A influenciadora digital Isabel Veloso morreu aos 19 anos após enfrentar complicações relacionadas ao tratamento de um câncer. Sua trajetória, amplamente acompanhada nas redes sociais, comoveu o país e reacendeu debates importantes sobre cuidados paliativos, qualidade de vida e o papel de terapias de suporte, como o canabidiol (CBD), no cuidado oncológico.
Desde o diagnóstico, Isabel compartilhou com o público sua rotina de exames, internações e tratamentos, transformando sua experiência pessoal em um dos casos oncológicos mais acompanhados do Brasil.
Isabel foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Ao longo do tempo, os tratamentos convencionais passaram a apresentar resposta limitada. Diante desse cenário, a equipe médica indicou a adoção de cuidados paliativos.
Esse ponto gerou confusão nas redes sociais. Para muitas pessoas, os cuidados paliativos ainda são erroneamente associados apenas à terminalidade. No entanto, especialistas explicam que essa abordagem pode ser adotada em diferentes fases da doença, inclusive de forma concomitante aos tratamentos ativos.
Para entender melhor, é importante esclarecer o que são cuidados paliativos.
Cuidados paliativos são uma abordagem de cuidado em saúde voltada para promover qualidade de vida de pessoas que enfrentam doenças graves, crônicas ou potencialmente ameaçadoras da vida. Diferentemente do que muitos imaginam, eles não se restringem aos momentos finais da vida.
O foco dos cuidados paliativos é aliviar o sofrimento em todas as suas dimensões — física, emocional, social e, quando necessário, espiritual — oferecendo suporte tanto ao paciente quanto à sua família.
Os cuidados paliativos têm como principais objetivos:
Em 2025, Isabel anunciou que a doença havia entrado em remissão, termo utilizado quando exames não identificam sinais ativos do câncer. A notícia trouxe esperança ao público, mas também evidenciou uma realidade pouco compreendida fora do meio médico: a evolução do câncer nem sempre é linear.
Mesmo em remissão, pacientes oncológicos podem apresentar complicações tardias decorrentes do próprio tratamento, como infecções, falência de órgãos, toxicidades e fragilidade clínica. Foi nesse contexto que o estado de saúde de Isabel voltou a se agravar nos meses seguintes, culminando em seu falecimento.
Do ponto de vista científico, é essencial deixar claro: o canabidiol (CBD) não é um tratamento curativo para o câncer e não substitui terapias oncológicas convencionais, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.
Por outro lado, estudos clínicos e revisões da literatura indicam que o CBD pode atuar como terapia adjuvante (ou seja, de suporte), especialmente para controle de sintomas que impactam a qualidade de vida de pacientes oncológicos, inclusive em contextos de cuidados paliativos.
Entre os efeitos mais frequentemente relatados na prática clínica e em estudos estão:
Por ser uma substância biologicamente ativa, o CBD pode interagir com outros medicamentos e não é indicado de forma genérica para todas as pessoas. Por isso, quando utilizado, ele deve ser integrado ao plano terapêutico como suporte, com:
A morte de Isabel Veloso encerra uma trajetória marcada por exposição pública, sofrimento e resistência. Ao mesmo tempo, o caso evidencia a necessidade de informação qualificada, empatia e responsabilidade na forma como temas de saúde são tratados nas redes sociais e na imprensa.
O canabidiol pode ter espaço no cuidado oncológico — não como cura, mas como ferramenta terapêutica complementar, voltada ao alívio de sintomas e à melhoria da qualidade de vida. Seu uso deve ser sempre orientado pela ciência, pela ética médica e pelo respeito à individualidade de cada paciente.

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