Os transtornos alimentares, como a anorexia nervosa, bulimia e transtorno da compulsão alimentar periódica, são distúrbios psiquiátricos graves e multifatoriais, que comprometem profundamente a saúde física e mental dos indivíduos.
Sua origem está na complexa interação entre fatores genéticos, psicológicos, neuroquímicos e ambientais. Nos últimos anos, um componente biológico específico vem ganhando destaque nesse cenário: o sistema endocanabinoide (SEC).
O sistema endocanabinoide (SEC) é uma rede complexa de sinalização composta por receptores canabinoides (CB1 e CB2), substâncias produzidas naturalmente pelo corpo chamadas endocanabinoides (como a anandamida e o 2-AG), além de enzimas responsáveis por sua síntese e degradação.
Ele atua como um importante regulador da homeostase — o equilíbrio interno do organismo — influenciando processos como o apetite, a ingestão alimentar, o humor e o sistema de recompensa.
Os receptores CB1, localizados principalmente no sistema nervoso central, têm um papel direto na regulação da saciedade e da motivação relacionada à comida. Quando há disfunções nesse sistema, como alterações na atividade dos receptores, o equilíbrio do comportamento alimentar pode ser comprometido.
Estudos indicam que essas disfunções estão associadas tanto à restrição alimentar, como na anorexia nervosa, quanto aos episódios de compulsão, comuns em outros transtornos alimentares.
Estudos apontam que indivíduos com anorexia nervosa frequentemente apresentam níveis reduzidos de anandamida, o que pode estar associado à redução do apetite e ao aumento da ansiedade em torno da alimentação.
Já em transtornos como a bulimia e a compulsão alimentar, observa-se uma hiperatividade do SEC, contribuindo para episódios de ingestão compulsiva, especialmente de alimentos ricos em gordura e açúcar.
Essas evidências indicam que o SEC não apenas participa da regulação do comportamento alimentar, mas também está implicado na forma como o cérebro percebe e responde a estímulos relacionados à comida.
O canabidiol (CBD), um dos principais fitocanabinoides da planta Cannabis sativa, tem se mostrado um composto promissor no contexto dos transtornos alimentares.
Diferente do tetrahidrocanabinol (THC), o CBD não possui efeitos psicoativos, e atua de forma mais indireta na modulação do SEC, podendo contribuir para a normalização de padrões alimentares.
Entre os potenciais benefícios do CBD, destacam-se:
Estudos pré-clínicos também sugerem que o CBD pode agir como um modulador alostérico negativo dos receptores CB1, atenuando sua atividade – o que pode ser útil para controlar a ingestão compulsiva.
Embora os estudos ainda sejam limitados, os dados iniciais sobre o uso do canabidiol (CBD) no tratamento de transtornos alimentares são promissores.
Um estudo piloto intitulado "The anxiolytic effect of cannabidiol in the treatment of anorexia nervosa: a pilot study", publicado na revista Psychopharmacology em 2017, observou que o CBD ajudou a reduzir a ansiedade antecipatória em pacientes com anorexia nervosa — um sintoma que frequentemente dificulta a alimentação nesses casos.
Além disso, outras pesquisas vêm investigando o potencial do CBD no controle da impulsividade e na redução de processos neuroinflamatórios, ambos fatores relevantes para o entendimento e o manejo da bulimia e da compulsão alimentar.
Apesar dos avanços, a maioria desses estudos ainda se encontra em fases preliminares, com amostras pequenas ou ausência de grupos controle. Faltam, portanto, ensaios clínicos robustos, randomizados e controlados que validem o uso do CBD como uma opção terapêutica consolidada para esses transtornos.
O avanço das pesquisas sobre o papel do sistema endocanabinoide na neurobiologia dos transtornos alimentares tem ampliado o horizonte terapêutico para essas condições tão desafiadoras.
O CBD surge como uma alternativa promissora, sobretudo por suas propriedades ansiolíticas, estabilizadoras do humor e reguladoras do comportamento alimentar.
Entretanto, seu uso clínico ainda deve ser considerado experimental e conduzido com cautela. A integração entre ciência, ética e regulação será essencial para que novas abordagens terapêuticas possam, de fato, beneficiar quem sofre com essas doenças complexas e muitas vezes debilitantes.

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