Cannabis Medicinal e Depressão Resistente ao tratamento: Evidências do UK Medical Cannabis Registry
Em 9 de fevereiro de 2026, a European Food Safety Authority (EFSA) publicou atualização relevante sobre o uso do canabidiol (CBD) como “novo alimento” (novel food) na União Europeia. Pela primeira vez, foi definido um nível provisório de ingestão diária segura para adultos, ao mesmo tempo em que a autoridade reconheceu a persistência de lacunas científicas relevantes.
Para o mercado de cannabis — inclusive sob a perspectiva regulatória brasileira — a decisão estabelece parâmetros técnicos que podem influenciar discussões futuras sobre segurança alimentar e suplementos à base de CBD.

O que significa “novo alimento” na União Europeia?
Na União Europeia, o termo “Novo Alimento” (Novel Food) designa qualquer alimento ou ingrediente que não era consumido de forma significativa antes de 15 de maio de 1997.
Essa data corresponde à entrada em vigor do Regulamento (CE) nº 258/97, que instituiu um marco jurídico objetivo para diferenciar:
- alimentos com histórico comprovado de consumo seguro na Europa;
- ingredientes novos, cujo impacto à saúde ainda não estava suficientemente estudado.
Atualmente, o tema é regulado pelo Regulamento (UE) 2015/2283, que abrange, entre outras, as seguintes categorias:
- Inovação tecnológica: alimentos obtidos por novos processos ou com estruturas modificadas;
- Novas fontes: derivados de microrganismos, fungos, algas ou fontes animais não tradicionais;
- Alimentos tradicionais de países terceiros: produtos consumidos fora da Europa que passam a ser introduzidos no mercado europeu;
- Substâncias específicas: categoria na qual se enquadra o CBD, exigindo autorização científica prévia para comercialização como alimento.
Qual foi o limite provisório de ingestão definido pela EFSA?
A EFSA estabeleceu um nível provisório de ingestão segura de 0,0275 mg por quilo de peso corporal por dia.
Na prática, um adulto de 70 kg não deveria ultrapassar aproximadamente 2 mg diários de CBD quando utilizado como alimento.
O valor foi fixado com base nas evidências científicas atualmente disponíveis, incorporando margens adicionais de segurança em razão das incertezas identificadas.
O limite se aplica a qualquer produto com CBD?
Não.
O nível provisório é restrito a formulações altamente padronizadas e tecnicamente controladas, especificamente:
- suplementos alimentares;
- formulações com pureza mínima de 98% de CBD;
- produtos sem nanopartículas;
- processos de fabricação considerados seguros;
- ausência de evidência de genotoxicidade.
Trata-se, portanto, de parâmetro aplicável a produtos com elevado grau de pureza e controle científico.
Grupos que exigem maior cautela
A EFSA destacou que não foi possível estabelecer segurança para determinados grupos, recomendando cautela em relação a:
- menores de 25 anos;
- gestantes;
- lactantes;
- pessoas que utilizam medicamentos.
A principal preocupação refere-se ao potencial de interação medicamentosa. O CBD pode interferir em enzimas hepáticas do sistema CYP450, alterando o metabolismo de diversos fármacos e, consequentemente, sua concentração plasmática.
Quais são as condições da EFSA para a revisão dos níveis de CBD
A EFSA seguirá analisando, de forma individualizada, cada pedido de autorização para comercialização de novos alimentos à base de CBD.
O nível provisório de ingestão segura poderá ser revisto à medida que novos dados científicos forem apresentados, especialmente quando:
- estudos toxicológicos adicionais forem submetidos;
- pesquisas clínicas adequadas estiverem disponíveis;
- evidências científicas mais robustas contribuírem para reduzir as incertezas atualmente existentes.
Em outras palavras, o limite fixado não é definitivo: ele poderá ser ajustado conforme a ciência avance e forneça maior segurança quanto aos efeitos do CBD no organismo.
Como a diretriz europeia molda o cenário global.
Embora a decisão tenha sido tomada no âmbito europeu, seus efeitos ultrapassam as fronteiras da União Europeia e influenciam o debate regulatório internacional.
Isso ocorre por três razões principais:
- A definição de um parâmetro técnico concreto de ingestão alimentar segura;
- O reforço da distinção entre uso alimentar e uso medicinal do CBD;
- A exigência de elevado grau de pureza, padronização e comprovação científica rigorosa.
Na prática, a medida sinaliza que o enquadramento do CBD como alimento depende de critérios científicos robustos e não apenas de sua popularização no mercado.
A decisão da EFSA e seus possíveis reflexos no Brasil
Atualmente, a Anvisa não autoriza o uso de CBD como ingrediente alimentar ou suplemento no Brasil. Os produtos à base de cannabis permanecem enquadrados como de uso medicinal, sujeitos a prescrição e controle sanitário específico.
Ainda que não haja reconhecimento do CBD como alimento no ordenamento brasileiro, a consolidação de parâmetros internacionais de segurança pode influenciar o debate técnico nacional à medida que novos dados científicos sejam produzidos e analisados.
Conclusão
A decisão da EFSA representa um marco regulatório relevante ao estabelecer, pela primeira vez, um limite provisório de ingestão alimentar segura para o CBD.
Contudo, o posicionamento permanece cauteloso, condicionado à evolução das evidências científicas. O cenário regulatório, portanto, continua em construção.

Agende sua consulta
Agende sua primeira consulta na Click por apenas R$50 e converse com nossos médicos especialistas hoje mesmo.
Click Cannabis:Dúvidas frequentes
O que a União Europeia decidiu sobre o CBD em 2026?
Em 9 de fevereiro de 2026, a European Food Safety Authority (EFSA) publicou uma atualização classificando o canabidiol (CBD) como “novo alimento” (novel food) e estabelecendo, pela primeira vez, um nível provisório de ingestão diária segura para adultos. A decisão representa um marco regulatório para o uso alimentar do CBD na União Europeia.
O que significa “novo alimento” na União Europeia?
“Novo alimento” é a categoria regulatória aplicada a qualquer alimento ou ingrediente que não era consumido de forma significativa antes de 15 de maio de 1997 na União Europeia. A classificação exige avaliação científica prévia antes da autorização de comercialização, com base no Regulamento (UE) 2015/2283.
Por que o CBD é considerado novel food na Europa?
O CBD é enquadrado como novel food porque não possui histórico consolidado de consumo alimentar anterior a 1997 e porque ainda existem incertezas científicas sobre seus efeitos quando utilizado como ingrediente alimentar. Por esse motivo, sua comercialização depende de avaliação técnica e autorização individual.
Qual é o limite de ingestão diária segura de CBD definido pela EFSA?
A EFSA estabeleceu um nível provisório de ingestão segura de 0,0275 mg de CBD por quilo de peso corporal por dia. Para um adulto de 70 kg, isso corresponde a aproximadamente 2 mg diários quando o CBD é utilizado como alimento.
Esse limite vale para qualquer produto com CBD?
Não. O nível provisório se aplica exclusivamente a formulações altamente padronizadas, com pureza mínima de 98% de CBD, ausência de nanopartículas, processos de fabricação considerados seguros e sem evidência de genotoxicidade. Produtos artesanais ou sem controle técnico rigoroso não estão automaticamente abrangidos por esse parâmetro.
A EFSA liberou o CBD como suplemento alimentar?
A EFSA não concedeu uma liberação ampla e automática. O que foi definido é um nível provisório de ingestão considerado seguro dentro de condições técnicas específicas. Cada pedido de autorização para comercialização continua sendo analisado individualmente.
Quais grupos devem ter mais cautela com o consumo de CBD?
A autoridade europeia destacou que não foi possível estabelecer segurança para menores de 25 anos, gestantes, lactantes e pessoas que utilizam medicamentos. Para esses grupos, recomenda-se cautela devido à ausência de dados conclusivos.
Por que o CBD pode interagir com medicamentos?
O CBD pode interferir nas enzimas hepáticas do sistema CYP450, responsáveis pelo metabolismo de diversos medicamentos. Essa interação pode alterar a concentração plasmática de fármacos, aumentando o risco de efeitos adversos ou reduzindo sua eficácia terapêutica.
O limite definido pela EFSA é definitivo?
Não. O valor estabelecido é provisório e poderá ser revisto à medida que novos estudos toxicológicos e pesquisas clínicas robustas sejam apresentados. A própria EFSA reconheceu a existência de lacunas científicas que ainda precisam ser esclarecidas.
Como a decisão da EFSA impacta o mercado global de cannabis?
A definição de um parâmetro técnico concreto de ingestão segura tende a influenciar o debate regulatório internacional. A medida reforça a distinção entre uso alimentar e uso medicinal do CBD e sinaliza que o enquadramento como alimento exige alto grau de pureza, padronização e comprovação científica.
O CBD pode ser usado como alimento ou suplemento no Brasil?
Atualmente, não. A Anvisa não autoriza o uso de CBD como ingrediente alimentar ou suplemento no Brasil. Produtos à base de cannabis permanecem classificados como de uso medicinal e estão sujeitos a prescrição e controle sanitário específico.
A decisão europeia pode influenciar futuras discussões no Brasil?
Embora não tenha efeito automático sobre a legislação brasileira, a consolidação de parâmetros internacionais de segurança pode influenciar debates técnicos e regulatórios no futuro, especialmente à medida que novas evidências científicas sejam produzidas.




