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O CBD aumenta a anandamida? Entenda a relação com o sistema endocanabinoide

11 min de leitura
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  • A anandamida é um endocanabinoide produzido pelo próprio organismo e participa da regulação do humor, da dor, do sono e do estresse.
  • O CBD não produz anandamida, mas pode aumentar sua disponibilidade ao reduzir sua degradação e retardar sua recaptação.
  • Exercícios físicos, sono adequado e hábitos saudáveis podem influenciar os níveis de anandamida e o funcionamento do sistema endocanabinoide.
  • Estudos investigam a relação da anandamida com memória, resposta ao medo, bem-estar e a hipótese da Deficiência Clínica Endocanabinoide.

A anandamida é um endocanabinoide produzido naturalmente pelo organismo e participa da regulação de funções como humor, sono, percepção da dor, apetite e resposta ao estresse.

Por sua relação com processos associados ao bem-estar, ficou popularmente conhecida como a "molécula da felicidade", embora seus efeitos dependam de uma complexa rede de interações no sistema endocanabinoide.

Nos últimos anos, a anandamida também passou a despertar o interesse dos pesquisadores por sua possível relação com o CBD. Estudos sugerem que o canabidiol pode aumentar a disponibilidade desse endocanabinoide no organismo, não por estimular diretamente sua produção, mas por influenciar mecanismos envolvidos em sua degradação e eliminação.

Neste artigo, você vai entender o que é a anandamida, como ela atua no organismo, por que seus níveis podem variar e o que a ciência investiga sobre a relação entre CBD, sistema endocanabinoide e bem-estar.

O que é anandamida?

A anandamida (AEA) é um endocanabinoide produzido naturalmente pelo organismo e faz parte do sistema endocanabinoide. Ela atua como um mensageiro químico que se liga a receptores presentes em diferentes tecidos e órgãos, ajudando a regular diversas funções do organismo e a manter o equilíbrio interno (homeostase).

Descoberta em 1992 pelo pesquisador Raphael Mechoulam e sua equipe, a anandamida recebeu esse nome a partir da palavra sânscrita ananda, que significa "felicidade", "alegria suprema" ou "bem-aventurança". Por essa razão, ela ficou popularmente conhecida como a "molécula da felicidade".

Quais são as funções da anandamida no organismo?

A anandamida participa da regulação de diversos processos fisiológicos e atua como um mensageiro químico do Sistema Endocanabinoide. Sua função é ajudar o organismo a manter a homeostase, ou seja, o equilíbrio interno necessário para o funcionamento adequado de diferentes sistemas.

Entre as funções mais estudadas da anandamida estão:

  • Regulação do humor e da sensação de bem-estar;
  • Modulação da percepção da dor;
  • Controle da resposta ao estresse;
  • Participação nos mecanismos do sono;
  • Influência sobre o apetite e o metabolismo energético;
  • Atuação em processos relacionados à memória e ao aprendizado;
  • Participação na resposta emocional e na resposta ao medo.

Essas funções ocorrem principalmente por meio da interação da anandamida com receptores do Sistema Endocanabinoide, especialmente os receptores CB1, presentes em grande quantidade no cérebro e no sistema nervoso central. Ela também pode interagir com outros alvos biológicos, o que ajuda a explicar sua atuação em diferentes funções do organismo.

Embora seu papel biológico seja amplamente reconhecido, pesquisadores continuam investigando como alterações nos níveis de anandamida podem influenciar diferentes aspectos da saúde física e mental.

Como a anandamida é produzida e degradada?

Diferentemente de muitos neurotransmissores, a anandamida não costuma ficar armazenada para ser liberada posteriormente. Ela é produzida sob demanda, ou seja, quando o organismo precisa modular determinadas funções fisiológicas e ajudar a manter o equilíbrio interno.

Isso pode acontecer, por exemplo, durante o exercício físico, em situações de estresse ou em outros contextos nos quais o organismo precisa ajustar respostas relacionadas ao humor, à dor, ao apetite, ao sono e à sensação de bem-estar.

Produção da anandamida

A produção da anandamida começa a partir de moléculas presentes na membrana das células. Nesse processo, enzimas especializadas, como a NAPE-PLD, convertem essas moléculas precursoras em anandamida.

Após sua formação, a anandamida é liberada para interagir com receptores do Sistema Endocanabinoide, principalmente os receptores CB1 e CB2, dependendo do tecido e da função envolvida.

Degradação da anandamida

Depois de exercer sua função, a anandamida é rapidamente degradada pela enzima FAAH (Fatty Acid Amide Hydrolase).

Essa enzima quebra a molécula em compostos menores, como ácido araquidônico e etanolamina, que podem ser reutilizados pelo organismo em outros processos biológicos.

Por que a anandamida dura pouco tempo?

A rápida produção e degradação da anandamida ajudam a manter o Sistema Endocanabinoide funcionando de forma equilibrada. Esse mecanismo evita que a substância permaneça ativa por tempo excessivo e permite que o organismo ajuste continuamente seus sinais biológicos de acordo com as necessidades do momento.

Por isso, a anandamida é considerada um sinalizador de curta duração, atuando apenas pelo tempo necessário antes de ser degradada pela enzima FAAH.

O que acontece quando os níveis de anandamida diminuem?

Os níveis de anandamida variam naturalmente ao longo do tempo. Quando ocorrem alterações mais significativas em sua disponibilidade, a sinalização do Sistema Endocanabinoide também pode ser afetada.

Por esse motivo, pesquisadores investigam se mudanças nos níveis de anandamida podem influenciar diferentes processos fisiológicos e comportamentais.

Nesse contexto, estudos avaliam se alterações na sinalização endocanabinoide, incluindo a disponibilidade de anandamida, podem estar associadas a condições como:

  • Enxaqueca;
  • Fibromialgia;
  • Síndrome do intestino irritável;
  • Ansiedade;
  • Alterações de humor.

Essa linha de investigação está relacionada à hipótese da Deficiência Clínica Endocanabinoide (DEC), que propõe uma possível relação entre alterações no funcionamento do Sistema Endocanabinoide e alguns quadros crônicos.

No entanto, essa hipótese ainda está em estudo e não é reconhecida como um diagnóstico médico estabelecido. Por isso, baixos níveis de anandamida não devem ser interpretados isoladamente como causa direta dessas condições.

Saiba mais em: Deficiência Clínica Endocanabinoide (DEC): o que a ciência sabe até agora?

O CBD aumenta a anandamida?

Estudos indicam que o CBD pode contribuir para o aumento da disponibilidade da anandamida no organismo. No entanto, esse efeito não parece ocorrer por um aumento direto de sua produção.

A principal hipótese é que o CBD interfira em mecanismos relacionados à degradação e à recaptação da anandamida, permitindo que esse endocanabinoide permaneça ativo por mais tempo no sistema endocanabinoide.

Uma forma simples de entender esse mecanismo é imaginar uma pia cheia de água. A produção de anandamida funciona como a torneira, enquanto sua degradação funciona como o ralo. O CBD não parece abrir mais a torneira, mas pode diminuir a velocidade com que a água escoa. Como resultado, a quantidade de água na pia aumenta.

De forma semelhante, o CBD pode elevar a disponibilidade da anandamida ao reduzir sua degradação ou retardar sua remoção. No entanto, esse mecanismo ainda está sendo investigado, especialmente em relação à sua relevância clínica em humanos.

Para entender melhor como o canabidiol atua no organismo, veja também: Canabidiol (CBD): Para Que Serve, Benefícios e Como Usar em 2026

Como o CBD pode aumentar a anandamida?

Pesquisas apontam dois mecanismos principais:

1. Inibição da FAAH

A FAAH (Fatty Acid Amide Hydrolase) é a principal enzima responsável pela degradação da anandamida. Evidências sugerem que o CBD pode reduzir sua atividade, permitindo que esse endocanabinoide permaneça disponível por mais tempo no organismo.

2. Interferência no transporte celular

Antes de ser metabolizada, a anandamida precisa ser transportada para o interior das células por proteínas conhecidas como FABPs (Fatty Acid Binding Proteins). Estudos indicam que o CBD pode interferir nesse processo, dificultando o transporte da molécula e retardando sua eliminação.

Como resultado, a anandamida pode permanecer disponível por mais tempo e continuar atuando sobre o sistema endocanabinoide antes de ser degradada.

Qual é a diferença entre anandamida e CBD?

Embora ambos estejam relacionados ao sistema endocanabinoide, a anandamida e o CBD possuem origens e formas de atuação diferentes.

Característica

Origem

AnandamidaProduzida naturalmente pelo organismo
CBDComposto encontrado na planta Cannabis sativa
Característica

Classificação

AnandamidaEndocanabinoide
CBDFitocanabinoide
Característica

Produção pelo corpo

AnandamidaSim
CBDNão
Característica

Forma de atuação

AnandamidaAtua como mensageiro químico do sistema endocanabinoide
CBDInterage de forma indireta com o sistema endocanabinoide e outros sistemas biológicos
Característica

Relação com receptores

AnandamidaPode se ligar a receptores canabinoides, como CB1 e CB2
CBDNão atua nos receptores CB1 e CB2 da mesma forma que a anandamida

O THC também influencia a anandamida?

Sim, mas de uma forma diferente do CBD.

A anandamida e o THC possuem estruturas químicas distintas, mas compartilham uma característica importante: ambos podem interagir com os receptores CB1 do sistema endocanabinoide, encontrados em grande quantidade no cérebro e no sistema nervoso central.

Por causa dessa semelhança funcional, o THC é frequentemente descrito como um composto capaz de "imitar" alguns efeitos dos endocanabinoides produzidos pelo organismo. No entanto, isso não significa que ele aumente diretamente a produção de anandamida.

Enquanto o CBD parece influenciar mecanismos relacionados à degradação e à disponibilidade da anandamida, o THC atua principalmente ligando-se aos receptores canabinoides e ativando vias de sinalização semelhantes às desencadeadas pelos endocanabinoides naturais.

Pesquisadores também investigam se o uso de THC pode influenciar indiretamente o funcionamento do sistema endocanabinoide e a regulação dos endocanabinoides produzidos pelo organismo. No entanto, esses mecanismos são complexos e ainda não estão completamente esclarecidos.

O exercício físico aumenta a anandamida?

Sim. Diversos estudos sugerem que a prática de exercícios físicos pode aumentar temporariamente os níveis de anandamida no organismo.

Durante muitos anos, acreditou-se que o chamado runner's high ("barato do corredor") estivesse relacionado principalmente à liberação de endorfinas. Atualmente, pesquisas indicam que o Sistema Endocanabinoide e o aumento temporário da anandamida também podem desempenhar um papel importante nessa sensação de bem-estar, relaxamento e melhora do humor observada após a atividade física.

Acredita-se que esse aumento da anandamida faça parte da resposta natural do organismo ao exercício, contribuindo para a regulação do humor, da percepção da dor e da resposta ao estresse.

Além da atividade física, outros fatores também podem influenciar o funcionamento do sistema endocanabinoide, incluindo:

  • Sono adequado;
  • Controle do estresse;
  • Alimentação equilibrada;
  • Prática regular de exercícios físicos.

Embora mais estudos sejam necessários para compreender todos os mecanismos envolvidos, esses hábitos estão associados à manutenção do equilíbrio do sistema endocanabinoide e da saúde geral do organismo.

Para entender melhor como esse sistema participa da regulação do humor, do sono, da dor e de outras funções do organismo, veja também: Sistema Endocanabinoide: o que é e qual sua função?

Qual é o papel da anandamida na memória e nas emoções?

Além de participar da regulação do humor e da sensação de bem-estar, a anandamida também está envolvida em processos relacionados à memória, ao medo e à resposta emocional.

Pesquisas sugerem que esse endocanabinoide atua em regiões importantes do cérebro, como o hipocampo, associado à formação de memórias, e a amígdala, estrutura envolvida no processamento das emoções e na identificação de situações potencialmente ameaçadoras.

Estudos também indicam que a sinalização da anandamida pode participar da chamada extinção do medo, um processo pelo qual o cérebro aprende que uma situação anteriormente percebida como perigosa já não representa a mesma ameaça. Por esse motivo, pesquisadores investigam sua possível participação em mecanismos relacionados ao estresse, à ansiedade e à adaptação emocional.

Embora os avanços científicos tenham ampliado a compreensão sobre essas funções, muitos desses mecanismos ainda estão em investigação. Por isso, não é possível estabelecer conclusões definitivas sobre aplicações clínicas específicas. Ainda assim, as evidências reforçam a importância da anandamida para o equilíbrio emocional e para o funcionamento adequado do sistema nervoso.

Se quiser saber mais sobre o que a ciência investiga a respeito do uso do canabidiol em condições relacionadas à ansiedade, leia também: Canabidiol para ansiedade: funciona? Estudos e dosagem

Conclusão

Mas afinal, o CBD aumenta a anandamida? As evidências científicas atuais sugerem que o canabidiol pode aumentar a disponibilidade da anandamida de forma indireta. Em vez de estimular sua produção, o CBD pode atuar sobre mecanismos relacionados à degradação e à recaptação desse endocanabinoide, permitindo que ele permaneça disponível por mais tempo no organismo.

Essa interação ajuda a explicar parte do interesse científico na relação entre o CBD e o Sistema Endocanabinoide. No entanto, muitos desses mecanismos ainda estão sendo investigados, especialmente em relação à sua relevância clínica em humanos.

À medida que as pesquisas avançam, a anandamida continua sendo uma das moléculas mais estudadas para compreender como o organismo regula funções essenciais e como o Sistema Endocanabinoide participa da manutenção da homeostase e do bem-estar.

Referências

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Dúvidas frequentes

O que é anandamida?

A anandamida é um endocanabinoide produzido naturalmente pelo organismo. Ela participa da regulação de funções como humor, dor, sono, apetite, memória e resposta ao estresse.

Por que a anandamida é chamada de molécula da felicidade?

O nome anandamida deriva da palavra sânscrita ananda, que significa felicidade ou bem-aventurança. Essa associação existe porque a substância participa de mecanismos relacionados ao bem-estar, à recompensa e à regulação emocional.

O CBD aumenta a anandamida?

Estudos sugerem que o CBD pode aumentar indiretamente a disponibilidade da anandamida ao influenciar mecanismos relacionados à sua degradação e recaptação, incluindo processos que envolvem a enzima FAAH. No entanto, esse efeito ainda está sendo estudado e pode variar conforme o contexto biológico.

Anandamida e CBD são a mesma coisa?

Não. A anandamida é um endocanabinoide produzido pelo próprio organismo, enquanto o CBD é um fitocanabinoide encontrado na planta Cannabis sativa.

Quais são as funções da anandamida?

A anandamida participa da regulação de funções como humor, sono, dor, apetite, memória, resposta ao estresse e equilíbrio emocional.

O exercício físico aumenta a anandamida?

Pesquisas sugerem que o exercício físico pode elevar temporariamente os níveis de anandamida, contribuindo para sensações de bem-estar e relaxamento após a atividade física.

É possível aumentar a anandamida naturalmente?

Alguns estudos sugerem que hábitos como atividade física regular, sono adequado, manejo do estresse e alimentação equilibrada podem influenciar o funcionamento do sistema endocanabinoide e a disponibilidade da anandamida.

O que é a enzima FAAH?

A FAAH (Fatty Acid Amide Hydrolase) é a principal enzima responsável pela degradação da anandamida após ela exercer sua função no organismo.

Baixos níveis de anandamida podem causar doenças?

Alguns estudos investigam a relação entre alterações na sinalização endocanabinoide e condições como fibromialgia, enxaqueca e síndrome do intestino irritável. No entanto, ainda não é possível afirmar que baixos níveis de anandamida sejam a causa direta dessas condições.

Qual é a relação da anandamida com a memória e as emoções?

Pesquisas indicam que a anandamida participa de mecanismos relacionados à formação de memórias, ao processamento das emoções e à resposta ao medo. Esses processos, porém, ainda estão sendo estudados.

Contribuidores:

Andrea Vieira

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