Cannabis medicinal para hiperêmese gravídica tem sido investigada devido ao potencial antiemético dos canabinoides. Neste artigo, você entenderá o que as pesquisas mostram sobre sua eficácia, segurança e o posicionamento atual das diretrizes clínicas.

- Os canabinoides apresentam potencial antiemético, o que tem motivado pesquisas sobre seu uso na hiperêmese gravídica.
- Estudos observacionais relataram melhora das náuseas e dos vômitos em algumas gestantes com hiperêmese gravídica refratária.
- As evidências disponíveis ainda são limitadas e se baseiam principalmente em relatos, levantamentos observacionais e estudos pequenos.
- As diretrizes clínicas atuais não incluem a cannabis medicinal como tratamento para a hiperêmese gravídica.
A hiperêmese gravídica é uma complicação da gravidez caracterizada por náuseas e vômitos intensos e persistentes. Pode causar desidratação, alterações dos eletrólitos, perda de peso e comprometimento do estado nutricional da gestante. Diferentemente do enjoo matinal, essa condição pode exigir acompanhamento médico e, em casos mais graves, internação para hidratação e suporte nutricional.
A causa exata ainda não é totalmente compreendida. A condição parece resultar da interação de fatores hormonais, genéticos e biológicos individuais. A ocorrência também pode variar entre as gestações, embora quem já apresentou hiperêmese gravídica tenha maior risco de recorrência.
Por que algumas gestantes recorrem à cannabis?
Algumas gestantes com hiperêmese gravídica relatam recorrer à cannabis na tentativa de aliviar náuseas e vômitos intensos, especialmente quando os tratamentos convencionais não proporcionam melhora suficiente. Esse interesse também é influenciado pelo potencial antiemético de alguns canabinoides em outros contextos clínicos.
Os principais fatores associados a essa escolha incluem:
- Persistência dos sintomas: busca por alternativas quando náuseas e vômitos permanecem intensos apesar do tratamento convencional.
- Potencial antiemético dos canabinoides: interesse baseado em evidências indiretas e em outros contextos, embora o benefício não esteja estabelecido para a hiperêmese gravídica.
- Dificuldade para manter alimentação e hidratação: expectativa de que a redução das náuseas permita reter alimentos e líquidos.
O que as pesquisas mostram sobre cannabis e hiperêmese gravídica?
Os estudos disponíveis são principalmente observacionais e avaliam experiências autorrelatadas. Em um levantamento internacional, parte das participantes que usou cannabis relatou redução dos sintomas, maior capacidade de manter alimentos e líquidos e recuperação de peso. Como não houve distribuição aleatória nem comparação clínica controlada, esses resultados não demonstram que a cannabis tenha causado a melhora.
Uma série de casos pequena também descreveu melhora entre gestantes com hiperêmese gravídica refratária. Entretanto, o número reduzido de participantes e a ausência de grupo de controle impedem generalizar os resultados.
Também não é possível definir quais formulações, concentrações ou proporções entre CBD e THC teriam melhor resposta. Nenhuma formulação ou via de administração demonstrou segurança suficiente para ser recomendada durante a gravidez.
Quais são os riscos e as limitações?
A segurança da exposição aos canabinoides durante a gestação não está estabelecida. Revisões sistemáticas encontraram associação entre exposição pré-natal à cannabis e alguns desfechos desfavoráveis, como menor peso ao nascer, mas os resultados variam e podem ser influenciados por diferenças entre populações, frequência de uso e outras exposições.
O uso frequente ou prolongado também pode provocar síndrome de hiperêmese canabinoide em algumas pessoas. Essa condição causa episódios recorrentes de náuseas e vômitos e precisa ser considerada quando uma gestante apresenta sintomas persistentes ou atípicos e utiliza cannabis.
A American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) informa que não há indicação médica reconhecida para cannabis durante a gravidez e orienta a interrupção do uso nesse período. Portanto, sinais preliminares de possível alívio não equivalem a comprovação de eficácia ou segurança.
A cannabis medicinal é recomendada para hiperêmese gravídica?
Não. A cannabis medicinal não faz parte do tratamento recomendado para hiperêmese gravídica. As evidências disponíveis são insuficientes para estabelecer eficácia, segurança, formulação ou via de administração durante a gestação.
Quando os antieméticos convencionais não controlam adequadamente os sintomas, a gestante deve ser reavaliada pelo obstetra. O plano pode exigir ajuste do tratamento, hidratação, correção de eletrólitos, suporte nutricional ou manejo hospitalar, conforme a gravidade.
Conclusão
A hiperêmese gravídica pode comprometer significativamente a saúde materna e fetal e exige diagnóstico precoce e tratamento adequado. Embora relatos observacionais indiquem possível alívio com cannabis em alguns casos refratários, as limitações metodológicas e as incertezas de segurança impedem recomendar seu uso na prática clínica.
O manejo deve seguir as terapias recomendadas pelas diretrizes, com acompanhamento médico individualizado para controlar os sintomas, prevenir complicações e proteger a gestante e o feto.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico, prescrição ou acompanhamento por profissional de saúde.

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A cannabis medicinal pode aliviar os sintomas da hiperêmese gravídica?
Alguns estudos observacionais relataram redução das náuseas e dos vômitos, principalmente em casos refratários. Entretanto, essas evidências não estabelecem eficácia e ainda são insuficientes para recomendar o uso.
Por que algumas gestantes relatam melhora dos sintomas com cannabis?
Os canabinoides podem influenciar mecanismos relacionados às náuseas, ao reflexo do vômito e ao apetite. Essa hipótese pode ajudar a explicar relatos de melhora, mas ainda não foi confirmada por ensaios clínicos robustos em gestantes.
A alimentação pode ajudar no controle da hiperêmese gravídica?
Medidas alimentares e hidratação podem integrar o cuidado, mas a hiperêmese gravídica frequentemente exige tratamento médico. A orientação deve ser individualizada, principalmente quando há perda de peso, desidratação ou incapacidade de manter líquidos.
Existe alguma formulação de cannabis considerada segura durante a gravidez?
Não. Até o momento, nenhuma formulação, concentração ou via de administração de cannabis demonstrou segurança suficiente para ser recomendada durante a gestação.
Cannabis pode ser utilizada quando os antieméticos convencionais não funcionam?
Ela não faz parte do tratamento recomendado. Quando os medicamentos convencionais não controlam os sintomas, a gestante deve ser reavaliada pelo obstetra para ajuste do cuidado e, quando necessário, tratamento hospitalar.
O que as principais sociedades médicas recomendam?
A ACOG orienta que profissionais informem os riscos perinatais e recomenda a interrupção do uso de cannabis durante a gestação. A cannabis não é reconhecida como tratamento para náuseas, vômitos ou hiperêmese gravídica nesse período.
O que fazer ao descobrir a gravidez durante um tratamento com cannabis medicinal?
A gestante deve informar o obstetra e o profissional responsável pelo tratamento. A conduta precisa ser reavaliada individualmente, sem manter, ajustar ou interromper a terapia por conta própria.
Referências
- AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS. Cannabis Use During Pregnancy and Lactation. Clinical Consensus, 2025. ACOG.
- BECERRA, L. S. et al. Hyperemesis gravidarum and cannabis use in an international sample. Reproduction Abstracts, v. 4, 009, 2025. DOI.
- MACGIBBON, K. W. et al. Patterns of Use and Self-reported Effectiveness of Cannabis for Hyperemesis Gravidarum. Geburtshilfe und Frauenheilkunde, 2022. PubMed.
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- LOGANATHAN, P.; GAJENDRAN, M.; GOYAL, H. A Comprehensive Review and Update on Cannabis Hyperemesis Syndrome. Pharmaceuticals, v. 17, n. 11, 1549, 2024. PubMed.
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