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Cannabis medicinal para hiperêmese gravídica

4 min de leitura

Cannabis medicinal para hiperêmese gravídica tem sido investigada devido ao potencial antiemético dos canabinoides. Neste artigo, você entenderá o que as pesquisas mostram sobre sua eficácia, segurança e o posicionamento atual das diretrizes clínicas.

Cannabis medicinal para hiperêmese gravídica: evidências em investigação e necessidade de cautela durante a gestação.
  • Os canabinoides apresentam potencial antiemético, o que tem motivado pesquisas sobre seu uso na hiperêmese gravídica.
  • Estudos observacionais relataram melhora das náuseas e dos vômitos em algumas gestantes com hiperêmese gravídica refratária.
  • As evidências disponíveis ainda são limitadas e se baseiam principalmente em relatos, levantamentos observacionais e estudos pequenos.
  • As diretrizes clínicas atuais não incluem a cannabis medicinal como tratamento para a hiperêmese gravídica.

A hiperêmese gravídica é uma complicação da gravidez caracterizada por náuseas e vômitos intensos e persistentes. Pode causar desidratação, alterações dos eletrólitos, perda de peso e comprometimento do estado nutricional da gestante. Diferentemente do enjoo matinal, essa condição pode exigir acompanhamento médico e, em casos mais graves, internação para hidratação e suporte nutricional.

A causa exata ainda não é totalmente compreendida. A condição parece resultar da interação de fatores hormonais, genéticos e biológicos individuais. A ocorrência também pode variar entre as gestações, embora quem já apresentou hiperêmese gravídica tenha maior risco de recorrência.

Por que algumas gestantes recorrem à cannabis?

Algumas gestantes com hiperêmese gravídica relatam recorrer à cannabis na tentativa de aliviar náuseas e vômitos intensos, especialmente quando os tratamentos convencionais não proporcionam melhora suficiente. Esse interesse também é influenciado pelo potencial antiemético de alguns canabinoides em outros contextos clínicos.

Os principais fatores associados a essa escolha incluem:

  • Persistência dos sintomas: busca por alternativas quando náuseas e vômitos permanecem intensos apesar do tratamento convencional.
  • Potencial antiemético dos canabinoides: interesse baseado em evidências indiretas e em outros contextos, embora o benefício não esteja estabelecido para a hiperêmese gravídica.
  • Dificuldade para manter alimentação e hidratação: expectativa de que a redução das náuseas permita reter alimentos e líquidos.

O que as pesquisas mostram sobre cannabis e hiperêmese gravídica?

Os estudos disponíveis são principalmente observacionais e avaliam experiências autorrelatadas. Em um levantamento internacional, parte das participantes que usou cannabis relatou redução dos sintomas, maior capacidade de manter alimentos e líquidos e recuperação de peso. Como não houve distribuição aleatória nem comparação clínica controlada, esses resultados não demonstram que a cannabis tenha causado a melhora.

Uma série de casos pequena também descreveu melhora entre gestantes com hiperêmese gravídica refratária. Entretanto, o número reduzido de participantes e a ausência de grupo de controle impedem generalizar os resultados.

Também não é possível definir quais formulações, concentrações ou proporções entre CBD e THC teriam melhor resposta. Nenhuma formulação ou via de administração demonstrou segurança suficiente para ser recomendada durante a gravidez.

Quais são os riscos e as limitações?

A segurança da exposição aos canabinoides durante a gestação não está estabelecida. Revisões sistemáticas encontraram associação entre exposição pré-natal à cannabis e alguns desfechos desfavoráveis, como menor peso ao nascer, mas os resultados variam e podem ser influenciados por diferenças entre populações, frequência de uso e outras exposições.

O uso frequente ou prolongado também pode provocar síndrome de hiperêmese canabinoide em algumas pessoas. Essa condição causa episódios recorrentes de náuseas e vômitos e precisa ser considerada quando uma gestante apresenta sintomas persistentes ou atípicos e utiliza cannabis.

A American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) informa que não há indicação médica reconhecida para cannabis durante a gravidez e orienta a interrupção do uso nesse período. Portanto, sinais preliminares de possível alívio não equivalem a comprovação de eficácia ou segurança.

A cannabis medicinal é recomendada para hiperêmese gravídica?

Não. A cannabis medicinal não faz parte do tratamento recomendado para hiperêmese gravídica. As evidências disponíveis são insuficientes para estabelecer eficácia, segurança, formulação ou via de administração durante a gestação.

Quando os antieméticos convencionais não controlam adequadamente os sintomas, a gestante deve ser reavaliada pelo obstetra. O plano pode exigir ajuste do tratamento, hidratação, correção de eletrólitos, suporte nutricional ou manejo hospitalar, conforme a gravidade.

Conclusão

A hiperêmese gravídica pode comprometer significativamente a saúde materna e fetal e exige diagnóstico precoce e tratamento adequado. Embora relatos observacionais indiquem possível alívio com cannabis em alguns casos refratários, as limitações metodológicas e as incertezas de segurança impedem recomendar seu uso na prática clínica.

O manejo deve seguir as terapias recomendadas pelas diretrizes, com acompanhamento médico individualizado para controlar os sintomas, prevenir complicações e proteger a gestante e o feto.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico, prescrição ou acompanhamento por profissional de saúde.

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Dúvidas frequentes

A cannabis medicinal pode aliviar os sintomas da hiperêmese gravídica?

Alguns estudos observacionais relataram redução das náuseas e dos vômitos, principalmente em casos refratários. Entretanto, essas evidências não estabelecem eficácia e ainda são insuficientes para recomendar o uso.

Por que algumas gestantes relatam melhora dos sintomas com cannabis?

Os canabinoides podem influenciar mecanismos relacionados às náuseas, ao reflexo do vômito e ao apetite. Essa hipótese pode ajudar a explicar relatos de melhora, mas ainda não foi confirmada por ensaios clínicos robustos em gestantes.

A alimentação pode ajudar no controle da hiperêmese gravídica?

Medidas alimentares e hidratação podem integrar o cuidado, mas a hiperêmese gravídica frequentemente exige tratamento médico. A orientação deve ser individualizada, principalmente quando há perda de peso, desidratação ou incapacidade de manter líquidos.

Existe alguma formulação de cannabis considerada segura durante a gravidez?

Não. Até o momento, nenhuma formulação, concentração ou via de administração de cannabis demonstrou segurança suficiente para ser recomendada durante a gestação.

Cannabis pode ser utilizada quando os antieméticos convencionais não funcionam?

Ela não faz parte do tratamento recomendado. Quando os medicamentos convencionais não controlam os sintomas, a gestante deve ser reavaliada pelo obstetra para ajuste do cuidado e, quando necessário, tratamento hospitalar.

O que as principais sociedades médicas recomendam?

A ACOG orienta que profissionais informem os riscos perinatais e recomenda a interrupção do uso de cannabis durante a gestação. A cannabis não é reconhecida como tratamento para náuseas, vômitos ou hiperêmese gravídica nesse período.

O que fazer ao descobrir a gravidez durante um tratamento com cannabis medicinal?

A gestante deve informar o obstetra e o profissional responsável pelo tratamento. A conduta precisa ser reavaliada individualmente, sem manter, ajustar ou interromper a terapia por conta própria.

Referências

  1. AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS. Cannabis Use During Pregnancy and Lactation. Clinical Consensus, 2025. ACOG.
  2. BECERRA, L. S. et al. Hyperemesis gravidarum and cannabis use in an international sample. Reproduction Abstracts, v. 4, 009, 2025. DOI.
  3. MACGIBBON, K. W. et al. Patterns of Use and Self-reported Effectiveness of Cannabis for Hyperemesis Gravidarum. Geburtshilfe und Frauenheilkunde, 2022. PubMed.
  4. KOREN, G.; COHEN, R. The use of cannabis for Hyperemesis Gravidarum (HG). Journal of Cannabis Research, 2021. PubMed.
  5. LOGANATHAN, P.; GAJENDRAN, M.; GOYAL, H. A Comprehensive Review and Update on Cannabis Hyperemesis Syndrome. Pharmaceuticals, v. 17, n. 11, 1549, 2024. PubMed.
  6. RECK, A. M. et al. Risks of Cannabinoid Exposure on Birth Outcomes: A Systematic Review. Cannabis and Cannabinoid Research, v. 10, n. 5, p. 575–592, 2025. PubMed.

Contribuidores:

Andrea Vieira

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