Neste artigo, você vai entender como o CBD é metabolizado, quais substâncias são formadas durante esse processo e quais fatores podem influenciar a metabolização do canabidiol.

- O CBD é metabolizado principalmente no fígado, por enzimas que participam do processamento de diversas substâncias no organismo.
- A via de administração influencia o caminho percorrido pelo CBD e a forma como ele chega à circulação.
- Durante a metabolização, o CBD é transformado em outros compostos, que seguem diferentes etapas até serem eliminados.
- Dose, frequência de uso, alimentação, função hepática e outros medicamentos estão entre os fatores que podem modificar esse processo.
Metabolização é o conjunto de transformações que uma substância sofre no organismo após entrar no corpo. Isso acontece com diferentes compostos, incluindo medicamentos e o próprio CBD, permitindo que sejam transformados e, posteriormente, eliminados.
Entender como o CBD é metabolizado ajuda a acompanhar o caminho do canabidiol desde sua administração até a eliminação e a compreender quais fatores podem influenciar esse percurso.
Como o CBD é metabolizado?
O CBD é metabolizado principalmente no fígado, por meio de enzimas que promovem uma série de transformações químicas. Nesse processo, sua estrutura é modificada e dá origem a outras substâncias, chamadas metabólitos.
Uma dessas substâncias é o 7-hidroxi-CBD (7-OH-CBD), que ainda apresenta atividade no organismo. Em seguida, ele pode ser convertido em 7-carboxi-CBD (7-COOH-CBD), um dos principais produtos da metabolização do canabidiol.
Esses metabólitos podem passar por novas transformações que facilitam sua eliminação. Em outras palavras, o organismo transforma o CBD em etapas sucessivas até que seus derivados possam ser excretados.
Quais enzimas metabolizam o CBD?
Entre as enzimas do citocromo P450 envolvidas nesse processo, destacam-se:
- CYP2C19: uma das principais responsáveis pela transformação do CBD em metabólitos.
- CYP3A4: também exerce papel importante na metabolização do CBD e de uma ampla variedade de medicamentos.
- CYP2C9: contribui para a metabolização do canabidiol, embora com participação menos relevante que CYP2C19 e CYP3A4.
- CYP2C8: pode participar de algumas etapas da transformação metabólica do CBD.
- CYP1A2 e CYP2D6: também podem estar envolvidas, ainda que com contribuição mais limitada.
Essa participação do citocromo P450 é particularmente relevante porque muitos medicamentos são metabolizados pelas mesmas enzimas. É justamente esse compartilhamento de vias que abre espaço para a interferência do CBD sobre outros fármacos
Como a via de administração influencia a metabolização?
A forma como o CBD é utilizado pode influenciar quanto do canabidiol chega à corrente sanguínea e quanto tempo ele leva para começar a agir. Isso acontece porque cada via de administração faz o CBD percorrer um caminho diferente pelo organismo antes de chegar ao sangue.
Quando o CBD é ingerido, como em cápsulas ou gomas, ele passa pelo sistema digestivo e segue para o fígado antes de chegar à corrente sanguínea. Nesse percurso, parte do canabidiol já é metabolizada, fazendo com que uma quantidade menor chegue ao sangue em sua forma original. Esse processo é chamado de metabolismo de primeira passagem.
Na via sublingual, parte do CBD pode ser absorvida pela mucosa sob a língua e chegar ao sangue sem passar primeiro pelo fígado. Por isso, essa parcela evita o metabolismo de primeira passagem. Já a quantidade que é engolida segue o mesmo caminho da via oral.
Para facilitar a comparação, a tabela a seguir mostra como cada via de administração influencia o caminho do CBD pelo organismo:
| Via de administração | Como interfere na metabolização do CBD |
|---|---|
| Oral | O CBD passa pelo sistema digestivo e pelo fígado antes de alcançar a circulação sistêmica. Parte é metabolizada nessa primeira passagem hepática, reduzindo a quantidade de CBD que chega ao sangue. |
| Sublingual | Parte do CBD pode ser absorvida pela mucosa e chegar diretamente à circulação sistêmica, evitando a primeira passagem pelo fígado. A parcela ingerida é metabolizada como na via oral. |
| Tópica | O CBD permanece predominantemente nas camadas da pele, com absorção sistêmica geralmente limitada. Por isso, a metabolização hepática tende a ter menor relevância nessa via. |
| Transdérmica | O CBD é formulado para atravessar a pele e alcançar a circulação sistêmica, sem passar pelo sistema digestivo e pela primeira passagem hepática. Depois de entrar na circulação, também será metabolizado pelo organismo. |
Oral
O CBD passa pelo sistema digestivo e pelo fígado antes de alcançar a circulação sistêmica. Parte é metabolizada nessa
Sublingual
Parte do CBD pode ser absorvida pela mucosa e chegar diretamente à circulação sistêmica, evitando a primeira passagem pelo fígado. A parcela ingerida é metabolizada como na via oral.
Tópica
O CBD permanece predominantemente nas camadas da pele, com absorção sistêmica geralmente limitada. Por isso, a metabolização hepática tende a ter menor relevância nessa via.
Transdérmica
O CBD é formulado para atravessar a pele e alcançar a circulação sistêmica, sem passar pelo sistema digestivo e pela primeira passagem hepática. Depois de entrar na circulação, também será metabolizado pelo organismo.
A via de administração interfere no caminho que o CBD percorre até chegar à circulação e, consequentemente, na quantidade que sofre metabolização antes de ficar disponível no organismo.
Quais fatores podem alterar a metabolização do CBD?
Entre os principais fatores estão:
Via de administração: como vimos anteriormente, o caminho percorrido pelo CBD muda conforme a forma de uso, o que interfere na quantidade que passa pelo fígado antes de chegar à corrente sanguínea.
Dose e frequência de uso: a quantidade utilizada e o intervalo entre as doses influenciam os níveis de CBD no organismo e o tempo necessário para que ele seja metabolizado e eliminado.
Alimentação: refeições, especialmente as ricas em gordura, podem aumentar a absorção do CBD quando ele é ingerido, fazendo com que uma quantidade maior chegue à corrente sanguínea e seja posteriormente metabolizada.
Função hepática: como o fígado é o principal órgão responsável pela metabolização do CBD, alterações em seu funcionamento podem fazer com que o canabidiol seja processado mais lentamente.
Uso de outros medicamentos: alguns medicamentos são metabolizados pelas mesmas enzimas que atuam sobre o CBD. Quando usados em conjunto, um pode interferir na metabolização do outro, aumentando ou diminuindo a quantidade dessas substâncias no organismo.
Idade: com o envelhecimento, o funcionamento do fígado e a atividade de algumas enzimas podem mudar, o que pode interferir na velocidade com que o CBD é metabolizado.
Características genéticas: diferenças genéticas podem fazer com que determinadas enzimas funcionem de maneira diferente entre as pessoas.
Por isso, a mesma dose de CBD pode permanecer por mais ou menos tempo no organismo e atingir concentrações diferentes de uma pessoa para outra, mesmo quando o produto e a forma de uso são semelhantes.
Quanto tempo o CBD fica no organismo?
Depois de ser metabolizado, o CBD dá origem a outros compostos, que ainda podem passar por novas transformações antes de serem eliminados. A maior parte desses derivados é excretada pelas fezes, enquanto uma quantidade menor é eliminada pela urina.
Esse processo não acontece de forma imediata. Como o CBD tem afinidade por gorduras, ele pode se distribuir pelos tecidos do corpo e permanecer no organismo por algum tempo.
Para entender quanto tempo o CBD pode permanecer no organismo, é útil conhecer o conceito de meia-vida: o tempo necessário para que a quantidade de canabidiol presente no corpo seja reduzida pela metade. A cada nova meia-vida, essa quantidade cai novamente pela metade — e assim sucessivamente, até restar apenas uma pequena fração.
Por exemplo, se a meia-vida for de 3 dias, após esse período restará cerca de metade da quantidade de CBD; depois de 6 dias, aproximadamente um quarto; e, após 9 dias, cerca de um oitavo. Esse processo continua gradualmente até que a maior parte seja eliminada.
Em estudos com uso oral repetido ao longo de vários dias, foram observados valores de aproximadamente 2 a 5 dias. Isso ajuda a explicar por que, após o uso contínuo, o canabidiol pode permanecer no organismo por vários dias depois da última dose.
É importante não confundir esse período com quanto tempo dura o efeito do CBD. O canabidiol pode continuar presente no organismo mesmo depois que seus efeitos já não são mais percebidos.
Conclusão
Entender como o CBD é metabolizado ajuda a compreender o caminho do canabidiol pelo organismo, desde sua absorção até sua eliminação. Como esse processo pode variar conforme a forma de uso, a dose, a frequência, o funcionamento do fígado e o uso de outros medicamentos, o acompanhamento médico é importante para avaliar essas diferenças e conduzir o tratamento de forma individualizada.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico, a prescrição ou a orientação médica. Nunca inicie, interrompa ou altere qualquer tratamento sem orientação médica.

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O CBD pode se acumular no organismo?
Sim. Por ser uma substância lipofílica — ou seja, que se dissolve e se armazena na gordura do corpo — o CBD usado repetidamente pode se acumular gradualmente no organismo. Isso acontece até que se atinja um ponto de equilíbrio, quando a quantidade de CBD que entra no corpo a cada dose se iguala à quantidade que é eliminada.
CBD e THC são metabolizados da mesma forma?
Não exatamente. CBD e THC são metabolizados principalmente no fígado e compartilham algumas enzimas do sistema citocromo P450 (CYP450), mas não seguem processos metabólicos idênticos.
O CBD é metabolizado sobretudo pelas enzimas CYP2C19 e CYP3A4, formando metabólitos como o 7-hidroxi-CBD (7-OH-CBD) e, posteriormente, o 7-carboxi-CBD (7-COOH-CBD).
Já o THC é metabolizado principalmente pela CYP2C9 e CYP3A4, dando origem ao 11-hidroxi-THC (11-OH-THC), um metabólito que também apresenta atividade psicoativa. Em seguida, ele é convertido em outros compostos, como o THC-COOH, que não possui efeito psicoativo.
O CBD pode alterar resultados de exames laboratoriais?
Sim. O uso de CBD pode estar associado a alterações em alguns exames laboratoriais, especialmente nos marcadores relacionados ao fígado. Entre as alterações mais bem documentadas está a elevação das enzimas hepáticas, principalmente ALT (TGP) e AST (TGO).
Essas alterações são observadas com maior frequência em doses mais elevadas de CBD e quando o canabidiol é utilizado em conjunto com determinados medicamentos, como o valproato.
Pessoas com problemas no fígado podem usar CBD?
Em alguns casos, sim. Ter uma doença ou alteração no fígado não impede necessariamente o uso de CBD, mas exige avaliação médica individualizada, já que o canabidiol é metabolizado principalmente nesse órgão.
O organismo desenvolve tolerância ao CBD com o uso contínuo?
Não há evidências suficientes de que o uso contínuo de CBD provoque tolerância. A tolerância ocorre quando o organismo se adapta a uma substância e passa a precisar de doses maiores para sentir o mesmo efeito.
No caso do CBD, é possível que a resposta ao tratamento mude ao longo do tempo — mas isso não significa necessariamente que houve tolerância. Essa mudança pode ter outras explicações, como variações nos sintomas, ajustes na dose, uso de outros medicamentos em conjunto ou diferenças individuais na forma como cada pessoa responde ao CBD.
O peso corporal interfere na resposta ao CBD?
Sim. O peso corporal pode influenciar a resposta ao CBD, mas não é o único fator que determina seus efeitos ou a dose necessária. Embora em alguns tratamentos a dose seja calculada em miligramas por quilograma de peso corporal (mg/kg), duas pessoas com o mesmo peso podem responder de forma diferente à mesma quantidade de CBD. Isso ocorre porque fatores como metabolismo, idade, forma de uso e medicamentos associados também podem interferir na resposta ao canabidiol. Por isso, o peso não deve ser considerado isoladamente na definição da dose.
É necessário fazer exames durante o uso de CBD?
Não necessariamente. Isso vai depender de fatores como a dose utilizada, as condições de saúde e os medicamentos associados, que devem ser avaliados pelo médico responsável. Em determinadas situações, ele pode solicitar exames, especialmente para acompanhar a função hepática (funcionamento do fígado) e identificar possíveis alterações durante o tratamento.
Referências
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NADER, Fernanda Dias et al. Evidence of potential drug interactions between cannabidiol and other drugs: a scoping review to guide pharmaceutical care. Planta Medica, v. 91, n. 9, p. 488–495, 2025.
SMITH, Sarah Ann et al. Effects of cannabidiol and Δ9-tetrahydrocannabinol on cytochrome P450 enzymes: a systematic review. Drug Metabolism Reviews, v. 56, n. 2, p. 164–174, 2024.




