A crescente utilização medicinal e recreativa da cannabis tem impulsionado o interesse científico em compreender os mecanismos que regem a absorção e a eficácia dos seus componentes ativos.
Um dos aspectos centrais nessa discussão é a biodisponibilidade, termo que descreve a fração e a velocidade com que um fármaco atinge a circulação sistêmica e, consequentemente, o local de ação.
Este artigo explora os conceitos de biodisponibilidade aplicados aos compostos da cannabis, discute sobre seu uso terapêutico, os principais desafios e apresenta perspectivas futuras.

Biodisponibilidade é um conceito essencial em nutrição e farmacologia, referindo-se à quantidade e velocidade com que uma substância é absorvida e utilizada pelo corpo. Esse fator determina a eficácia dos nutrientes e medicamentos, influenciando diretamente seus benefícios.
Quando consumimos alimentos ou medicamentos, nem toda a substância ingerida é absorvida pelo corpo de forma eficiente. A biodisponibilidade é afetada por vários fatores, tais como:
A planta de cannabis contém uma ampla variedade de compostos, entre eles os canabinoides, como o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). Além desses, há também terpenos, flavonoides e outros fitoquímicos que interagem entre si, influenciando tanto os efeitos terapêuticos quanto os possíveis efeitos adversos.
Essa complexidade torna a análise da biodisponibilidade um desafio multifatorial, pois cada componente pode apresentar diferentes perfis farmacocinéticos.
A biodisponibilidade dos canabinoides presentes na cannabis é influenciada por uma série de fatores que podem ser agrupados em diferentes categorias:
1. Via de administração
A ingestão de produtos com cannabis, como comestíveis, apresenta desafios relacionados à degradação e metabolismo hepático.
2. Propriedades físico-químicas dos canabinoides
Os canabinoides possuem características lipofílicas, o que dificulta sua dissolução em meios aquosos e, consequentemente, sua absorção. Estratégias de formulação, como a utilização de nanoemulsões e sistemas de liberação controlada, têm sido estudadas para melhorar a solubilidade e a biodisponibilidade.
3. Interação com outros compostos
A presença de terpenos e flavonoides pode influenciar a absorção dos canabinoides. Essa interação, conhecida como "efeito entourage", pode potencializar ou modificar os efeitos terapêuticos, além de impactar o perfil de biodisponibilidade dos compostos isolados.
4.Metabolismo e variabilidade individual:
Fatores individuais, como variações na atividade enzimática (por exemplo, enzimas hepáticas) e diferenças na fisiologia do sistema gastrointestinal, podem afetar a forma e a quantidade de canabinoides que atingem a circulação sistêmica.
Esses fatores, combinados, determinam o perfil farmacocinético dos canabinoides, impactando diretamente a eficácia terapêutica dos produtos à base de cannabis.
Sim, quanto maior a biodisponibilidade de um medicamento, menor será a quantidade necessária para atingir o efeito desejado. Isso ocorre porque a biodisponibilidade representa a fração da substância ativa que realmente entra na circulação sistêmica e pode exercer seus efeitos no organismo.
Por exemplo, se uma substância tem baixa biodisponibilidade, uma grande parte da dose administrada é perdida devido ao metabolismo hepático (efeito de primeira passagem), degradação no trato gastrointestinal ou dificuldade de absorção. Nesse caso, doses mais altas são necessárias para alcançar concentrações terapêuticas eficazes no sangue.
Por outro lado, se um medicamento tem alta biodisponibilidade, significa que uma maior proporção da dose administrada chega à circulação sem ser metabolizada ou degradada, permitindo que doses menores sejam eficazes.
Variação da Biodisponibilidade da Cannabis por Via de Administração
Oral (Óleos, Cápsulas, Comestíveis) – 4% a 20%
Sublingual (Óleos, Sprays) – 15% a 35%
Tópica e Transdérmica (Cremes, Adesivos) – Variável
Portanto, a cannabis não tem uma biodisponibilidade naturalmente alta, pois grande parte dos canabinoides pode ser degradada antes de atingir a circulação sistêmica. No entanto, a escolha da via de administração pode melhorar sua absorção e eficácia. A inalação e o uso sublingual apresentam biodisponibilidade relativamente maior em comparação à administração oral.
O desenvolvimento de formulações otimizadas para maximizar a biodisponibilidade dos canabinoides enfrenta diversos desafios, como a variabilidade interindividual e as limitações impostas pelas vias de administração convencionais. Pesquisas atuais têm explorado novas tecnologias, como sistemas nanoparticulados e lipossomas, que podem oferecer uma absorção mais eficiente e um perfil farmacocinético mais previsível.
Além disso, estudos clínicos rigorosos são necessários para determinar as doses ideais e a eficácia dos diferentes métodos de administração, considerando os diversos perfis de pacientes e condições clínicas. A padronização dos produtos à base de cannabis também é um ponto crucial para garantir a segurança e a eficácia terapêutica.
Contudo, a biodisponibilidade é um fator determinante na eficácia dos tratamentos com cannabis. Compreender os mecanismos de absorção e os desafios associados a diferentes vias de administração é fundamental para o avanço dos estudos e para a otimização das terapias. Inovações em formulações e tecnologias de liberação podem oferecer soluções promissoras para aumentar a biodisponibilidade dos canabinoides, proporcionando tratamentos mais eficazes e seguros para diversas condições clínicas.

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