A cognição e a memória são pilares essenciais do funcionamento mental e influenciam diretamente nossa forma de perceber, interpretar e interagir com o mundo. No entanto, ao longo da vida, diversos fatores podem comprometer essas funções, afetando a autonomia, o desempenho intelectual e a qualidade de vida.
Nos últimos anos, a cannabis medicinal tem se destacado como uma possível aliada na proteção da saúde cerebral e na promoção do equilíbrio cognitivo, especialmente em contextos de envelhecimento e condições clínicas específicas.
Antes de explorarmos os fatores que afetam essas funções e as intervenções terapêuticas disponíveis, é importante entender o que são cognição e memória — e de que forma elas moldam nossa capacidade de pensar, lembrar, decidir e agir no dia a dia.

Cognição é a capacidade do cérebro de processar informações por meio de diversas funções mentais. Ela envolve:
Essas funções incluem atenção, percepção, linguagem, memória, raciocínio e planejamento. Ela permite que o indivíduo compreenda o mundo ao seu redor, se adapte a ele e aja de maneira eficaz.
A memória pode ser definida como a capacidade do cérebro de registrar, armazenar, manter e recuperar informações adquiridas por meio de experiências, aprendizados e percepções sensoriais.
Ela é essencial para todas as atividades cognitivas, como aprender, tomar decisões, resolver problemas e se orientar no tempo e no espaço.
A cognição e a memória são processos complexos e interdependentes que podem ser influenciados por uma variedade de fatores ao longo da vida. Esses fatores podem ser físicos, emocionais, comportamentais e ambientais, contribuindo positiva ou negativamente para a saúde cerebral.
Com o passar dos anos, é natural que ocorra uma redução da eficiência da memória, especialmente nas fases iniciais do envelhecimento. Quando essa diminuição não compromete significativamente a autonomia do indivíduo, é considerada parte do envelhecimento normal, sendo classificada como déficit de memória leve. Abaixo, destacamos os principais:
1. Envelhecimento
O envelhecimento natural provoca mudanças estruturais e funcionais no cérebro. Regiões como o hipocampo — essencial para a consolidação da memória — podem sofrer encolhimento, dificultando a formação de novas memórias.
2. Estresse crônico e ansiedade
A exposição prolongada ao estresse eleva os níveis de cortisol, hormônio que, em excesso, pode causar danos às células nervosas, especialmente no hipocampo. Isso compromete a memória recente, a concentração e a capacidade de aprendizagem. A ansiedade também interfere no foco e na fixação de informações.
3. Sono insuficiente
O sono é fundamental para a recuperação das funções cognitivas e para a consolidação da memória. A falta crônica de sono prejudica o raciocínio lógico, a atenção e a retenção de informações. Durante o sono REM, o cérebro reorganiza memórias e consolida aprendizados do dia anterior.
4. Doenças neurodegenerativas
Doenças como Alzheimer, Parkinson e outras demências afetam diretamente a memória e outras funções cognitivas. A morte progressiva dos neurônios e a desregulação de neurotransmissores comprometem habilidades como linguagem, orientação e reconhecimento.
5. Depressão
A depressão pode impactar profundamente a cognição, pois compromete o funcionamento de regiões cerebrais envolvidas no processamento de informações, na regulação das emoções e na memória. Esses prejuízos ocorrem tanto por alterações químicas no cérebro quanto pelos efeitos emocionais prolongados causados pela doença.
É comum que pessoas com depressão apresentam dificuldades de atenção, concentração, memória e motivação. Em alguns casos, esses sintomas cognitivos são tão marcantes que podem ser confundidos com sinais iniciais de demência, especialmente em idosos.
6. Uso de substâncias
O consumo abusivo de álcool, drogas e certos medicamentos pode gerar danos cerebrais, interferir nos neurotransmissores e causar prejuízos significativos à memória e à cognição.
7. Alimentação inadequada
Uma dieta pobre em nutrientes essenciais — como vitaminas do complexo B, ácidos graxos ômega-3 e antioxidantes — pode comprometer a saúde cerebral. Deficiências nutricionais estão associadas à redução da capacidade de aprendizado e à piora da memória.
8. Falta de atividade física (sedentarismo)
O sedentarismo está relacionado ao declínio cognitivo e ao aumento do risco de doenças neurodegenerativas. Exercícios físicos regulares melhoram o fluxo sanguíneo cerebral, estimulam a produção de neurotransmissores e favorecem a neuroplasticidade.
9. Condições médicas crônicas
Doenças como diabetes, hipertensão arterial e hipotireoidismo podem afetar o cérebro, prejudicando a oxigenação e a função neuronal. Quando não controladas, essas condições comprometem a cognição de forma significativa.
Esses efeitos comprometem significativamente a autonomia e o desempenho nas atividades do dia a dia, interferindo na vida acadêmica, profissional e nas relações interpessoais — o que afeta diretamente a qualidade de vida e o bem-estar emocional.
A cannabis medicinal possui dois principais compostos ativos: o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). Quando se trata de cognição e memória, o CBD se destaca por seus efeitos terapêuticos promissores.
1. Efeito neuroprotetor
O CBD apresenta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a proteger os neurônios contra danos causados por estresse oxidativo, inflamação crônica e envelhecimento celular — fatores fortemente associados ao declínio cognitivo e à progressão de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Estudos pré-clínicos indicam que o CBD pode reduzir a neuroinflamação e modular proteínas envolvidas na formação de placas beta-amiloides, um dos principais marcadores da doença de Alzheimer.
2. Redução da ansiedade e do estresse crônico
Níveis elevados de estresse e ansiedade afetam diretamente a atenção, a concentração e a memória. O CBD atua no sistema endocanabinoide, modulando a liberação de neurotransmissores como serotonina, GABA e glutamato, promovendo o equilíbrio emocional e melhorando a resposta do organismo ao estresse.
3. Melhora do sono
O sono desempenha um papel essencial na consolidação da memória e no funcionamento cognitivo. O uso da cannabis — especialmente de formulações com CBD isolado ou com uma combinação balanceada de CBD e THC — tem demonstrado benefícios na regulação do ciclo sono-vigília, promovendo um sono mais profundo e restaurador.
4. Ação antidepressiva
A depressão é uma das condições que mais comprometem a cognição, afetando memória, concentração, motivação e tomada de decisões. O CBD tem demonstrado efeitos semelhantes aos dos antidepressivos, estimulando a neurogênese — a formação de novos neurônios — especialmente no hipocampo, região do cérebro relacionada à memória e ao aprendizado.
Estudos sugerem que o CBD pode melhorar o foco, o interesse e a memória, sem causar os efeitos colaterais comuns dos antidepressivos tradicionais.
5. Modulação da memória emocional
Além do CBD, o THC, quando utilizado em doses baixas e controladas, pode auxiliar na reestruturação de memórias traumáticas e na redução do impacto emocional de lembranças negativas — sendo especialmente útil em quadros de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
O CBD, por sua vez, parece atenuar o medo aprendido e interromper a reconsolidação de memórias negativas, contribuindo para a estabilidade emocional e o bem-estar psicológico.
Felizmente, o cérebro humano possui uma notável capacidade de adaptação chamada neuroplasticidade — a habilidade de formar novas conexões neurais ao longo da vida.
Essa característica torna possível preservar e até melhorar a cognição, mesmo diante de fatores adversos, desde que sejam adotadas práticas regulares de cuidado com a saúde mental e física.
A seguir, destacamos estratégias eficazes para estimular a função cognitiva de forma integral:
A cognição e a memória são funções mentais em constante transformação, moldadas por fatores genéticos, emocionais, ambientais e comportamentais. Ao longo da vida, essas capacidades podem ser preservadas ou comprometidas, dependendo das escolhas que fazemos e dos cuidados que adotamos com nossa saúde física e mental.
Nesse contexto, a cannabis medicinal surge como uma aliada promissora, oferecendo suporte terapêutico em casos específicos, graças às suas propriedades ansiolíticas, anti-inflamatórias, neuroprotetoras e reguladoras do humor e do sono. Quando utilizada de forma responsável e com acompanhamento profissional, pode complementar outras práticas de promoção da saúde cerebral.
Investir em saúde cognitiva é mais do que preservar a memória: é cultivar autonomia, clareza mental, equilíbrio emocional e qualidade de vida ao longo dos anos. É, acima de tudo, um compromisso com o futuro de si mesmo.

Agende sua primeira consulta na Click por apenas R$50 e converse com nossos médicos especialistas hoje mesmo.

19/02/2026
4 min de leitura

18/02/2026
2 min de leitura

13/02/2026
6 min de leitura

13/02/2026
5 min de leitura

13/02/2026
8 min de leitura
Assine e receba novidades, dicas e conteúdos exclusivos no seu email
Receba novidades, dicas e conteúdos exclusivos no seu e-mail.