Sundowning: o que é a síndrome do pôr do sol na demência e como o CBD pode ajudar

- A síndrome do pôr do sol (sundowning) é frequente nas demências: provoca aumento da confusão, ansiedade e agitação no final da tarde e à noite.
- Está associada a alterações no cérebro e no ciclo do sono: a desregulação do "relógio biológico" e o cansaço ao longo do dia contribuem para o agravamento dos sintomas.
- O manejo pode ser desafiador: os medicamentos disponíveis apresentam eficácia limitada e possíveis efeitos adversos, especialmente em idosos.
- O CBD pode atuar como suporte complementar: pode auxiliar na ansiedade, no sono e na agitação em situações específicas, sempre com acompanhamento médico.
Introdução
No fim da tarde, quando o dia começa a escurecer, muitos pacientes com demência passam a apresentar agitação, confusão e ansiedade — um quadro que pode ser angustiante tanto para o idoso quanto para quem cuida dele.
Esse fenômeno é conhecido como síndrome do pôr do sol, ou sundowning, um fenômeno comportamental comum em pessoas com demência, especialmente na Doença de Alzheimer. Caracteriza-se pelo aumento da confusão mental, da agitação e da ansiedade no final da tarde e início da noite.
Estudos sugerem que cerca de 20% dos pacientes com Alzheimer apresentem esse quadro em algum momento da evolução da doença, o que pode impactar significativamente a rotina, o sono e a qualidade de vida — tanto do paciente quanto de seus cuidadores.
Diante da complexidade desses sintomas e das limitações das abordagens convencionais, novas estratégias vêm sendo investigadas para auxiliar no manejo do sundowning. Nesse contexto, o canabidiol (CBD) tem despertado interesse científico por sua atuação em sistemas envolvidos na regulação do humor, do sono e da resposta ao estresse.
O que é a síndrome do pôr do sol?
A Síndrome do Pôr do Sol (sundowning) é um conjunto de sintomas caracterizado por episódios de confusão mental e alterações de comportamento que surgem ou se intensificam no final da tarde e à noite, podendo se estender até a madrugada.
Não se trata de uma doença específica, mas de uma manifestação comportamental frequentemente associada à Doença de Alzheimer e a outras formas de demência. Os sintomas tendem a piorar justamente no período em que a luminosidade diminui — o que explica a origem do termo "pôr do sol".
Embora a ciência ainda não tenha uma explicação definitiva, já se sabe que o fenômeno está relacionado a alterações no funcionamento cerebral. Com a progressão da demência, o cérebro passa a ter maior dificuldade para regular a memória, o comportamento e o chamado "relógio biológico", responsável pelo ciclo sono-vigília e pelo nível de alerta ao longo do dia.
Além disso, é comum que pessoas com demência apresentem desorganização desse ritmo interno. No final do dia, quando o organismo já está mais fatigado e o ambiente sofre mudanças — como redução da luminosidade, aumento de sombras e alterações na rotina —, o cérebro encontra mais dificuldade para processar e interpretar os estímulos ao redor.
Como consequência, podem surgir ou se intensificar sintomas como confusão, agitação e sensação de insegurança nesse período.
Por que a confusão aumenta no fim do dia?
No final da tarde, o cérebro da pessoa com demência passa a ter mais dificuldade para funcionar de forma organizada. Isso acontece, principalmente, por dois motivos:
Cansaço acumulado: Ao longo do dia, o cérebro — já afetado pela doença — fica sobrecarregado. Com isso, torna-se mais difícil processar informações, o que pode gerar fadiga mental, confusão e mudanças no comportamento.
Desregulação do relógio biológico: O "relógio interno" do corpo, que regula o sono e o estado de alerta, deixa de funcionar corretamente. Com isso, o cérebro tem dificuldade para perceber a mudança da luz ao entardecer, o que pode causar desorientação — como não saber se ainda é dia ou já é noite.
Além desses fatores, alguns gatilhos podem intensificar a confusão e a agitação nesse período. Entre os principais, destacam-se:
- Iluminação inadequada: a redução da luz e o aumento de sombras podem confundir a percepção do ambiente e aumentar a insegurança.
- Excesso de estímulos: ambientes com muito barulho, muitas pessoas ou mudanças constantes podem sobrecarregar o cérebro.
- Fome ou sede: necessidades básicas não atendidas podem se manifestar como irritação ou agitação.
- Condições clínicas associadas: dor, infecções, desidratação ou efeitos colaterais de medicamentos podem agravar os sintomas.
Como resultado, é comum que, nesse período, surjam ou se intensifiquem:
- Confusão mental mais intensa
- Agitação e irritabilidade
- Dificuldade em reconhecer pessoas ou o ambiente
- Comportamentos de fuga, como o desejo de "ir embora"
- Deambulação (andar pela casa sem direção)
Síndrome do pôr do sol: como é feito o tratamento
O tratamento da síndrome do pôr do sol prioriza, inicialmente, intervenções no ambiente e na rotina. O uso de medicamentos é reservado para situações em que há risco à segurança ou sofrimento significativo. De forma geral, o foco clínico está no controle dos sintomas.
1. Intervenções não farmacológicas (primeira escolha)
Medidas relacionadas ao ambiente e à rotina são consideradas a base do manejo. Entre as principais estratégias, destacam-se:
- Manter uma rotina estruturada ao longo do dia
- Garantir boa iluminação no final da tarde e à noite
- Reduzir estímulos excessivos, como barulho e movimentação intensa
- Estimular a exposição à luz natural durante o dia
- Promover atividades leves e previsíveis
2. Tratamento farmacológico (segunda linha)
Quando as medidas não farmacológicas não são suficientes, o médico — geralmente geriatra ou neurologista — pode indicar medicamentos, de acordo com os sintomas apresentados.
| Tipo de abordagem | O que inclui | Quando usar | Pontos de atenção |
|---|---|---|---|
| Ajustes no ambiente e na rotina | Rotina organizada, iluminação adequada, redução de barulho, exposição à luz natural | Primeira escolha para todos os pacientes | Pode não ser suficiente em casos mais intensos |
| Medicamentos | Antipsicóticos (em casos selecionados), melatonina, outros conforme avaliação médica | Quando há risco, agitação intensa ou sofrimento importante | Podem causar sonolência, quedas e piora da confusão |
| CBD (como apoio) | Canabidiol em óleo, com prescrição médica | Quando outras estratégias não são suficientes ou causam efeitos colaterais | Evidências ainda em estudo; exige acompanhamento médico |
Ajustes no ambiente e na rotina
Medicamentos
CBD (como apoio)
Limitações do tratamento da síndrome do pôr do sol
O manejo da síndrome do pôr do sol é considerado um dos maiores desafios da geriatria. Isso ocorre porque não se trata de uma doença com cura definida, mas de uma desorganização complexa do funcionamento cerebral, envolvendo aspectos neurológicos, comportamentais e ambientais.
Entre os principais fatores que tornam o tratamento mais difícil, destacam-se:
1. Perda da capacidade de comunicação
Muitas pessoas com demência não conseguem expressar necessidades básicas, como dor, fome, desconforto ou medo. Nesses casos, a agitação pode ser uma forma indireta de comunicação.
2. Resposta variável aos medicamentos
O cérebro de pessoas com demência pode reagir de forma diferente aos medicamentos. Em alguns casos, o efeito pode ser o oposto do esperado:
- Aumento da agitação: o medicamento pode intensificar a desorientação
- Sedação excessiva: pode causar sonolência durante o dia e desorganizar ainda mais o ciclo do sono
- Risco de quedas: pode comprometer o equilíbrio, aumentando o risco de fraturas
3. Alterações no "relógio biológico"
A demência pode afetar áreas do cérebro responsáveis por regular o ritmo do sono e da vigília. Com isso, o organismo perde a capacidade de organizar adequadamente esses ciclos, o que dificulta o controle dos sintomas apenas com ajustes externos.
A síndrome do pôr do sol raramente tem uma única causa. Em geral, os sintomas resultam da combinação de diferentes fatores — como alterações neurológicas, mudanças no ambiente, cansaço ao longo do dia e condições clínicas associadas. Essa combinação torna o quadro mais complexo e dificulta a identificação de um único fator desencadeante.
Outro desafio importante é que cada pessoa reage de forma diferente às intervenções. Estratégias que funcionam bem para um paciente podem não apresentar o mesmo resultado em outro, o que exige acompanhamento contínuo e ajustes individualizados no plano de cuidado.
Como o CBD pode ajudar na síndrome do pôr do sol?
O uso do canabidiol (CBD) tem sido estudado como uma possível abordagem complementar no tratamento da síndrome do pôr do sol, especialmente em casos em que as estratégias convencionais não são suficientes.
O CBD é um composto derivado da planta Cannabis sativa que não possui efeito psicoativo. Ele atua no sistema endocanabinoide, que participa da regulação de funções como humor, sono e resposta ao estresse. Pesquisas sugerem que o CBD pode ter potencial neuroprotetor, embora esse efeito ainda esteja em estudo. Para entender melhor como esse mecanismo atua no cérebro, veja nosso conteúdo sobre como o CBD pode preservar neurônios e retardar o progresso de doenças neurológicas.
Embora as evidências ainda sejam limitadas, alguns estudos indicam que o CBD pode contribuir para o controle de sintomas comportamentais associados à demência, como:
- Redução da ansiedade, agitação e irritabilidade: ao modular respostas ao estresse, pode ajudar a diminuir a inquietação típica do entardecer. Esse efeito também tem sido observado em outros contextos — veja como o canabidiol pode ajudar no tratamento da ansiedade.
- Regulação do sono: pode auxiliar no equilíbrio do ciclo sono-vigília, favorecendo um sono mais estável. Para aprofundar esse ponto, veja: como o canabidiol pode contribuir para a qualidade do sono.
Na prática clínica, o canabidiol costuma ser considerado como uma terapia complementar — ou seja, não substitui os tratamentos convencionais, mas pode ser utilizado como apoio no controle dos sintomas, especialmente quando as abordagens de primeira linha não são suficientes.
Alguns estudos, incluindo pesquisas clínicas sobre o uso do CBD em pacientes com Alzheimer, têm apontado resultados promissores, mas ainda são necessários estudos maiores e mais conclusivos.
Efeitos da síndrome do pôr do sol na vida do idoso
A síndrome do pôr do sol pode afetar diferentes aspectos da vida do paciente e de seus cuidadores, especialmente no final do dia, impactando diretamente a qualidade de vida do idoso. Entre os principais impactos, destacam-se:
Sofrimento emocional: O paciente pode apresentar medo, ansiedade e sensação de ameaça, frequentemente associados à desorientação característica das demências.
Maior risco de acidentes: A agitação motora e a inquietação aumentam o risco de quedas e outros acidentes, sobretudo em idosos com mobilidade reduzida.
Redução da autonomia: A intensificação dos sintomas pode exigir maior supervisão, limitando a independência do paciente para garantir sua segurança.
Comprometimento do sono e fadiga: A dificuldade para dormir e o estado de alerta prolongado contribuem para o cansaço, podendo agravar sintomas cognitivos no dia seguinte.
Impacto nas relações sociais: Alterações comportamentais podem dificultar o convívio familiar e social, especialmente quando não há compreensão adequada da condição.
Diante desses desafios, abordagens complementares têm sido estudadas para melhorar a qualidade de vida de pacientes idosos. Saiba mais sobre como a cannabis medicinal pode contribuir para o bem-estar de idosos.
5 dicas para reduzir a agitação no fim da tarde
O cuidado com a síndrome do pôr do sol — comum em pessoas com Doença de Alzheimer — envolve ajustes simples no ambiente, na rotina e na forma de comunicação. Veja estratégias que podem ajudar no dia a dia:
1. Ajuste a iluminação e reduza estímulos Mantenha a casa bem iluminada antes do entardecer para evitar sombras que podem causar confusão. No fim do dia, diminua ruídos e estímulos excessivos, criando um ambiente mais tranquilo.
2. Mantenha uma rotina previsível Estabeleça horários regulares para refeições, banho e sono. Evite cafeína, álcool e cochilos longos durante o dia, pois podem prejudicar o descanso noturno.
3. Antecipe o entardecer Antes que os sintomas apareçam, organize o ambiente: acenda as luzes e proponha atividades leves, como ouvir música suave ou momentos de relaxamento.
4. Observe sinais físicos e emocionais A agitação pode estar relacionada a necessidades básicas, como fome, sede, dor ou desconforto. Identificar esses sinais precocemente ajuda a evitar piora do quadro.
5. Adote uma comunicação acolhedora Fale com calma, utilize frases simples e evite confrontos. Em momentos de agitação, acolher costuma ser mais eficaz do que corrigir. Se necessário, busque orientação profissional.
Segurança no uso do CBD em idosos
De acordo com relatórios da Organização Mundial da Saúde, o canabidiol (CBD) apresenta um bom perfil de segurança e baixo potencial de dependência. Diferentemente do THC, não possui efeitos psicoativos, ou seja, não altera a percepção da realidade.
Por essas características, quando utilizado com orientação médica, o CBD tem sido considerado uma alternativa terapêutica promissora, inclusive para populações mais sensíveis, como os idosos. Para entender melhor o contexto de polifarmácia em idosos e como a cannabis medicinal se insere, vale conferir nosso artigo dedicado ao tema.
Embora o canabidiol (CBD) seja considerado seguro, ele não é isento de efeitos colaterais. Como qualquer substância com ação no organismo, suas reações podem variar de acordo com a dose, o tempo de uso e as características individuais de cada paciente.
| Efeito colateral | Frequência | Intensidade |
|---|---|---|
| Sonolência ou sedação | Comum | Leve a moderada |
| Tontura | Ocasional | Leve |
| Alterações gastrointestinais (como náusea ou diarreia) | Ocasional | Leve |
| Alterações no apetite | Ocasional | Leve |
| Elevação de enzimas hepáticas | Rara (geralmente associada a doses mais altas) | Moderada — requer monitoramento |
Sonolência ou sedação
Tontura
Alterações gastrointestinais (como náusea ou diarreia)
Alterações no apetite
Elevação de enzimas hepáticas
Na maioria dos casos, esses efeitos são leves a moderados e tendem a ser transitórios.
Interações medicamentosas do CBD
O canabidiol (CBD) é metabolizado no fígado e pode interferir na ação de outros medicamentos, alterando sua eficácia ou potencializando efeitos adversos.
Entre as principais interações que exigem atenção, destacam-se:
- Calmantes e ansiolíticos: aumento da sonolência e do risco de quedas
- Anticoagulantes (como a varfarina): maior risco de sangramentos
- Antidepressivos e antipsicóticos: possibilidade de tontura, confusão e sedação acentuada
- Anticonvulsivantes: alteração da eficácia, podendo exigir ajuste de dose
Além dos medicamentos, fitoterápicos e suplementos também podem interferir no metabolismo do CBD, já que utilizam vias hepáticas semelhantes. Por isso, a ideia de que produtos de origem natural são sempre seguros não se aplica nesse contexto.
Em idosos, esses efeitos podem ser mais intensos devido à maior sensibilidade do organismo.
Orientação profissional é indispensável
O uso de CBD em idosos não deve ser iniciado sem acompanhamento médico. A avaliação individual é essencial para definir a dose adequada, monitorar possíveis interações medicamentosas e garantir maior segurança ao longo do tratamento.
A automedicação, assim como o uso de produtos sem procedência ou controle de qualidade, representa um risco relevante — especialmente nessa faixa etária, em que o organismo tende a ser mais sensível e frequentemente há uso concomitante de múltiplos medicamentos.
Conclusão
A Síndrome do Pôr do Sol é uma alteração comportamental que pode ocorrer em pessoas com demência e impacta diretamente o sono e a qualidade de vida, tanto do paciente quanto de seus cuidadores.
Embora não tenha cura, o manejo adequado — com estratégias ambientais, rotina estruturada e, quando necessário, suporte terapêutico — pode reduzir de forma relevante a intensidade dos sintomas.
Nesse contexto, o canabidiol (CBD) pode ser considerado como uma abordagem complementar em situações específicas, especialmente pelo seu potencial de atuação sobre o sono, a ansiedade e a resposta ao estresse, sempre com acompanhamento médico.
O cuidado, portanto, deve ser contínuo, individualizado e centrado na segurança e no bem-estar global do paciente.

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O que é a síndrome do pôr do sol?
A síndrome do pôr do sol é uma alteração comportamental comum em pessoas com demência, caracterizada por aumento da confusão, agitação e ansiedade no final da tarde e à noite.
Por que os sintomas pioram no fim do dia?
Os sintomas tendem a piorar por causa do cansaço acumulado ao longo do dia e de alterações no "relógio biológico", que ajudam a regular o sono e a percepção do ambiente. No entardecer, essa desorganização pode dificultar a interpretação do que está acontecendo ao redor, aumentando a confusão e a agitação.
Quais são os principais sintomas da síndrome do pôr do sol?
Entre os sintomas mais frequentes estão confusão mental, irritabilidade, ansiedade, dificuldade para reconhecer pessoas e ambientes, além de inquietação, comportamentos repetitivos e tentativa de sair do local.
A síndrome do pôr do sol tem cura?
Não existe cura específica, mas os sintomas podem ser controlados com ajustes na rotina, no ambiente e com acompanhamento médico adequado.
O CBD pode ajudar na síndrome do pôr do sol?
O CBD pode atuar como terapia complementar, auxiliando na redução da ansiedade, da agitação e na melhora do sono, fatores diretamente relacionados aos sintomas do entardecer.
O CBD causa efeitos psicoativos?
Não. Diferentemente do THC, o CBD não altera a percepção da realidade nem provoca efeitos psicoativos.
O uso de CBD em idosos é seguro?
De modo geral, o CBD apresenta bom perfil de segurança, mas seu uso em idosos exige acompanhamento médico devido ao risco de interações medicamentosas e maior sensibilidade do organismo.
Quais são os possíveis efeitos colaterais do CBD?
Os efeitos mais comuns incluem sonolência, tontura, alterações gastrointestinais, mudanças no apetite e, em alguns casos, elevação de enzimas hepáticas.
O CBD pode interagir com outros medicamentos?
Sim. O CBD é metabolizado no fígado e pode interferir na ação de medicamentos como anticoagulantes, antidepressivos, anticonvulsivantes e ansiolíticos.
Quando considerar o uso do CBD na síndrome do pôr do sol?
O uso pode ser avaliado quando estratégias não medicamentosas não são suficientes ou quando medicamentos convencionais causam efeitos adversos importantes, sempre com orientação médica.




