam entre crises pontuais e dor constante, e costumam vir acompanhados de:
O tratamento da dor neuropática deve ser multidisciplinar e individualizado, com foco em aliviar os sintomas, preservar a função nervosa e melhorar a qualidade de vida. Além de medicamentos, como antidepressivos, anticonvulsivantes e opioides, podem ser indicadas terapias complementares, como fisioterapia e estimulação nervosa elétrica.
Contudo, muitos pacientes relatam alívio parcial com esses fármacos, além de enfrentarem efeitos colaterais como sonolência, tontura ou até dependência. Isso tem impulsionado a busca por alternativas seguras e eficazes — e é nesse contexto que a cannabis medicinal ganha espaço.
A cannabis medicinal atua no alívio da dor neuropática por meio da interação com o sistema endocanabinoide — uma rede de sinalização presente em todo o corpo, especialmente no cérebro, medula espinhal e nervos periféricos. Esse sistema é responsável por regular diversas funções, como dor, inflamação, sono e humor.
Os principais compostos da planta, o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), interagem com os receptores endocanabinoides do tipo CB1 e CB2, ajudando a modular os sinais de dor e a resposta inflamatória.
O CBD se destaca por suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e neuroprotetoras. Ele é bem tolerado pela maioria dos pacientes e não possui efeitos psicoativos, sendo uma alternativa segura mesmo para uso contínuo.
Já o THC, apesar de provocar efeitos psicoativos em doses mais altas, também exerce potente ação analgésica, sendo especialmente útil em casos de dor neuropática mais intensa ou resistente aos tratamentos convencionais.
Essa atuação combinada torna a cannabis medicinal uma opção terapêutica promissora, especialmente para pacientes que não obtêm alívio adequado com os medicamentos tradicionais.
Cada vez mais pesquisas vêm demonstrando que a cannabis medicinal pode ser uma aliada importante no alívio da dor neuropática, especialmente em pacientes com condições como a neuropatia diabética. Veja dois dos estudos mais relevantes sobre o tema:
1. Cannabis vaporizada reduz a dor em pacientes com neuropatia diabética
Um estudo publicado no Journal of Pain (2015), com o título original "Efficacy of Inhaled Cannabis on Painful Diabetic Neuropathy", avaliou o efeito da cannabis vaporizada em pacientes com diabetes tipo 2 que sofriam de dor neuropática.
O estudo foi conduzido com diferentes dosagens de THC e mostrou que, mesmo em doses baixas, a inalação de cannabis proporcionou redução significativa da dor em comparação ao placebo. Os efeitos foram dose-dependentes, ou seja, quanto maior a dose (dentro de um limite seguro), maior o alívio da dor percebido pelos pacientes.
2. Revisão sistemática da Cochrane aponta eficácia dos canabinoides na dor neuropática
A Cochrane, uma das instituições mais respeitadas do mundo em revisões científicas, publicou em 2018 a análise intitulada "Cannabis-based medicines for chronic neuropathic pain in adults". Essa revisão avaliou os resultados de vários estudos clínicos que investigaram o uso de medicamentos à base de cannabis (como o THC, CBD e extratos combinados) no tratamento de dor neuropática crônica.
O resultado mostrou que os canabinoides podem oferecer alívio significativo da dor em alguns pacientes, especialmente naqueles que não respondem bem a medicamentos convencionais. No entanto, os autores destacaram que ainda são necessários estudos de longo prazo para confirmar a eficácia e a segurança do uso contínuo desses compostos, já que efeitos colaterais como tontura, boca seca e sonolência foram observados em alguns casos.
Esses achados reforçam o potencial da cannabis medicinal como uma alternativa segura e eficaz no manejo da dor neuropática, especialmente quando os tratamentos tradicionais não oferecem resultados satisfatórios.
Para quem enfrenta diariamente a dor neuropática periférica causada pela diabetes, a cannabis medicinal pode representar um novo e promissor caminho rumo ao alívio. Ainda que não substitua os cuidados essenciais com o controle da glicose, ela surge como uma aliada eficaz no manejo dos sintomas — especialmente quando os tratamentos convencionais deixam a desejar.
Com o avanço das pesquisas científicas e o fortalecimento da regulamentação no Brasil, a cannabis medicinal deixa de ser vista com preconceito e passa a ocupar seu espaço como uma ferramenta terapêutica segura, acessível e transformadora.
Para muitos pacientes, essa abordagem representa mais do que um tratamento alternativo — é a possibilidade concreta de recuperar a qualidade de vida e viver com menos dor.

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