A Síndrome de Dravet é uma forma rara e severa de epilepsia infantil, geralmente identificada nos primeiros anos de vida. A condição se caracteriza por convulsões frequentes e difíceis de controlar, que não respondem bem aos tratamentos convencionais. Esse quadro afeta significativamente o desenvolvimento neurológico da criança, comprometendo habilidades essenciais como a fala, a coordenação motora e a capacidade de aprendizado.

Estima-se que a Síndrome de Dravet acometa cerca de 1 a cada 20 mil nascimentos, sendo mais prevalente em meninos. As crises tendem a ser intensas, prolongadas e imprevisíveis, gerando impactos profundos não apenas na saúde da criança, mas também na rotina e no bem-estar de toda a família.
Nos últimos anos, a cannabis medicinal, especialmente o canabidiol (CBD) — um composto não psicoativo da planta cannabis — tem ganhado destaque como uma alternativa terapêutica promissora para o tratamento de epilepsias raras, incluindo a Síndrome de Dravet e a Síndrome de Lennox-Gastaut.
Para entender por que o CBD tem se mostrado tão relevante nesse contexto, é fundamental compreender primeiro as origens da Síndrome de Dravet, suas causas genéticas e como ela afeta o cérebro das crianças.
Na maioria dos casos, a Síndrome de Dravet é causada por uma alteração (mutação) em um gene chamado SCN1A. Esse gene tem a função de produzir uma proteína que ajuda os neurônios (as células do cérebro) a se comunicarem corretamente, por meio de sinais elétricos.
Quando esse gene sofre uma mutação, a proteína não funciona como deveria — e isso afeta os “canais de sódio”, que são estruturas responsáveis por controlar a atividade elétrica do cérebro. Com esse mau funcionamento, o cérebro pode enviar sinais desorganizados, o que leva às crises epilépticas intensas e difíceis de controlar.
Em alguns casos mais raros, outras mutações genéticas também podem estar relacionadas à doença. Por isso, exames genéticos são importantes para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento.
Além das convulsões frequentes e intensas, a Síndrome de Dravet pode causar outras dificuldades no desenvolvimento da criança, tanto do ponto de vista neurológico quanto comportamental. Entre os sintomas e complicações mais comuns, estão:
Embora a Síndrome de Dravet tenha sido descrita pela primeira vez nos anos 1970, o diagnóstico ainda é difícil e muitas vezes atrasado. Isso acontece porque, nos estágios iniciais, os sintomas costumam parecer com os de outras formas mais comuns de epilepsia, como a epilepsia febril, que ocorre após episódios de febre em crianças pequenas.
Por causa dessa semelhança, a criança pode receber um diagnóstico errado e começar a usar medicamentos que não são indicados para quem tem Dravet. Pior ainda, alguns desses remédios podem agravar o quadro, aumentar a frequência das crises e até colocar a vida do paciente em risco.
É por isso que o reconhecimento precoce dos sinais e o encaminhamento para avaliação com um neurologista especializado são fundamentais. Com um diagnóstico correto, é possível iniciar um tratamento mais adequado e evitar complicações mais graves.
A SD pode ter um impacto significativo na vida escolar da criança, especialmente porque afeta tanto o desenvolvimento neurológico quanto o comportamento. Entre as principais dificuldades enfrentadas no ambiente escolar, estão:
É fundamental que a escola esteja preparada para acolher esse aluno com plano pedagógico adaptado e apoio constante da família e equipe escolar.
Infelizmente, ela não tem cura, pelo menos até o momento. Trata-se de uma condição genética crônica, o que significa que acompanha a pessoa por toda a vida. Por isso, o acompanhamento médico e terapêutico precisa ser contínuo e permanente.
Apesar disso, existe tratamento. O principal objetivo é controlar as crises epilépticas e oferecer suporte ao desenvolvimento da criança, com terapias que ajudem nas dificuldades motoras, cognitivas, de fala e comportamento.
Como se trata de uma condição complexa, o tratamento da Síndrome de Dravet costuma envolver várias estratégias combinadas, com dois principais objetivos: reduzir as crises epilépticas e estimular o desenvolvimento da criança.
As abordagens mais utilizadas incluem:
Essas terapias são essenciais para melhorar a qualidade de vida e oferecer mais autonomia à criança no dia a dia.
Nos últimos anos, o canabidiol (CBD) tem ganhado destaque como uma alternativa terapêutica relevante no manejo da Síndrome de Dravet, especialmente nos casos classificados como epilepsia refratária — aqueles em que os tratamentos convencionais não conseguem controlar adequadamente as crises.
O CBD, um dos compostos ativos da planta Cannabis sativa, tem se mostrado eficaz na redução da frequência e intensidade das convulsões, além de contribuir para melhorias no sono, no comportamento e na qualidade de vida de pacientes e familiares.
Ao contrário do tetrahidrocanabinol (THC), o CBD não possui efeitos psicoativos — ou seja, não altera a percepção nem causa euforia, sendo geralmente bem tolerado quando administrado com acompanhamento médico e dosagem adequada.
As propriedades terapêuticas do canabidiol vêm sendo amplamente estudadas em diversas áreas da medicina. As principais, reconhecidas tanto em pesquisas clínicas quanto em relatos observacionais, incluem:
Na prática clínica, os efeitos do CBD nessa síndrome têm ido além da redução das crises epilépticas, impactando também outras áreas do desenvolvimento da criança.
O canabidiol (CBD) atua por meio do sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores presentes em todo o corpo, especialmente no cérebro. Esse sistema tem papel fundamental na regulação de funções essenciais, como sono, apetite, dor, humor, inflamação e atividade elétrica cerebral.
Nas crianças com Síndrome de Dravet, que enfrentam crises epilépticas intensas e de difícil controle, o cérebro apresenta alterações na atividade elétrica neuronal, resultantes, em muitos casos, de mutações genéticas que afetam o funcionamento dos canais de sódio (como o gene SCN1A).
O CBD não age diretamente sobre os canais de sódio, mas exerce um efeito modulador sobre a excitabilidade neuronal, ajudando a:
Além dos efeitos anticonvulsivantes, o CBD também tem demonstrado impacto positivo sobre sono, irritabilidade, atenção e comportamento social, o que pode beneficiar aspectos mais amplos do desenvolvimento da criança.
A principal vantagem do canabidiol está em seu perfil de segurança e na eficácia em casos de difícil controle, especialmente quando os medicamentos tradicionais não conseguem oferecer os resultados esperados.
Diferente de muitos anticonvulsivantes, que podem provocar sedação intensa, alterações comportamentais ou prejuízos cognitivos, o CBD tem demonstrado a capacidade de reduzir as crises epilépticas sem comprometer o estado de alerta ou o desenvolvimento neurológico da criança.
Sim. Embora o canabidiol (CBD) seja geralmente bem tolerado por crianças, especialmente quando usado com prescrição médica e acompanhamento profissional, ele pode causar efeitos colaterais leves, principalmente no início do tratamento ou durante o ajuste de dose.
Os efeitos adversos mais frequentemente relatados incluem:
Além desses efeitos, é fundamental destacar que a qualidade do produto é determinante para a segurança do tratamento.
Produtos não regulamentados ou de procedência duvidosa podem conter contaminantes, como THC (composto psicoativo da cannabis), solventes ou metais pesados — o que aumenta os riscos, especialmente em crianças.
Por isso, o uso de CBD deve ocorrer exclusivamente com prescrição médica, utilizando produtos autorizados por órgãos de vigilância sanitária, como a Anvisa no Brasil, e dentro de um plano terapêutico supervisionado.
Com esse cuidado, o tratamento tende a ser seguro e bem tolerado, com efeitos colaterais leves e manejáveis.
Sim. Diversos estudos clínicos demonstram que o canabidiol (CBD) pode ser altamente eficaz na redução das crises epilépticas em crianças com epilepsias de difícil controle, como a Síndrome de Dravet.
Além de diminuir a frequência das convulsões, o CBD também tem mostrado benefícios adicionais, como melhora no sono, na atenção, na interação social e no bem-estar geral da criança, o que contribui positivamente para seu desenvolvimento.
Um dos marcos mais importantes nesse campo foi um estudo publicado em 2017 no periódico científico New England Journal of Medicine. A pesquisa envolveu 120 crianças e adolescentes com Síndrome de Dravet, acompanhados ao longo de 14 semanas. Os resultados foram expressivos:
Esse foi o primeiro estudo clínico randomizado e controlado a comprovar cientificamente a eficácia do CBD no tratamento da Síndrome de Dravet, abrindo caminho para sua aprovação por agências reguladoras e adoção na prática médica.
Sim. Estudos mostram que o canabidiol (CBD) mantém sua eficácia mesmo após meses ou anos de uso contínuo, especialmente em crianças com epilepsias raras, como a Síndrome de Dravet.
Um exemplo disso é o estudo de extensão aberto GWPCARE5, que acompanhou pacientes com Síndrome de Dravet por até 96 semanas. Os resultados indicaram que a redução nas crises epilépticas observada nas fases iniciais do tratamento foi sustentada ao longo do tempo, sem perda significativa da eficácia.
Além disso:
Esses dados sugerem que, ao contrário de alguns medicamentos que perdem o efeito com o tempo, o CBD pode continuar oferecendo benefícios duradouros .
Sim. Entre os anos de 2020 e 2023, diversas revisões sistemáticas e metanálises — publicadas em periódicos de alta credibilidade científica como The Lancet Neurology, Frontiers in Neurology e Cochrane Reviews — reuniram e analisaram os resultados de estudos clínicos com crianças diagnosticadas com epilepsias raras, principalmente a Síndrome de Dravet.
Essas revisões representam o mais alto nível de evidência científica, pois compilam dados de múltiplos ensaios clínicos, avaliando a eficácia, segurança e impacto do tratamento com canabidiol (CBD). Os principais achados foram:
O canabidiol (CBD) representa uma revolução no cuidado de crianças com epilepsias refratárias, especialmente na Síndrome de Dravet — uma das formas mais graves e desafiadoras da doença. Ao lado de tratamentos tradicionais e intervenções multidisciplinares, o CBD surge como uma alternativa terapêutica eficaz, segura e respaldada por evidências científicas consistentes.
Mais do que um composto natural, o CBD tornou-se um recurso terapêutico relevante para famílias que, por muito tempo, enfrentaram a angústia de tratamentos sem resposta.
Com o avanço da ciência, o apoio das autoridades de saúde como a Anvisa, a OMS e a FDA, e o acompanhamento médico adequado, essa esperança se transforma em resultados concretos.
Em um cenário onde cada avanço representa uma conquista para o desenvolvimento e bem-estar da criança, o CBD mostra que é possível trilhar um caminho mais leve, seguro e promissor no tratamento das epilepsias raras na infância.

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