Março Roxo 2026: Epilepsia, Conscientização e o Papel do CBD

- Março Roxo é a principal campanha de conscientização sobre epilepsia, com destaque para o Purple Day (26 de março)
- A epilepsia é uma condição neurológica comum e controlável, mas enfrenta desafios como diagnóstico tardio e desigualdade no acesso ao tratamento no Brasil
- A epilepsia refratária afeta cerca de 30% dos pacientes, exigindo abordagens mais complexas além dos medicamentos convencionais
- O canabidiol (CBD) surge como terapia complementar com evidências de redução das crises, especialmente em casos de difícil controle
A relação entre epilepsia e preconceito ainda é marcante na sociedade. O Março Roxo surge como um movimento global para mudar esse cenário, promovendo conscientização, inclusão e acesso ao tratamento.
O que é o Março Roxo e por que ele é importante?
O Março Roxo integra um movimento global de conscientização sobre a epilepsia. Mais do que uma campanha simbólica, seu principal objetivo é reduzir o estigma social associado à condição, historicamente marcada por preconceitos e interpretações equivocadas.
Nesse contexto, destaca-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, celebrado em 26 de março, conhecido internacionalmente como Purple Day (Dia Roxo). Nessa data, pessoas ao redor do mundo são incentivadas a usar a cor roxa e participar de ações educativas que promovam informação e esclarecimento sobre a doença. A mobilização tem alcance global: em anos recentes, mais de 85 países, em todos os continentes, participaram da iniciativa.
O movimento teve origem em 2008, nos Estados Unidos, a partir da iniciativa de Cassidy Megan, que, motivada por sua própria experiência com a epilepsia, propôs a criação de um dia dedicado ao tema. Seu objetivo era simples e poderoso: combater mitos e mostrar às pessoas que vivem com a condição que elas não estão sozinhas.
No ano seguinte, em 2009, o Purple Day ganhou dimensão internacional com o apoio da Epilepsy Association of the Maritimes e da Anita Kaufmann Foundation. Desde então, a campanha reúne indivíduos, instituições, escolas, empresas e autoridades públicas em um esforço conjunto para ampliar a conscientização e promover uma sociedade mais informada e inclusiva.
O que é epilepsia?
A epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada pela ocorrência de crises recorrentes, decorrentes de descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro. Pode afetar pessoas de todas as idades e está entre os transtornos neurológicos mais comuns no mundo, com prevalência global estimada em cerca de 1% da população.
As crises epilépticas variam em tipo e intensidade, podendo se manifestar de forma sutil ou mais evidente, a depender da região cerebral envolvida. O tratamento é individualizado e pode incluir o uso de medicamentos antiepilépticos, sendo, na maioria dos casos, eficaz para o controle das crises.
No Brasil, a epilepsia representa um relevante problema de saúde pública, exigindo diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e acesso a tratamento especializado. Além dos aspectos clínicos, a condição pode impactar a qualidade de vida, interferindo nas relações sociais, na vida escolar e profissional dos pacientes. Embora não tenha cura, a epilepsia pode ser controlada em grande parte dos casos, permitindo que muitos pacientes tenham uma vida ativa e produtiva.
Principais sintomas das crises epilépticas
Os sintomas variam conforme o tipo de crise e a região cerebral afetada:
| Tipo de crise | Manifestação |
|---|---|
| Crises de ausência | Breves episódios em que a pessoa parece "desligada", retomando suas atividades logo em seguida |
| Crises focais simples | Sensações incomuns, alterações na percepção ou movimentos involuntários localizados |
| Crises focais com comprometimento da consciência | Associadas à alteração ou perda de consciência |
| Crises tônico-clônicas | Perda de consciência, rigidez muscular e movimentos involuntários generalizados |
Crises de ausência
Breves episódios em que a pessoa parece "desligada", retomando suas atividades logo em seguida
Crises focais simples
Sensações incomuns, alterações na percepção ou movimentos involuntários localizados
Crises focais com comprometimento da consciência
Associadas à alteração ou perda de consciência
Crises tônico-clônicas
Perda de consciência, rigidez muscular e movimentos involuntários generalizados
Após a crise, é comum um período de recuperação com confusão, cansaço ou dificuldade de memória. Em situações mais graves, quando as crises se prolongam, é necessária atenção médica imediata.
O desafio da epilepsia refratária
Embora muitos pacientes consigam controlar as crises com medicamentos, uma parcela significativa enfrenta a chamada epilepsia refratária (ou farmacorresistente). Essa condição é caracterizada pela persistência das crises mesmo após o uso adequado de pelo menos dois medicamentos. Estima-se que cerca de 30% dos pacientes se enquadrem nesse grupo.
A epilepsia refratária está associada a impactos mais intensos na qualidade de vida, incluindo maior risco de lesões, hospitalizações e limitações nas atividades diárias. Nesses casos, o manejo exige uma abordagem mais complexa e individualizada, que pode incluir:
- Associação de fármacos
- Dieta cetogênica
- Cirurgia (em casos selecionados)
- Terapias complementares
Nesse cenário, o canabidiol (CBD) tem ganhado destaque como uma alternativa terapêutica complementar, especialmente em quadros de difícil controle.
Perfil epidemiológico da epilepsia no Brasil
A análise dos dados recentes sobre epilepsia no Brasil revela um panorama relevante. Entre os anos de 2019 e 2024, foram registrados 296.017 casos, evidenciando a expressiva presença da condição no sistema de saúde.
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Total de casos (2019-2024) | 296.017 |
| Região com mais casos | Sudeste (40,2%) |
| Segunda região | Nordeste (25,6%) |
| Terceira região | Sul (19,7%) |
| Sexo predominante | Masculino (57,7%) |
| Raça/cor predominante | Pardos (49,4%) |
| Faixa etária mais frequente | 1 a 9 anos (24,4%) |
| Tipo de atendimento predominante | Urgência (93,2%) |
Total de casos (2019-2024)
Região com mais casos
Segunda região
Terceira região
Sexo predominante
Raça/cor predominante
Faixa etária mais frequente
Tipo de atendimento predominante
A análise temporal indica um crescimento progressivo dos registros ao longo dos anos, com aumento mais expressivo a partir de 2020, o que pode estar relacionado à ampliação do acesso aos serviços de saúde e à melhoria dos sistemas de notificação.
A alta proporção de atendimentos de urgência (93,2%) indica possíveis falhas no acompanhamento contínuo e na gestão adequada da doença. Esse conjunto de informações evidencia que a epilepsia permanece como um importante desafio de saúde pública no Brasil.
Desinformação e preconceito: barreiras invisíveis
A desinformação ainda é um dos principais obstáculos enfrentados por pessoas com epilepsia. Em muitos casos, o estigma social associado à condição provoca impactos tão ou mais significativos do que as próprias crises, afetando a autoestima, as relações sociais e as oportunidades de estudo e trabalho.
Nesse contexto, campanhas como o Março Roxo têm papel essencial ao combater mitos e promover informação baseada em evidências. Entre os equívocos mais comuns, destacam-se:
❌ "A epilepsia é contagiosa" A epilepsia não é uma doença transmissível. Trata-se de uma condição neurológica, sem qualquer risco de contágio, seja por contato físico ou convivência.
❌ "A pessoa pode engolir a língua durante uma crise" Isso não ocorre. É anatomicamente impossível engolir a língua. Tentar abrir a boca da pessoa ou introduzir objetos pode causar lesões graves. A conduta correta é manter a calma, proteger a cabeça da pessoa e, se possível, colocá-la de lado para facilitar a respiração.
❌ "Epilepsia causa incapacidade intelectual" A epilepsia não compromete, por si só, a capacidade cognitiva. Embora algumas condições associadas possam coexistir, a maioria das pessoas com epilepsia possui plena capacidade intelectual.
❌ "Quem tem epilepsia não pode estudar, trabalhar ou viver de forma independente" Com tratamento adequado, cerca de 70% dos casos são controlados, permitindo que a pessoa leve uma vida ativa. Muitas das limitações enfrentadas decorrem mais do preconceito social do que da condição em si.
❌ "Epilepsia tem causas espirituais ou sobrenaturais" A epilepsia é uma condição médica bem definida, com causas neurológicas identificáveis e tratamento baseado em evidências científicas.
Mobilização social no Março Roxo: ações e participação
Mais do que uma campanha informativa, o Março Roxo se concretiza por meio de ações públicas que dão visibilidade à epilepsia e promovem inclusão social.
📌 Caminhada do Março Roxo 2026 — promovida pela Associação Brasileira de Epilepsia. O evento será realizado no dia 29 de março, com concentração a partir das 9h, na Avenida Paulista (em frente à FIESP), e início às 10h30. A participação é aberta ao público e convida todos a vestirem a cor roxa. Inscrições: eventingprodutora.com.br/abemarcorouxo2026.
O papel do canabidiol (CBD) como terapia complementar
No contexto da epilepsia refratária, cresce o interesse por abordagens terapêuticas complementares. Entre elas, destaca-se o canabidiol (CBD), um dos principais compostos da Cannabis sativa, que não possui efeito psicoativo.
O CBD atua no organismo por meio da modulação do sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores e neurotransmissores envolvidos na regulação de funções como excitabilidade neuronal, sono, humor e resposta inflamatória. Evidências indicam que o canabidiol pode contribuir para a redução da atividade elétrica anormal no cérebro, ajudando a diminuir a frequência e a intensidade das crises epilépticas.
Seu uso tem sido especialmente relevante em síndromes epilépticas graves e farmacorresistentes, como a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox-Gastaut. Ensaios clínicos controlados demonstram que o CBD pode promover redução significativa das crises em pacientes que não respondem aos tratamentos tradicionais.
O estudo de referência de Devinsky et al. (2017), publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou que o canabidiol reduziu a frequência de crises convulsivas em 43% dos pacientes com síndrome de Dravet, em comparação com 27% no grupo placebo. Para uma análise mais aprofundada, confira nosso artigo sobre CBD e epilepsia: uma nova esperança para o controle das crises.
No Brasil, o uso medicinal de produtos à base de cannabis é regulamentado pela Anvisa, sendo necessária prescrição médica e acompanhamento especializado. Saiba mais sobre como obter receita de CBD pela Anvisa. O tratamento deve ser individualizado, considerando fatores como idade, tipo de epilepsia, resposta terapêutica e possíveis interações medicamentosas.
É importante destacar que o canabidiol não substitui os tratamentos convencionais, mas pode atuar como terapia complementar, especialmente em casos de difícil controle. Conheça também os possíveis efeitos colaterais da cannabis medicinal.
Conclusão
O Março Roxo vai além de uma campanha de conscientização: trata-se de um movimento global que busca transformar informação em inclusão, combatendo o estigma ainda associado à epilepsia e promovendo uma compreensão mais ampla e baseada em evidências sobre a condição.
A epilepsia representa não apenas um desafio clínico, mas também social e estrutural. Os dados epidemiológicos reforçam sua relevância como questão de saúde pública no Brasil, enquanto a persistência de mitos e preconceitos evidencia a necessidade contínua de educação e sensibilização.
Para os pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais, o canabidiol (CBD) se insere como uma alternativa, especialmente em quadros de difícil controle, contribuindo para a redução das crises e para a melhora da qualidade de vida. Seu uso, quando realizado com acompanhamento médico e respaldo científico, representa um avanço relevante no campo terapêutico.
O Março Roxo cumpre um papel fundamental ao unir conscientização, ciência e mobilização social, reforçando que o acesso ao conhecimento, ao tratamento adequado e ao respeito são elementos essenciais para a construção de uma sociedade mais inclusiva.

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O que é epilepsia?
A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes causadas por alterações na atividade elétrica do cérebro. Essas crises podem variar em intensidade e forma de manifestação.
Epilepsia tem cura?
A epilepsia não tem cura, mas pode ser controlada na maioria dos casos com o uso adequado de medicamentos, permitindo que a pessoa tenha uma vida normal.
O que é o Março Roxo?
O Março Roxo é uma campanha de conscientização sobre a epilepsia, que busca combater o preconceito, divulgar informações corretas e promover inclusão social.
O que é o Purple Day (Dia Roxo)?
O Purple Day é celebrado em 26 de março e representa o principal momento do Março Roxo, quando pessoas em todo o mundo usam a cor roxa para apoiar a causa da epilepsia.
Epilepsia é contagiosa?
Não. A epilepsia não é uma doença transmissível. Trata-se de uma condição neurológica, sem risco de contágio.
O que fazer quando alguém tem uma crise epiléptica?
O correto é manter a calma, proteger a cabeça da pessoa, afastar objetos que possam machucá-la e, se possível, colocá-la de lado. Não se deve colocar nada na boca da pessoa.
O que é epilepsia refratária?
É quando as crises continuam ocorrendo mesmo após o uso adequado de medicamentos. Esses casos exigem tratamento mais complexo e individualizado.
O canabidiol (CBD) pode ajudar na epilepsia?
Sim, especialmente em casos de epilepsia refratária. O estudo de Devinsky et al. (2017) demonstrou redução de 43% nas crises convulsivas em pacientes com síndrome de Dravet. O uso deve ser feito com orientação médica.
O CBD causa efeitos psicoativos?
Não. O canabidiol não provoca os efeitos psicoativos associados ao THC, sendo utilizado com finalidade terapêutica.
Quem pode usar cannabis medicinal no Brasil?
O uso é permitido com prescrição médica e acompanhamento profissional, conforme regulamentação da Anvisa. Cada caso deve ser avaliado individualmente.




