Sim. A cannabis medicinal pode aumentar o apetite, especialmente quando o produto contém THC (tetraidrocanabinol). Esse efeito está diretamente relacionado à forma como o THC atua no cérebro, interferindo nos mecanismos responsáveis pela fome, pela saciedade e pela percepção de prazer associada à alimentação.
Ao ativar receptores específicos do sistema endocanabinoide, o THC intensifica os sinais de fome e amplia a resposta aos estímulos alimentares. Por essa razão, o aumento do apetite pode ser percebido tanto como um efeito colateral quanto como um benefício terapêutico, a depender do contexto clínico e da necessidade do paciente.
Para compreender melhor esse fenômeno, é importante diferenciar a ação dos principais compostos da cannabis.

Quando se afirma que a cannabis pode aumentar o apetite, é fundamental esclarecer que nem todos os seus componentes produzem esse efeito da mesma forma.

O THC é o principal responsável pelo estímulo direto da fome. Ele atua no sistema nervoso central, ativando áreas relacionadas ao apetite e ao prazer alimentar. Por esse motivo, produtos que contêm THC podem provocar a chamada “fome intensa”, caracterizada por um aumento repentino da vontade de comer, que pode ocorrer mesmo na ausência de necessidade fisiológica imediata.
Já o CBD (canabidiol) apresenta um perfil diferente. Ele não induz fome intensa nem está associado à compulsão alimentar. Sua ação é predominantemente moduladora, auxiliando o organismo a restabelecer o equilíbrio fisiológico.
Embora o CBD possa influenciar a melhoria de fatores que levam a redução de apetite como ansiedade, estresse, dores e depressão, estudos apontam que o mesmo pode estar relacionado a uma ação anorexígena. Um estudo publicado na NEJM que avaliou a atuação do CBD em pacientes com Lennox Gastaut apresentou um desfecho de redução de apetite nos pacientes que utilizaram o composto.
De acordo com algumas práticas clínicas divulgadas, o efeito do canabidiol (CBD) sobre o apetite, quando ocorre, costuma ser indireto e depende do alívio de fatores que previamente comprometiam a alimentação, como ansiedade, dor, náuseas ou distúrbios do sono. Por essa razão, a possibilidade de aumento e do tempo de resposta pode variar de forma significativa entre os indivíduos. De modo geral, observa-se o seguinte padrão:
O tempo necessário para que o CBD influencie o apetite pode variar conforme:
Em síntese, o CBD não atua como estimulante direto do apetite, mas pode favorecer a retomada da alimentação ao modular condições que interferem negativamente no comportamento alimentar, o que explica a variabilidade do tempo de resposta observado na prática clínica.
O tempo necessário para que o THC estimule o apetite varia principalmente de acordo com a via de administração, uma vez que cada forma de uso influencia a velocidade de absorção, a biodisponibilidade e o início de seus efeitos centrais.
O THC exerce seu efeito orexígeno por meio de múltiplos mecanismos neurobiológicos que atuam de forma integrada na regulação do comportamento alimentar. De maneira geral, a substância:
estimula centros hipotalâmicos diretamente envolvidos no controle da fome, aumentando o impulso alimentar;
eleva a liberação de dopamina em circuitos cerebrais relacionados ao prazer e à recompensa, o que intensifica o interesse pelo alimento;
potencializa a percepção sensorial de cheiro e sabor, tornando a experiência alimentar mais intensa e atrativa.
Em razão dessa combinação de efeitos, o apetite induzido pelo THC tende a se manifestar de forma rápida e pronunciada, podendo resultar em aumento significativo da ingestão alimentar em curto espaço de tempo.
Do ponto de vista clínico, esse efeito pode ser benéfico em situações específicas, como:
Por outro lado, em indivíduos que não apresentam necessidade de estímulo alimentar ou que possuem predisposição à compulsão alimentar, esse efeito pode ser indesejado e potencialmente prejudicial.
Diante disso, o uso do THC com a finalidade de estimular o apetite deve ser indicado de forma criteriosa, com ajuste individualizado de dose e acompanhamento profissional adequado, de modo a maximizar os benefícios terapêuticos e minimizar riscos metabólicos e comportamentais.
A literatura científica sobre o canabidiol (CBD) e sua relação com o apetite é mais recente e complexa do que muitas abordagens populares sugerem. Até o momento, as evidências disponíveis não permitem afirmar, de forma consistente, que o CBD aumente diretamente a fome na maioria das pessoas. Ao contrário, parte relevante dos estudos aponta para um efeito oposto. Em síntese, os principais achados são os seguintes:
Revisões sistemáticas sobre os efeitos do CBD no apetite e no peso corporal indicam que a substância tende a apresentar um efeito anorexígeno, associado à redução do apetite e, em alguns casos, do peso corporal. Esses resultados, contudo, devem ser interpretados com cautela, em razão de limitações metodológicas dos estudos analisados, como amostras reduzidas, curta duração e heterogeneidade dos protocolos.
Análises narrativas que avaliam cannabis, comportamento alimentar e peso corporal reforçam essa distinção ao apontar que o CBD está mais frequentemente associado à diminuição do apetite, enquanto o THC se relaciona ao aumento da fome e a comportamentos alimentares hedônicos, popularmente conhecidos como “larica”.
Há ainda estudos que investigam o uso de misturas de canabinoides (como CBD associado ao THC) ou da cannabis medicinal de forma mais ampla em contextos clínicos específicos, especialmente em condições caracterizadas por perda de apetite ou de peso associada a doenças crônicas. Nesses cenários, observa-se melhora do apetite em parte dos pacientes, mas os dados sugerem que esse efeito está mais ligado à presença do THC ou à interação entre diferentes canabinoides, e não ao CBD isoladamente.
Em conclusão, o conjunto das evidências atuais indica que o CBD, por si só, não pode ser considerado um estimulante do apetite. Seu impacto tende a diferir daquele observado com o THC, o que reforça a importância de distinguir os efeitos individuais dos canabinoides e de avaliar cuidadosamente a composição dos produtos utilizados em contextos terapêuticos.
Nos estudos que avaliam o uso de cannabis medicinal em formulações combinadas (THC + CBD ou extratos integrais da planta) em condições associadas à perda de apetite — como esclerodermia sistêmica ou caquexia relacionada a doenças crônicas —, a melhora observada em alguns pacientes não pode ser atribuída de forma direta ao CBD isolado.
A análise dos mecanismos envolvidos sugere que:
Do ponto de vista prático e conceitual, o CBD não se enquadra como agente estimulante do apetite nos moldes farmacológicos clássicos. A literatura científica majoritária indica que, em indivíduos saudáveis, o canabidiol tende a apresentar efeito neutro ou até anorexígeno, dependendo da dose e do contexto.
Quando há melhora da ingestão alimentar em determinados pacientes, essa resposta deve ser compreendida como efeito indireto, decorrente da atenuação de sintomas que comprometem a alimentação — como náuseas persistentes, dor crônica, ansiedade ou distúrbios do sono —, e não como resultado de ativação direta dos centros hipotalâmicos da fome.
A pesquisa científica não sustenta que o canabidiol isolado aumente consistentemente o apetite em humanos. Pelo contrário, muitos estudos sugerem que seu efeito pode ser neutro ou até supressor do apetite, dependendo do contexto clínico e da dose. Há necessidade de ensaios clínicos maiores e mais bem desenhados para esclarecer totalmente essa relação
Em síntese, enquanto o THC atua estimulando diretamente o apetite, o CBD auxilia o organismo a recuperar condições favoráveis para que a fome volte a se manifestar de maneira equilibrada. Por esse motivo, o canabidiol pode ser considerado uma estratégia terapêutica complementar em situações de perda de apetite, especialmente quando associada a fatores emocionais ou fisiológicos.
Em todos os casos, a utilização de produtos à base de cannabis deve ocorrer com orientação profissional, respeitando a indicação clínica, a dosagem adequada e o perfil individual do paciente.

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