O Dia Mundial do Lúpus, comemorado em 10 de maio, é uma iniciativa da Federação Mundial de Lúpus, uma coalizão que reúne organizações de pacientes ao redor do mundo com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os impactos dessa doença crônica e ainda pouco compreendida.
Ao longo do mês de maio, diversas instituições promovem ações educativas, eventos presenciais e virtuais para ampliar o conhecimento sobre o lúpus e apoiar pacientes e familiares.

Uma das campanhas mais populares é o “Put on Purple”, que incentiva o uso da cor roxa — símbolo da luta contra o lúpus — como forma de dar visibilidade à causa, arrecadar fundos para pesquisas e demonstrar solidariedade.
Em 2025, a campanha do Dia Mundial do Lúpus traz o lema: “Get Ready for World Lupus Day — Make Lupus Visible Together!” (Prepare-se para o Dia Mundial do Lúpus — Vamos dar visibilidade ao lúpus juntos!)
O principal objetivo da campanha do Dia Mundial do Lúpus é ampliar a conscientização global e chamar atenção para os impactos físicos, emocionais e sociais causados pela doença.
A data também reforça a urgência de melhorar os serviços de saúde, estimular pesquisas sobre as causas e possíveis curas, promover o diagnóstico precoce, garantir o acesso ao tratamento adequado e mobilizar recursos que ajudem a reduzir o sofrimento das pessoas que convivem com essa condição crônica.
O símbolo da borboleta foi adotado na conscientização sobre o lúpus por causa de uma de suas manifestações mais características: a erupção cutânea em forma de “asa de borboleta”, que aparece no rosto de muitos pacientes, especialmente sobre o nariz e as bochechas.
Essas marcas, que lembram as asas abertas de uma borboleta, inspiraram o uso do animal como símbolo da causa. Mas o significado vai além da aparência: a borboleta representa também esperança, renovação e transformação — aspectos profundos da jornada de quem convive com o lúpus e precisa se reinventar diariamente diante dos desafios da doença.

O lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune. Isso significa que o sistema imunológico — responsável por proteger o organismo contra vírus, bactérias e outras ameaças — passa a atacar os próprios tecidos saudáveis, como se fossem invasores. Esse processo gera inflamações e danos que podem atingir diversas partes do corpo, incluindo pele, articulações, rins, pulmões e até o sistema nervoso.
Trata-se de uma condição complexa e multifacetada, que faz parte do grupo das mais de 80 doenças autoimunes conhecidas. Por ser crônica, o lúpus é de longa duração e pode causar sintomas variados que vão e voltam ao longo do tempo, exigindo acompanhamento contínuo e tratamento individualizado.
Atualmente, são reconhecidos quatro tipos principais de lúpus, cada um com características específicas:
1.Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
É a forma mais comum da doença, responsável por cerca de 70% dos casos. No LES, diferentes partes do corpo podem ser afetadas — desde a pele e as articulações até órgãos vitais como coração, pulmões, rins e cérebro. Em aproximadamente metade dos pacientes, há comprometimento de um desses órgãos ou tecidos importantes.
2.Lúpus Cutâneo
Corresponde a cerca de 10% dos casos. Afeta principalmente a pele, com manchas avermelhadas, que costumam surgir em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas, colo e braços. Essas lesões podem ser transitórias ou deixar cicatrizes, dependendo da forma clínica (aguda, subaguda ou crônica).
3.Lúpus Induzido por Medicamentos
Também representa cerca de 10% dos casos. Essa forma é causada pelo uso prolongado de certos medicamentos em doses elevadas. Os sintomas são semelhantes aos do lúpus sistêmico, mas tendem a desaparecer gradualmente após a suspensão do medicamento causador.
4.Lúpus Neonatal
É uma condição rara, que ocorre quando anticorpos autoimunes da mãe atravessam a placenta e afetam o bebê. O recém-nascido pode apresentar erupções cutâneas, alterações hepáticas ou baixa contagem de células sanguíneas, mas, na maioria dos casos, os sintomas desaparecem completamente nos primeiros seis meses de vida, sem deixar sequelas.
Infelizmente, não existe uma forma conhecida de prevenir o lúpus, já que suas causas ainda não são totalmente compreendidas. Por se tratar de uma doença autoimune multifatorial, acredita-se que fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais estejam envolvidos em seu desenvolvimento — o que dificulta a definição de medidas preventivas diretas.
No entanto, é possível reduzir o risco de agravamento e controlar melhor a doença por meio de algumas atitudes importantes, especialmente para quem já foi diagnosticado ou apresenta predisposição familiar:
Essas medidas não impedem o surgimento da doença, mas ajudam a minimizar os sintomas, prevenir surtos e melhorar a qualidade de vida de quem convive com o lúpus.
Conviver com o lúpus vai muito além de enfrentar os sintomas físicos da doença. Trata-se de uma condição crônica e imprevisível que pode afetar profundamente a saúde emocional, social e a qualidade de vida dos pacientes.
Entre os desafios mais comuns estão a fadiga intensa e constante, dores articulares e musculares, oscilações de humor, ansiedade e depressão. Muitas vezes, esses sintomas interferem nas atividades do dia a dia, no convívio social, na vida profissional e até na autoimagem, comprometendo a autoestima e o bem-estar emocional.
Além disso, por ser uma doença invisível aos olhos — sem sinais aparentes em muitos casos — o lúpus também carrega o peso do desconhecimento e da falta de empatia por parte da sociedade. Isso pode gerar sentimentos de isolamento e incompreensão, o que torna o suporte emocional ainda mais necessário.
Por esses motivos, o cuidado com o paciente deve ir além da medicação. É essencial oferecer um acompanhamento humanizado e multidisciplinar, envolvendo profissionais como psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais, além do reumatologista.
O apoio da família e de grupos de pacientes também exerce um papel fundamental, fortalecendo a adesão ao tratamento e criando uma rede de acolhimento e incentivo.
Embora o lúpus não tenha cura, ele pode ser controlado com acompanhamento médico e tratamento adequado, permitindo que muitos pacientes levem uma vida ativa e próxima do normal. O objetivo é reduzir a inflamação, controlar os sintomas e prevenir danos aos órgãos.
As principais abordagens terapêuticas incluem:
Nos últimos anos, a ciência tem avançado significativamente na busca por terapias mais eficazes e personalizadas para o lúpus. Entre as principais inovações, destacam-se os medicamentos biológicos, como o belimumabe — já aprovado no Brasil — que atua de forma específica no sistema imunológico, ajudando a reduzir a atividade da doença com menos efeitos colaterais em comparação aos tratamentos tradicionais, como os corticosteroides.
Além disso, novas terapias-alvo estão em fase de pesquisa, incluindo os anticorpos monoclonais que bloqueiam receptores de interferon tipo I, uma molécula-chave na resposta inflamatória exacerbada observada em muitos pacientes com lúpus. Esses tratamentos têm se mostrado promissores, especialmente para casos de difícil controle, oferecendo mais opções terapêuticas no futuro.
Apesar dos avanços, é importante destacar que essas terapias podem causar efeitos colaterais significativos e nem sempre garantem o controle completo da doença a longo prazo.
Apesar dos avanços promissores da medicina convencional — como o uso de medicamentos biológicos e terapias-alvo mais recentes —, nem todos os pacientes com lúpus respondem de forma satisfatória ao tratamento.
Além disso, os efeitos colaterais dessas medicações, como imunossupressão excessiva, causam maior risco de infecções e impactos na qualidade de vida, ainda representam desafios significativos no manejo da doença.
Diante dessa realidade, cresce o interesse por abordagens complementares, e a cannabis medicinal, especialmente o canabidiol (CBD), tem ganhado destaque como uma potencial aliada no controle dos sintomas do lúpus.
O canabidiol (CBD) tem sido estudado como um potencial aliado no controle de vários sintomas comuns do lúpus, devido às suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, ansiolíticas e reguladoras do sono.
Dor crônica: O CBD atua modulando a atividade de receptores endocanabinoides (como o CB1 e o CB2) e influenciando vias de sinalização relacionadas à dor. Ele pode reduzir a percepção da dor neuropática e inflamatória, que são frequentes em pacientes com lúpus.
Insônia: Ao interagir com neurotransmissores como a serotonina e o GABA, o CBD pode favorecer a indução do sono e melhorar sua qualidade. Além disso, ao reduzir a dor e a ansiedade, ele contribui indiretamente para a diminuição da insônia.
Fadiga: Embora a fadiga seja multifatorial no lúpus, a melhora na qualidade do sono, a redução da dor e da inflamação proporcionadas pelo CBD podem ter um efeito positivo na diminuição da sensação de cansaço persistente.
Ansiedade: O CBD apresenta ação ansiolítica comprovada em diversos estudos. Ele atua modulando receptores de serotonina (5-HT1A), promovendo uma sensação de calma e redução dos sintomas de ansiedade, que são comuns em pessoas com doenças autoimunes crônicas.
Inflamação generalizada: A propriedade anti-inflamatória do CBD é uma das mais relevantes para pacientes com lúpus. Ele inibe a produção de citocinas inflamatórias e reduz a ativação exagerada do sistema imunológico, ajudando a controlar processos inflamatórios sistêmicos que afetam articulações, pele, rins e outros órgãos.
Esses mecanismos tornam o CBD uma opção de interesse como terapia complementar no manejo dos sintomas do lúpus, sempre sob orientação e acompanhamento médico especializado.
Pesquisas científicas indicam que o CBD (canabidiol) possui propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias que podem ser benéficas no tratamento do lúpus eritematoso sistêmico (LES), uma doença autoimune caracterizada por inflamação crônica e disfunções no sistema imunológico.
O estudo "Immune Responses Regulated by Cannabidiol", de James M. Nichols e Barbara L.F. Kaplan (2019), destaca os efeitos imunossupressores e anti-inflamatórios do canabidiol (CBD), analisando dados provenientes de pesquisas in vitro e in vivo, especialmente em modelos de doenças autoimunes.
As principais conclusões da pesquisa indicam que o CBD:
Essas descobertas sugerem que o CBD possui um potencial terapêutico significativo para o tratamento de doenças autoimunes e inflamatórias, atuando como um agente imunomodulador.
O Dia Mundial do Lúpus reforça a importância de ampliar a conscientização sobre uma doença complexa, desafiadora e ainda pouco compreendida. Através de campanhas globais, a sociedade é convidada a reconhecer não apenas os impactos físicos do lúpus, mas também seus efeitos emocionais e sociais.
Embora a doença ainda não tenha cura, os avanços nos tratamentos têm proporcionado maior controle da doença e melhor qualidade de vida para muitos pacientes.
Além disso, abordagens complementares, como o uso medicinal do canabidiol (CBD), vêm sendo estudadas com resultados promissores no controle dos sintomas, especialmente no alívio da dor crônica, da ansiedade, da inflamação e da fadiga.
A luta contra o lúpus exige não apenas avanços na ciência, mas também empatia, informação e apoio contínuo a quem enfrenta os desafios dessa jornada.
Tornar o lúpus visível é dar voz aos pacientes, ampliar o acesso a tratamentos e promover esperança para um futuro com mais saúde e qualidade de vida.

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