UNILA inicia estudo sobre cannabis medicinal no tratamento da fibromialgia
A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em parceria com a Associação Santa Cannabis, dará início a um estudo clínico inédito sobre os efeitos da cannabis medicinal no tratamento da fibromialgia.
A pesquisa acompanhará 36 mulheres voluntárias ao longo de seis meses, em Foz do Iguaçu e Cascavel (PR), avaliando de que forma o uso de óleo full spectrum pode influenciar o controle da dor, o sono, a qualidade de vida e o bem-estar geral.

O que é Fibromialgia?
A fibromialgia está entre as doenças reumatológicas mais comuns no mundo, afetando aproximadamente 7% da população global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Predomina em mulheres entre 50 e 60 anos e se manifesta principalmente por dor crônica generalizada, fadiga intensa e distúrbios do sono.
Os efeitos, no entanto, vão muito além do corpo físico:
- Alto índice de afastamento laboral, comprometendo a vida profissional e financeira;
- Risco de suicídio até 10 vezes maior em relação à população saudável;
- Custos com saúde até 300% superiores, refletindo o peso econômico da doença.
Trata-se, portanto, de uma condição muitas vezes invisível, mas que impõe profundo impacto social e econômico — e que ainda carece de alternativas terapêuticas realmente eficazes.
Cannabis medicinal como alternativa
Nos últimos anos, a cannabis medicinal tem despertado crescente interesse da comunidade científica e médica pelo seu potencial no manejo de doenças crônicas, especialmente naquelas que apresentam resposta limitada aos medicamentos convencionais.
Na fibromialgia, sintomas como dor persistente, fadiga e distúrbios do sono estão entre os mais incapacitantes — justamente áreas em que os canabinoides podem atuar de forma significativa.
Dois deles se destacam:
- CBD (canabidiol): propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e ansiolíticas, que ajudam a reduzir a percepção da dor, melhorar a qualidade do sono e aliviar sintomas de ansiedade e depressão frequentemente associados à doença.
- THC (tetra-hidrocanabinol): em baixas concentrações, potencializa os efeitos do CBD, contribuindo para o alívio da dor e a melhora da qualidade de vida, sem necessariamente provocar efeitos psicoativos quando administrado em doses controladas.
O uso combinado dessas substâncias gera o chamado efeito entourage, ou efeito comitiva, em que diferentes compostos da planta atuam de maneira sinérgica, ampliando a eficácia terapêutica. Esse mecanismo favorece a modulação do sistema nervoso e auxilia no equilíbrio de funções como humor, sono e percepção da dor — tornando a cannabis medicinal uma alternativa promissora para pacientes com fibromialgia.
Sobre a pesquisa
Batizado de Fridinha, o estudo será conduzido pelo Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciências Psicodélicas (LCP) da UNILA, em parceria com a Associação Santa Cannabis. É a primeira iniciativa do tipo no Brasil, voltada a oferecer novas perspectivas para o tratamento da fibromialgia.
Com início previsto ainda em 2025 e duração de seis meses, a pesquisa será realizada em Foz do Iguaçu e Cascavel (PR), acompanhando 36 mulheres com diagnóstico confirmado. O protocolo será do tipo Open Label — sem grupo placebo, em formato de acompanhamento aberto.
Entre os principais objetivos estão:
- Avaliar o controle da dor crônica;
- Observar a melhora da qualidade de vida;
- Medir a redução de sintomas de depressão;
- Analisar os efeitos na regulação do sono;
- Investigar o impacto no bem-estar geral.
As voluntárias terão acompanhamento mensal, responderão a questionários clínicos e realizarão exames laboratoriais antes e depois da intervenção. Esse processo permitirá medir de forma objetiva a eficácia e a segurança do óleo full spectrum, que reúne diversos canabinoides, incluindo pequenas concentrações de THC.
As inscrições já estão abertas e seguem até 5 de setembro de 2025. Podem participar mulheres entre 18 e 60 anos com diagnóstico confirmado de fibromialgia e disponibilidade para comparecer às consultas presenciais nas cidades participantes. Todo o processo — consultas, exames e fornecimento do óleo — será totalmente gratuito.
As interessadas podem se inscrever diretamente pelo site oficial da UNILA, divulgado em sua página de notícias.
Considerações finais
A cannabis medicinal representa uma das alternativas mais promissoras no enfrentamento da fibromialgia, justamente por atuar nos sintomas que mais comprometem a vida das pacientes: dor, fadiga e distúrbios do sono. O estudo da UNILA pode marcar um passo decisivo ao transformar evidências clínicas em possibilidades reais de tratamento, oferecendo esperança a quem ainda convive com opções limitadas e pouco eficazes.

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O que é a fibromialgia?
A fibromialgia é uma doença reumatológica crônica caracterizada por dor generalizada, fadiga intensa e distúrbios do sono. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela afeta aproximadamente 7% da população mundial, predominando em mulheres entre 50 e 60 anos. Além do impacto físico, a doença compromete a vida profissional, financeira e social das pacientes, elevando custos com saúde e aumentando os riscos de depressão e até de suicídio.
Como a cannabis medicinal pode ajudar no tratamento da fibromialgia?
A cannabis medicinal tem mostrado potencial para auxiliar no controle da dor, na melhora do sono e na redução de sintomas emocionais associados à fibromialgia, como ansiedade e depressão. Isso acontece porque seus compostos ativos, principalmente o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), interagem com o sistema endocanabinoide do organismo, modulando funções relacionadas ao bem-estar físico e mental.
O que é o efeito entourage na cannabis medicinal?
O efeito entourage, também chamado de efeito comitiva, é o fenômeno em que diferentes substâncias da planta, como os canabinoides e os terpenos, atuam em conjunto de maneira sinérgica. Essa interação amplia a eficácia terapêutica e torna o tratamento mais completo, favorecendo o equilíbrio de funções como humor, sono e percepção da dor em pacientes com fibromialgia.
O que é o estudo da UNILA sobre cannabis e fibromialgia?
A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em parceria com a Associação Santa Cannabis, iniciou em 2025 um estudo clínico inédito para avaliar os efeitos da cannabis medicinal no tratamento da fibromialgia. Serão acompanhadas 36 mulheres com diagnóstico confirmado durante seis meses, nas cidades de Foz do Iguaçu e Cascavel, no Paraná. O estudo utilizará óleo full spectrum em protocolo aberto e sem grupo placebo.
Quais são os objetivos principais da pesquisa?
A pesquisa pretende medir a eficácia da cannabis medicinal no controle da dor crônica, analisar possíveis melhorias na qualidade do sono e do bem-estar geral, além de observar impactos positivos na redução de sintomas depressivos. Também será avaliado se o tratamento pode contribuir para elevar a qualidade de vida das pacientes e reduzir a intensidade dos sintomas incapacitantes da fibromialgia.
Quem pode participar do estudo?
Podem participar mulheres com idade entre 18 e 60 anos, que possuam diagnóstico confirmado de fibromialgia e disponibilidade para comparecer às consultas presenciais em Foz do Iguaçu ou Cascavel. As inscrições seguem abertas até 5 de setembro de 2025 e todo o processo é gratuito, incluindo consultas médicas, exames laboratoriais e fornecimento do óleo utilizado no tratamento.
Qual tipo de óleo será utilizado?
O estudo aplicará o óleo full spectrum, uma formulação que reúne diversos canabinoides, entre eles o CBD e pequenas concentrações de THC. A escolha desse extrato busca potencializar os efeitos terapêuticos, explorando a interação entre os compostos e oferecendo um tratamento mais abrangente para os sintomas da fibromialgia.
Quais são os benefícios esperados do uso da cannabis na fibromialgia?
Os principais benefícios esperados incluem a redução da dor crônica, a melhora do sono e o aumento da disposição. Além disso, há evidências de que o tratamento pode ajudar a reduzir a ansiedade e os sintomas depressivos, proporcionando maior bem-estar e melhor qualidade de vida para quem convive com a doença.
A cannabis medicinal substitui os tratamentos convencionais da fibromialgia?
A cannabis não deve ser vista como substituta dos tratamentos convencionais, mas sim como uma alternativa ou terapia complementar. A indicação deve sempre ser feita por um médico, considerando o histórico clínico da paciente e as possíveis interações com outros medicamentos em uso.
Onde encontrar informações oficiais sobre o estudo da UNILA?
Todas as informações sobre inscrições e andamento da pesquisa estão disponíveis no site oficial da UNILA, na seção de notícias. Essa é a fonte mais confiável para acompanhar novidades e atualizações do estudo, garantindo que as interessadas tenham acesso a dados corretos e seguros.




