Falar em público está entre os medos mais comuns da população — e, para muitas pessoas, pode ser mais temido até do que a morte. Apresentar um trabalho, participar de uma entrevista ou simplesmente se expor verbalmente diante de uma plateia são situações que, para quem sofre de ansiedade social, provocam reações físicas intensas: taquicardia, sudorese, tremores e até crises de pânico.
Com o crescente interesse pela cannabis medicinal, cientistas vêm investigando o potencial do canabidiol (CBD) como alternativa segura no controle da ansiedade — inclusive em contextos de exposição social.
Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros trouxe evidências relevantes sobre esse tema, apontando para uma possível aplicação terapêutica do CBD em pessoas com ansiedade de performance.

Um dos estudos mais citados sobre o uso do CBD para ansiedade foi realizado no Brasil, por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), e publicado na respeitada revista Neuropsychopharmacology, em 2011.
O estudo, intitulado “Cannabidiol reduces the anxiety induced by simulated public speaking in treatment-naïve social phobia patients”, foi conduzido por José Alexandre Crippa, Francisco S. Guimarães e colaboradores — referências na pesquisa sobre canabinoides.
O objetivo da pesquisa foi avaliar se o canabidiol poderia reduzir a ansiedade em situações de exposição social, como falar em público — uma das principais fontes de estresse em pessoas com fobia social.
Para isso, os cientistas organizaram um experimento controlado com 57 voluntários saudáveis, sem histórico de transtornos psiquiátricos. Todos foram submetidos a uma simulação de fala em público, considerada uma das formas mais confiáveis de induzir ansiedade em ambiente clínico.
Os 57 participantes foram divididos aleatoriamente em quatro grupos. Cada grupo recebeu, por via oral, uma das seguintes substâncias:
Nem os participantes nem os pesquisadores sabiam qual substância havia sido administrada em cada caso — esse é o chamado modelo duplo-cego, que garante maior confiabilidade aos resultados ao eliminar possíveis influências inconscientes.
A ansiedade foi medida em três momentos-chave: antes da apresentação, durante a fala e após o término da tarefa. Para isso, os pesquisadores utilizaram escalas psicológicas validadas, como o Visual Analogue Mood Scale (VAMS), além de parâmetros fisiológicos, como frequência cardíaca e pressão arterial, que são marcadores objetivos de estresse.
Esse tipo de ensaio — randomizado, duplo-cego e controlado por placebo — é considerado o padrão-ouro da pesquisa clínica, pois permite observar com mais precisão se o efeito observado é realmente causado pela substância testada, no caso, o CBD.
Além disso, o uso de diferentes doses permitiu identificar qual quantidade seria mais eficaz, e o teste de fala pública é especialmente relevante por simular um desafio real vivido por pessoas com ansiedade de performance ou fobia social.
Os resultados mostraram que nem todas as doses de CBD foram igualmente eficazes. Apenas a dose de 300 mg apresentou um efeito significativo na redução da ansiedade durante a simulação de fala pública.
Esse padrão é conhecido como curva de dose-resposta em forma de U, ou seja:
A melhora foi observada tanto em relatos subjetivos dos participantes (usando escalas de ansiedade) quanto em indicadores fisiológicos, como frequência cardíaca e pressão arterial, que diminuíram significativamente no grupo que recebeu 300 mg de CBD.
Esse tipo de resposta não é incomum em substâncias que atuam sobre o sistema nervoso: existe uma “faixa terapêutica ideal”, e ultrapassá-la nem sempre aumenta os benefícios — pode até anulá-los.
Os efeitos ansiolíticos do CBD não são meramente ocasionais — eles resultam de sua atuação direta em regiões do cérebro e em sistemas que regulam as emoções, o medo e a resposta ao estresse.
Um dos principais alvos do canabidiol é o sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores e moléculas que ajudam a manter o equilíbrio de funções vitais no organismo, como humor, sono, memória emocional, dor e regulação do estresse.
Embora o CBD não atue de forma direta nos receptores como o THC, ele modula o sistema endocanabinoide de maneira indireta, promovendo ajustes sutis, porém eficazes, na forma como o cérebro interpreta e responde a situações potencialmente estressantes — como falar em público ou interagir em ambientes sociais.
Os efeitos positivos do canabidiol (CBD) na redução da ansiedade social não ocorrem por acaso. Eles resultam de mecanismos neurológicos específicos, relacionados à forma como essa substância interage com áreas do cérebro envolvidas na regulação do medo, da percepção de ameaça e do controle emocional.
Diferente dos medicamentos convencionais, o CBD age de forma mais sutil, sem provocar sedação intensa ou afetar a clareza mental — o que o torna especialmente útil em situações que exigem foco e desempenho, como apresentações em público ou interações sociais.
A seguir, veja os principais mecanismos de ação do CBD no controle da ansiedade:
O CBD modula esses receptores, que têm papel central na regulação da ansiedade, humor e bem-estar. Essa ação ajuda a explicar os efeitos ansiolíticos do CBD, semelhantes aos de certos antidepressivos, mas sem risco de dependência ou sedação profunda.
A amígdala é a área do cérebro responsável por processar respostas ao medo. Em pessoas com transtorno de ansiedade social, essa região tende a ser hiperativa. O CBD ajuda a atenuar essa resposta exagerada, proporcionando maior sensação de segurança e controle em situações desafiadoras.
Ao contrário do THC, o CBD não é psicoativo e não altera a percepção da realidade. Ele promove relaxamento e alívio do estresse sem causar euforia, sonolência excessiva ou confusão mental — o que é ideal para quem precisa manter a funcionalidade e a concentração em contextos sociais.
Apesar de ter sido realizado com pessoas saudáveis em ambiente controlado, o estudo aponta para um potencial terapêutico real do CBD no controle da ansiedade social — especialmente em situações específicas, como entrevistas, provas, apresentações e falas em público.
No entanto, para que o canabidiol seja validado como recurso clínico eficaz, ainda são necessários avanços importantes na pesquisa.
O estudo brasileiro mostrou que o CBD, na dose de 300 mg, pode reduzir significativamente a ansiedade em situações de fala em público — um dos gatilhos mais comuns da fobia social.
Ao agir sobre receptores ligados ao medo e ao estresse, o canabidiol oferece alívio emocional sem sedação ou perda de lucidez, destacando-se como uma alternativa promissora aos ansiolíticos tradicionais.
Embora os resultados sejam encorajadores, novos estudos são essenciais para confirmar sua eficácia em pacientes com diagnóstico clínico e em uso prolongado.

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