A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em idosos, afetando funções cognitivas como memória e linguagem, além de provocar alterações no comportamento e na personalidade. Sem cura, seu diagnóstico precoce é essencial para retardar a progressão e melhorar o prognóstico.
Diante desse cenário, a identificação precoce dos fatores de risco e dos primeiros sinais da doença desempenha um papel fundamental no seu manejo. O encaminhamento ágil e adequado para serviços especializados possibilita intervenções que ajudam a retardar sua progressão, melhorando os desfechos terapêuticos e prognósticos.
No contexto do tratamento, novas abordagens vêm sendo estudadas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Entre elas, destaca-se o potencial terapêutico da cannabis medicinal.

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta por meio de deterioração cognitiva e da memória, comprometimento das atividades diárias e uma ampla gama de sintomas neuropsiquiátricos e alterações comportamentais.
A doença se desenvolve quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central apresenta falhas, resultando na formação de fragmentos de proteínas mal cortadas e tóxicas, que se acumulam tanto dentro dos neurônios quanto nos espaços entre eles.
Esse processo tóxico leva à perda progressiva de neurônios em regiões específicas do cérebro, como o hipocampo, responsável pela memória, e o córtex cerebral, essencial para funções como linguagem, raciocínio, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato.
O Alzheimer é uma doença progressiva, o que significa que os sintomas pioram gradualmente ao longo do tempo. Após o diagnóstico, a expectativa de vida média das pessoas acometidas varia entre 8 e 10 anos.
Clinicamente, o Alzheimer é geralmente classificado em quatro estágios:
A Doença de Alzheimer está codificada na CID-10 sob o código G30, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa classificação é amplamente reconhecida e adotada internacionalmente por profissionais de saúde e instituições, servindo para padronizar o diagnóstico e o manejo da condição. Além disso, com o objetivo de aprimorar e detalhar as categorias de doenças, a OMS lançou a CID-11, que começou a ser implementada em 2022, trazendo maior precisão para descrever condições neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer.
A causa exata da Doença de Alzheimer ainda não foi completamente identificada, mas pesquisas indicam que seu desenvolvimento está associado a uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida.
Entre os principais fatores de risco, destacam-se condições como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e tabagismo, que podem comprometer a saúde cerebral e aumentar a vulnerabilidade a processos neurodegenerativos.
Além disso, há fortes evidências genéticas sugerindo que algumas pessoas possuem maior predisposição ao Alzheimer, especialmente aquelas com histórico familiar da doença ou com variantes genéticas específicas, como o APOE-e4, um gene relacionado ao risco aumentado de desenvolvimento da condição.
Diversos fatores podem influenciar a probabilidade de desenvolver Alzheimer. Entre os principais, destacam-se:
Outros fatores que podem aumentar a predisposição incluem sedentarismo, alimentação inadequada, isolamento social e traumas cranianos repetitivos.
Os primeiros sinais do Mal de Alzheimer costumam se manifestar de forma sutil e podem variar entre os indivíduos. O primeiro sinal mais comum é a perda de memória recente, dificultando a recordação de informações adquiridas há pouco tempo. Outros sinais incluem:
Esses sinais podem progredir de forma gradual e, frequentemente, são confundidos com o processo natural de envelhecimento. No entanto, é essencial buscar avaliação médica ao identificá-los, pois um diagnóstico precoce pode favorecer um manejo mais eficaz da condição, contribuindo para a qualidade de vida do paciente e de seus familiares.
Atualmente, o diagnóstico do Alzheimer envolve uma abordagem multifacetada, com entrevistas médicas detalhadas, exames laboratoriais, como análises de sangue, exames de imagem (tomografia ou ressonância magnética) e avaliação neuropsicológica para identificar padrões cognitivos característicos. Embora ainda não exista um marcador biológico definitivo, avanços tecnológicos têm aumentado a precisão diagnóstica.
Além disso, o canabidiol (CBD), componente da cannabis medicinal, vem sendo estudado por suas propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias, mostrando potencial para aliviar sintomas comportamentais e reduzir a progressão da neurodegeneração, embora mais pesquisas sejam necessárias para validar sua eficácia.
Embora a doença de Alzheimer não tenha cura, há tratamentos que podem estabilizar ou retardar sua progressão, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente. Medicamentos disponíveis ajudam a aliviar sintomas cognitivos e comportamentais, ainda que não impeçam a evolução da enfermidade.
Além da terapia farmacológica, a reabilitação cognitiva é altamente recomendada, sobretudo nos estágios iniciais, quando sua eficácia é mais significativa. Estratégias bem ajustadas contribuem para oferecer conforto, dignidade e bem-estar, mesmo diante das limitações impostas pela condição.
Nos últimos anos, pesquisas têm explorado novas abordagens para o tratamento do Alzheimer, incluindo o papel do sistema endocanabinoide na regulação de processos fisiológicos, o que abre caminhos para potenciais terapias complementares.
Os processos fisiológicos englobam funções físicas, químicas e bioquímicas essenciais ao funcionamento do organismo, como a regulação da temperatura, o controle da inflamação, o equilíbrio energético, a formação de novas células e a manutenção das funções cerebrais.
O Sistema Endocanabinoide (SECB) é um dos principais reguladores desses processos, atuando como uma rede de sinalização celular distribuída pelo corpo. Ele é composto por receptores (CB1 e CB2), ligantes endógenos (endocanabinoides) e enzimas responsáveis pela síntese e degradação dessas substâncias. Sua função central é a manutenção da homeostase, garantindo que o corpo permaneça em equilíbrio diante de mudanças internas ou externas.
O SECB desempenha esse papel por meio de três mecanismos principais:
Dessa forma, o SECB atua como um mediador essencial que auxilia o organismo na adaptação e na resposta eficiente a desafios que possam comprometer seu equilíbrio. Pesquisas recentes sugerem que sua regulação pode ter implicações no tratamento de doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer, o que motiva investigações sobre possíveis terapias baseadas na modulação desse sistema.
A doença de Alzheimer (DA) é caracterizada por um processo neurodegenerativo progressivo, marcado por inflamação crônica, acúmulo de proteínas tóxicas — como beta-amiloide e tau hiperfosforilada — e perda gradual das funções cognitivas. Dentro desse contexto, a disfunção do Sistema Endocanabinoide (SEC) desempenha um papel significativo, contribuindo para o agravamento desses fatores.
O SECB é essencial para a regulação da homeostase cerebral, auxiliando no controle da inflamação e na neuroproteção. No entanto, na DA, sua disfunção permite que a inflamação se torne descontrolada, comprometendo a capacidade do cérebro de se defender e se regenerar. Esse desequilíbrio agrava a degeneração neuronal e acelera o declínio cognitivo e funcional característico da doença.
Pesquisas recentes sugerem que a modulação do SECB pode representar uma abordagem terapêutica promissora para mitigar os efeitos da DA, reduzindo a neuroinflamação e promovendo a sobrevivência celular.
A Cannabis Medicinal refere-se ao uso terapêutico de extratos ou compostos derivados da planta Cannabis sativa para tratar diversas condições médicas. Estudos demonstram sua eficácia no manejo de doenças como dor crônica, epilepsia, ansiedade, inflamações e enfermidades neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer.
Os efeitos terapêuticos da Cannabis Medicinal decorrem, em grande parte, da interação de seus compostos ativos com o Sistema Endocanabinoide (SEC), que regula diversos processos fisiológicos no organismo. A planta contém mais de 100 fitocanabinoides, sendo os mais estudados e utilizados na prática medicinal o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD).
O canabidiol (CBD), um dos principais compostos não psicoativos da Cannabis sativa, interage indiretamente com os receptores do Sistema Endocanabinoide (SECB), particularmente CB1 e CB2, desempenhando um papel relevante na proteção contra doenças neurodegenerativas.
O receptor CB1 é predominante no sistema nervoso central, desempenhando um papel essencial na modulação da liberação de neurotransmissores. Embora o CBD não se ligue diretamente a CB1, ele modula sua atividade de forma indireta, reduzindo os efeitos psicoativos do tetraidrocanabinol (THC) e promovendo neuroproteção ao:
O receptor CB2 é predominante no sistema imunológico e desempenha um papel essencial na regulação da inflamação. A interação do CBD com CB2 contribui para efeitos neuroprotetores por meio de dois mecanismos principais:
Dessa forma, a modulação dos receptores CB1 e CB2 pelo CBD tem sido amplamente estudada como uma abordagem promissora para retardar a progressão de doenças neurodegenerativas, especialmente aquelas associadas à inflamação crônica e ao acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro.
O estudo intitulado "A Performance da Cannabis no Tratamento da Doença de Alzheimer - Uma Revisão Bibliográfica" foi publicado em 23 de novembro de 2023. Este trabalho de conclusão de curso foi realizado por Isadora Nafhy Lisboa Ojo, sob a orientação da Profa. Dra. Solange Aparecida Nappo, no Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), campus Diadema.
O estudo teve como objetivo correlacionar a eficácia dos principais compostos da Cannabis sativa, como o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), no tratamento, prevenção e cuidados paliativos da Doença de Alzheimer.
A pesquisa ressalta os potenciais benefícios desses compostos na neuroproteção e na regulação de processos inflamatórios. Os achados sugerem que os canabinoides apresentam um potencial promissor na atenuação da neuroinflamação e na preservação neuronal, contribuindo para a mitigação da degeneração associada à Doença de Alzheimer.
A utilização da cannabis medicinal no tratamento da Doença de Alzheimer apresenta-se como uma alternativa promissora devido às propriedades neuroprotetoras, antioxidantes e anti-inflamatórias de seus principais compostos, como o CBD e o THC. Estudos recentes indicam benefícios significativos na modulação de processos fisiopatológicos associados à neurodegeneração, incluindo a redução de inflamações, a diminuição de depósitos de beta-amiloide e a proteção contra a excitotoxicidade neuronal.
Apesar das evidências científicas encorajadoras, desafios importantes precisam ser superados, como a padronização de doses, o desenvolvimento de formas seguras de administração e a necessidade de mais estudos clínicos em larga escala para confirmar a eficácia e segurança dos tratamentos.
No horizonte, a pesquisa contínua sobre os mecanismos de ação dos canabinoides e o avanço no desenvolvimento de terapias baseadas em cannabis podem transformar significativamente o manejo da Doença de Alzheimer, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos pacientes e seus cuidadores.
Assim, a integração da cannabis medicinal como parte de um tratamento abrangente representa uma perspectiva inovadora e esperançosa no campo das doenças neurodegenerativas.

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