THC vs. CBD: Entenda as diferenças, usos e benefícios
29/04/2025
8 min de leitura
O canabidiol (CBD)e o tetrahidrocanabinol (THC) são dois dos mais de 100 compostos químicos conhecidos como canabinoides, extraídos da planta Cannabis sativa – Cânhamo. Embora ambos interajam com o organismo por meio do sistema endocanabinoide(SEC), suas propriedades e efeitos são distintos.
O CBD e o THC são canabinoides que agem no organismo por meio do sistema endocanabinoide, mas apresentam diferenças marcantes: o THC gera efeitos psicoativos que alteram a percepção e provocam euforia, enquanto o CBD não produz esse tipo de sensação, sendo indicado para quem busca benefícios terapêuticos sem mudanças cognitivas significativas.
Ambas as substâncias demonstram potencial terapêutico relevante: o THC é especialmente utilizado no alívio de dores graves e no controle de náuseas, enquanto o CBD abrange uma gama ampla de condições, do tratamento de inflamações ao auxílio em quadros neurológicos.
O uso combinado, sob orientação médica, pode maximizar benefícios ao equilibrar os efeitos de cada canabinoide.
O THC pode trazer efeitos colaterais como ansiedade, paranoia ou prejuízo da memória de curto prazo quando usado em doses elevadas.
Já o CBD costuma ser bem tolerado, embora possa causar fadiga ou alterações gastrointestinais leves em algumas pessoas, além de possíveis interações com medicamentos, exigindo supervisão profissional.
Diferente do THC, que é responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis, o CBD não causa euforia nem altera a percepção, sendo extensivamente estudado por seus potenciais benefícios terapêuticos.
Seu impacto no organismo ocorre através da regulação de diversas funções fisiológicas, como dor, humor, sono e imunidade. A seguir, exploramos suas diferenças e aplicações na saúde.
Uso medicinal do THC e do CBD
O canabidiol (CBD) atua como um regulador natural no organismo, auxiliando no equilíbrio de sistemas responsáveis por funções essenciais, como dor, humor, sono e imunidade.
Em vez de agir de forma isolada, ele influencia diversas vias biológicas para promover o bem-estar. Já o tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da Cannabis sativa, interage com o sistema endocanabinoide (SEC), ativando os receptores CB1, predominantes no cérebro, e CB2, presentes no sistema imunológico e em outros órgãos.
Embora seja conhecido por seus efeitos psicoativos, o THC também possui aplicações medicinais amplamente comprovadas:
1.Dor crônica: No tratamento da dor crônica, ambos os canabinoides apresentam benefícios. O CBD é empregado em condições como fibromialgia, artrite, esclerose múltipla e neuropatias periféricas, contribuindo para a redução da inflamação e a modulação da percepção da dor.
Esse efeito se deve, em parte, à inibição da enzima FAAH, responsável pela degradação da anandamida, um neurotransmissor envolvido no controle da dor e do humor.
Em contrapartida, o THC se destaca por seu efeito analgésico mais intenso, sendo particularmente útil em casos de espasmos musculares, dores neuropáticas severas e condições que não respondem aos tratamentos convencionais.
2.Controle de náuseas e vômitos: Além do alívio da dor, o THC tem se mostrado eficaz no controle de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, contribuindo para a melhora da qualidade de vida de pacientes oncológicos.
Sua ação no centro de controle do vômito, localizado no cérebro, auxilia na redução desses sintomas. Da mesma forma, o THC é utilizado no tratamento da caquexia em pacientes com HIV/AIDS, estimulando o apetite e ajudando na manutenção do peso corporal.
3.Melhora dos transtornos do sono e efeitos neuroprotetores: Outro efeito relevante do THC diz respeito à melhora dos transtornos do sono. Pacientes que sofrem de insônia ou que têm dificuldades para dormir devido a dores crônicas ou a condições neurológicas podem experimentar uma melhora significativa na qualidade do sono com seu uso.
Em doenças neurológicas, como esclerose múltipla e Parkinson, o THC pode auxiliar no controle de espasmos musculares, tremores e rigidez, proporcionando alívio dos sintomas motores. Estudos recentes sugerem que o THC também pode apresentar efeitos
Qual a diferença entre THC e CBD?
THC (Tetrahidrocanabinol)
Efeitos psicoativos: O THC é o principal composto responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis, causando euforia, alteração da percepção e outras mudanças no estado mental. Ele se liga a receptores no cérebro que influenciam humor, apetite e comportamento.
Uso medicinal: É utilizado para aliviar dores intensas, reduzir náuseas e estimular o apetite, sendo especialmente benéfico para pacientes em tratamento contra o câncer, HIV/AIDS e outras condições graves.
CBD (Canabidiol)
Sem efeitos psicoativos: O CBD não causa euforia nem altera a percepção, sendo amplamente utilizado por seus benefícios terapêuticos sem comprometer a clareza mental.
Propriedades terapêuticas: Possui efeitos comprovados no tratamento de epilepsia, ansiedade, dores crônicas, inflamações e outras condições. Estudos destacam sua segurança e eficácia em diversos quadros clínicos.
Mecanismos de ação do CBD e do THC
O CBD (canabidiol) exerce seus efeitos por meio de diversos mecanismos no corpo humano, interagindo de forma direta e indireta com diferentes sistemas fisiológicos. Diferente do THC (tetrahidrocanabinol), o CBD atua de maneira mais ampla e não possui efeitos psicoativos significativos.
A seguir, os principais mecanismos de ação:
THC (Tetrahidrocanabinol):
Ligação Direta aos Receptores: O THC se liga diretamente aos receptores canabinoides, principalmente ao CB1, localizado no sistema nervoso central, gerando efeitos psicoativos, analgésicos e alterando a percepção sensorial.
Ativação de Vias Neurotransmissoras: A ativação dos receptores CB1 pelo THC influencia a liberação de neurotransmissores, como dopamina e serotonina, contribuindo para a modulação do humor, alívio da dor e outras respostas neurológicas.
Modulação da Resposta Imune e Inflamatória: Ao interagir com os receptores CB2, que se encontram principalmente no sistema imunológico, o THC exerce efeitos imunomoduladores, ajudando a regular a resposta inflamatória e a aliviar condições inflamatórias.
Efeitos Analgésicos e Antiespasmódicos: A combinação desses mecanismos resulta em propriedades analgésicas e antiespasmódicas, sendo eficaz no controle da dor crônica, espasmos musculares e sintomas de condições neurológicas.
CBD (Canabidiol):
Modulação Indireta do Sistema Endocanabinoide: Diferente do THC, o CBD não se liga diretamente aos receptores CB1 e CB2. Em vez disso, atua como modulador indireto, contribuindo para o equilíbrio do sistema endocanabinoide, o que resulta em efeitos ansiolíticos, anticonvulsivantes e neuroprotetores.
Inibição da Degradação da Anandamida: O CBD inibe a enzima FAAH, que é responsável pela degradação da anandamida, um endocanabinoide ligado à sensação de bem-estar. Esse aumento nos níveis de anandamida está associado à analgesia, à regulação do humor e ao relaxamento.
Interação com Receptores Não Canabinoides: O CBD também modula outros receptores, contribuindo para efeitos antieméticos (redução de náuseas e vômitos), ansiolíticos e antidepressivos.
Ação Antioxidante e Neuroprotetora: Sua potente ação antioxidante ajuda a combater o estresse oxidativo e a proteger os neurônios, o que o torna promissor no tratamento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e esclerose múltipla.
Como é metabolizado o THC e o CBD?
O metabolismo do THC (Tetrahidrocanabinol) e do CBD (Canabidiol) ocorre principalmente no fígado, onde essas substâncias são processadas por enzimas do citocromo P450, resultando em metabólitos que serão eliminados do organismo.
Como o THC e o CBD são eliminados do corpo?
A eliminação do THC e do CBD ocorre principalmente por meio do metabolismo hepático, onde essas substâncias são transformadas em metabólitos mais solúveis. Em seguida, esses metabólitos são excretados principalmente pelo trato gastrointestinal e pelos rins, garantindo sua eliminação do organismo.
1. THC (Tetrahidrocanabinol) e seus metabólitos são eliminados por duas vias principais:
Urina (25-30%): Os metabólitos hidrossolúveis são excretados pelos rins. A urina pode conter traços de THC por dias ou semanas, dependendo da frequência de uso e do metabolismo individual.
Fezes (65-75%): A maior parte do THC e seus metabólitos é eliminada pelo trato gastrointestinal, após serem excretados na bile.
2. CBD (Canabidiol) segue um processo de eliminação semelhante ao THC, porém de forma mais rápida:
Urina: Apenas uma pequena parte dos metabólitos do CBD é excretada pelos rins.
Fezes: A maior parte do CBD e seus metabólitos é eliminada pelo sistema digestivo.
Fatores que Influenciam o Tempo de Eliminação
Frequência de uso: O THC pode permanecer no corpo por mais tempo em usuários frequentes.
Metabolismo individual: Pessoas com metabolismo acelerado eliminam mais rápido.
Gordura corporal: Como o THC é lipossolúvel, ele se acumula nos tecidos gordurosos, prolongando sua eliminação.
Quantidade consumida: Doses maiores levam mais tempo para serem processadas pelo organismo.
O CBD, por não se acumular da mesma forma nos tecidos gordurosos, tende a ser eliminado mais rapidamente em comparação ao THC.
Quais são os efeitos colaterais?
CBD
Geralmente bem tolerado: Podem ocorrer efeitos leves, como fadiga, diarreia ou alterações no apetite.
Interações medicamentosas: Em alguns casos, pode interferir na metabolização de outros medicamentos; portanto, o acompanhamento médico é recomendado.
THC
Ansiedade e Paranoia: Em doses altas, pode desencadear sensação de ansiedade, paranoia e alterações de humor.
Déficit de Memória e Coordenação: Pode prejudicar a memória de curto prazo e a coordenação motora, especialmente em uso recreativo ou doses elevadas.
Sedação: Em algumas pessoas, pode causar sonolência e diminuição do estado de alerta.
Potenciais Interações: Assim como o CBD, pode interagir com outros medicamentos; acompanhamento profissional é indicado.
Legislação do CBD e THC
A regulamentação sobre a Cannabis varia significativamente de acordo com cada país e suas leis locais:
CBD: Geralmente possui uma regulamentação mais flexível. Muitos países já legalizaram ou regulamentaram o uso terapêutico do CBD, exigindo prescrição médica ou controle específico para produtos que contenham o composto.
THC: Enfrenta restrições mais rigorosas devido aos seus efeitos psicoativos. Em muitos lugares, apenas a versão medicinal (com níveis controlados de THC) é autorizada, sob prescrição médica e para condições de saúde específicas.
No Brasil: Há resoluções da Anvisa que permitem a prescrição de produtos à base de cannabis para fins medicinais, mas o THC permanece sob regras mais restritas.
O CBD e o THC são dois canabinoides com mecanismos de ação distintos e aplicações terapêuticas complementares. Enquanto o CBD se destaca por seus efeitos neuroprotetores, anti-inflamatórios e ansiolíticos sem provocar alterações na percepção, o THC é reconhecido por seu potente efeito analgésico, sua capacidade de estimular o apetite e aliviar náuseas, além de seu impacto positivo em distúrbios neurológicos.
A escolha entre CBD e THC depende do objetivo terapêutico e das necessidades individuais de cada paciente, sempre considerando a orientação médica e as regulamentações locais. Apesar de suas diferenças, ambos os compostos demonstram grande potencial no campo da medicina, oferecendo alternativas para o tratamento de diversas condições de saúde.
À medida que novas pesquisas avançam, espera-se uma compreensão ainda maior dos benefícios e limitações desses canabinoides, possibilitando seu uso de forma mais segura e eficaz.
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