Caso Isabel Veloso: Cuidados paliativos, qualidade de vida e o papel do canabidiol no cuidado oncológico
A influenciadora digital Isabel Veloso morreu aos 19 anos após enfrentar complicações relacionadas ao tratamento de um câncer. Sua trajetória, amplamente acompanhada nas redes sociais, comoveu o país e reacendeu debates importantes sobre cuidados paliativos, qualidade de vida e o papel de terapias de suporte, como o canabidiol (CBD), no cuidado oncológico.
Desde o diagnóstico, Isabel compartilhou com o público sua rotina de exames, internações e tratamentos, transformando sua experiência pessoal em um dos casos oncológicos mais acompanhados do Brasil.
- A trajetória da influenciadora trouxe visibilidade ao papel dos cuidados paliativos, que vão além do fim de vida e focam qualidade, dignidade e alívio do sofrimento em diferentes fases da doença.
- Abordagem integrada que busca controlar sintomas físicos e emocionais, oferecer suporte psicológico e social e melhorar a qualidade de vida do paciente e da família, independentemente da chance de cura.
- A remissão não elimina a possibilidade de complicações tardias do tratamento oncológico, como infecções e fragilidade clínica, mostrando que a evolução da doença nem sempre é linear.
- O CBD não é cura para o câncer, mas pode atuar como terapia adjuvante no controle de dor, náuseas, ansiedade e insônia, desde que usado com prescrição e acompanhamento médico.
Do diagnóstico aos cuidados paliativos
Isabel foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Ao longo do tempo, os tratamentos convencionais passaram a apresentar resposta limitada. Diante desse cenário, a equipe médica indicou a adoção de cuidados paliativos.
Esse ponto gerou confusão nas redes sociais. Para muitas pessoas, os cuidados paliativos ainda são erroneamente associados apenas à terminalidade. No entanto, especialistas explicam que essa abordagem pode ser adotada em diferentes fases da doença, inclusive de forma concomitante aos tratamentos ativos.
Para entender melhor, é importante esclarecer o que são cuidados paliativos.
O que são cuidados paliativos?
Cuidados paliativos são uma abordagem de cuidado em saúde voltada para promover qualidade de vida de pessoas que enfrentam doenças graves, crônicas ou potencialmente ameaçadoras da vida. Diferentemente do que muitos imaginam, eles não se restringem aos momentos finais da vida.
O foco dos cuidados paliativos é aliviar o sofrimento em todas as suas dimensões — física, emocional, social e, quando necessário, espiritual — oferecendo suporte tanto ao paciente quanto à sua família.
Principais objetivos dos cuidados paliativos
Os cuidados paliativos têm como principais objetivos:
- controle de sintomas como dor, falta de ar, náuseas, insônia e ansiedade;
- redução do sofrimento físico e emocional;
- preservação da dignidade e da autonomia do paciente;
- apoio psicológico e social;
- melhora da qualidade de vida, independentemente da possibilidade de cura.
Remissão não significa ausência de riscos
Em 2025, Isabel anunciou que a doença havia entrado em remissão, termo utilizado quando exames não identificam sinais ativos do câncer. A notícia trouxe esperança ao público, mas também evidenciou uma realidade pouco compreendida fora do meio médico: a evolução do câncer nem sempre é linear.
Mesmo em remissão, pacientes oncológicos podem apresentar complicações tardias decorrentes do próprio tratamento, como infecções, falência de órgãos, toxicidades e fragilidade clínica. Foi nesse contexto que o estado de saúde de Isabel voltou a se agravar nos meses seguintes, culminando em seu falecimento.
O que a ciência diz sobre canabidiol e câncer
Do ponto de vista científico, é essencial deixar claro: o canabidiol (CBD) não é um tratamento curativo para o câncer e não substitui terapias oncológicas convencionais, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.
Por outro lado, estudos clínicos e revisões da literatura indicam que o CBD pode atuar como terapia adjuvante (ou seja, de suporte), especialmente para controle de sintomas que impactam a qualidade de vida de pacientes oncológicos, inclusive em contextos de cuidados paliativos.
Entre os efeitos mais frequentemente relatados na prática clínica e em estudos estão:
- alívio da dor crônica, inclusive dor neuropática;
- redução de náuseas e vômitos associados à quimioterapia (em alguns casos, especialmente quando associado a outros canabinoides, conforme avaliação médica);
- estímulo do apetite e melhora de queixas relacionadas à alimentação;
- auxílio no manejo de ansiedade e insônia, quando esses sintomas fazem parte do quadro;
- melhora da qualidade de vida em situações específicas, a depender do perfil do paciente e do plano de cuidado.
Uso responsável: o que precisa ser considerado
Por ser uma substância biologicamente ativa, o CBD pode interagir com outros medicamentos e não é indicado de forma genérica para todas as pessoas. Por isso, quando utilizado, ele deve ser integrado ao plano terapêutico como suporte, com:
- prescrição médica,
- acompanhamento profissional,
- avaliação individualizada de riscos, benefícios e possíveis interações
Considerações finais
A morte de Isabel Veloso encerra uma trajetória marcada por exposição pública, sofrimento e resistência. Ao mesmo tempo, o caso evidencia a necessidade de informação qualificada, empatia e responsabilidade na forma como temas de saúde são tratados nas redes sociais e na imprensa.
O canabidiol pode ter espaço no cuidado oncológico — não como cura, mas como ferramenta terapêutica complementar, voltada ao alívio de sintomas e à melhoria da qualidade de vida. Seu uso deve ser sempre orientado pela ciência, pela ética médica e pelo respeito à individualidade de cada paciente.

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O que são cuidados paliativos e quando eles são indicados?
Cuidados paliativos são uma abordagem de saúde focada em melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças graves. Eles podem ser iniciados em qualquer fase da doença, inclusive junto aos tratamentos curativos.
Cuidados paliativos significam que não há mais tratamento?
Não. Essa é uma ideia equivocada. Os cuidados paliativos podem ser aplicados simultaneamente a terapias ativas e têm como objetivo controlar sintomas, reduzir sofrimento e preservar a dignidade do paciente.
O que significa câncer em remissão?
Remissão ocorre quando exames não detectam sinais ativos da doença. No entanto, isso não elimina riscos, pois podem surgir complicações tardias relacionadas ao próprio câncer ou aos tratamentos realizados.
O canabidiol (CBD) cura o câncer?
Não. O CBD não é um tratamento curativo para o câncer e não substitui quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. Seu uso deve ser sempre complementar e baseado em evidências científicas.
Para que o canabidiol pode ser utilizado no cuidado oncológico?
O CBD pode atuar como terapia de suporte no alívio de sintomas como dor crônica, náuseas, ansiedade, insônia e perda de apetite, contribuindo para a qualidade de vida do paciente.
O uso do CBD é seguro para todos os pacientes com câncer?
Não necessariamente. O canabidiol pode interagir com outros medicamentos e deve ser utilizado apenas com prescrição médica, acompanhamento profissional e avaliação individualizada de riscos e benefícios.




