Nos últimos anos, o uso da cannabis tem se expandido em diversos países, impulsionado por descobertas sobre seus potenciais benefícios terapêuticos. Entretanto, junto com esse avanço, surgiram novas condições clínicas relacionadas ao consumo prolongado da substância, entre elas a Síndrome de Hiperêmese Canabinoide (SHC).
Trata-se de uma condição gastrointestinal incomum, caracterizada por episódios cíclicos de náuseas, vômitos e dor abdominal, geralmente observados em usuários crônicos de cannabis.
Embora ainda pouco compreendida, a SHC vem despertando crescente atenção da comunidade médica, que busca esclarecer seus mecanismos e orientar o manejo adequado, tendo como principal medida terapêutica a suspensão total do uso da cannabis.

A síndrome de hiperêmese canabinoide (SHC) é uma condição gastrointestinal rara, relacionada ao uso frequente e prolongado de cannabis. Caracteriza-se por episódios recorrentes de náuseas intensas, vômitos e dor abdominal, que se alternam com períodos de alívio dos sintomas.
Geralmente, acomete usuários crônicos de cannabis e apresenta um comportamento peculiar: muitos pacientes relatam melhora temporária ao tomar banhos quentes ou longos, um sinal clínico considerado característico da síndrome.
A SHC costuma evoluir em três fases distintas:
Os medicamentos antieméticos convencionais, geralmente eficazes contra náuseas comuns, tendem a não surtir efeito na SHC. As evidências científicas indicam que a abstinência completa da cannabis é o tratamento mais efetivo e o único capaz de prevenir a recorrência dos episódios.
A causa exata da Síndrome de Hiperêmese Canabinoide (SHC) ainda não é completamente compreendida, mas a literatura médica sugere que o quadro está relacionado ao uso crônico e excessivo de canabinoides, principalmente o tetra-hidrocanabinol (THC) — o principal composto psicoativo da cannabis.
O THC é uma substância lipossolúvel, ou seja, acumula-se nas células de gordura do corpo. Com o tempo, esse acúmulo pode provocar um efeito paradoxal, no qual o mesmo composto que inicialmente reduz náuseas passa a provocá-las.
Em situações de estresse, jejum ou esforço físico intenso, o organismo ativa o processo de lipólise, liberando o THC armazenado de volta para a corrente sanguínea. Essa liberação pode gerar um quadro de “reintoxicação endógena”, resultando em náuseas intensas, vômitos e dor abdominal.
Além desse mecanismo fisiológico, estudos recentes indicam a participação de fatores genéticos e enzimáticos que afetam o metabolismo dos canabinoides e a função do Sistema Endocanabinoide (SEC). Pesquisas como a de Russo et al. (2022) identificaram mutações em genes que regulam enzimas e receptores envolvidos nesse processo, entre eles:
Essas alterações genéticas e enzimáticas podem desequilibrar o funcionamento do SEC, interferindo na regulação de funções como náusea, apetite e temperatura corporal, e contribuindo para o aparecimento dos sintomas da síndrome.
O diagnóstico da Síndrome de Hiperêmese Canabinoide (SHC) é essencialmente clínico, estabelecido a partir do histórico de uso prolongado e frequente de cannabis e da presença de sintomas típicos, como náuseas intensas, vômitos recorrentes e alívio temporário com banhos quentes — um sinal considerado distintivo da síndrome.
Exames laboratoriais e de imagem são geralmente utilizados apenas para excluir outras causas gastrointestinais que possam produzir sintomas semelhantes.
O tratamento mais eficaz consiste na abstinência completa da cannabis, medida que costuma levar à melhora significativa dos sintomas em poucos dias e à recuperação total em semanas. Durante os episódios agudos, podem ser empregados medicamentos como anti-histamínicos, benzodiazepínicos e antagonistas dopaminérgicos, embora sua eficácia seja limitada.
A hidratação adequada e o restabelecimento do equilíbrio eletrolítico são fundamentais durante as crises para prevenir complicações, como desidratação grave e alterações metabólicas.
A Síndrome de Hiperêmese Canabinoide (SHC) representa um fenômeno paradoxal e multifatorial, que desafia a compreensão tradicional dos efeitos benéficos e terapêuticos da cannabis.
Com o avanço das pesquisas sobre o Sistema Endocanabinoide e os fatores genéticos e bioquímicos que modulam a resposta individual aos canabinoides, espera-se compreender melhor por que, em certos indivíduos, a cannabis deixa de atuar como agente terapêutico e passa a desencadear efeitos adversos graves no trato gastrointestinal.

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