- A cannabis medicinal tem finalidade terapêutica, formulações controladas e foco em CBD, enquanto o uso recreativo prioriza o THC e efeitos psicoativos.
- O CBD não é viciante e, mesmo quando há THC, as doses médicas são baixas e monitoradas, reduzindo significativamente o risco de dependência.
- No contexto clínico, não há busca por euforia, há controle médico e o perfil do paciente é distinto do uso recreativo ou experimental.
- Prescrição adequada, ajuste de doses e escolha da formulação garantem segurança, eficácia e evitam o uso inadequado.
Separando o uso terapêutico do uso recreativo
Grande parte desse receio nasce da falta de distinção entre uso medicinal e uso recreativo. Embora ambos se originem da mesma planta, tratam-se de práticas com objetivos, composições químicas e níveis de controle regulatório totalmente diferentes.

A cannabis medicinal é desenvolvida para tratar condições clínicas específicas. Suas formulações costumam priorizar concentrações elevadas de CBD, um composto não psicoativo amplamente estudado por seu potencial terapêutico. Já a cannabis recreativa é caracterizada pelo foco no THC, o principal responsável pelos efeitos psicoativos e pela sensação de euforia.
Essa diferença estrutural mostra por que é incorreto presumir que o paciente em tratamento estaria, por si só, inclinado ao uso recreativo. São finalidades distintas, com controles diferentes e contextos completamente opostos.
Cannabis medicinal causa dependência?
De forma direta: não, quando utilizada de maneira adequada e sob supervisão profissional.
O componente predominante nos tratamentos medicinais, o CBD, não é considerado viciante e não induz ao consumo compulsivo. Mesmo em formulações que incluem THC, as doses são baixas, controladas e ajustadas com rigor médico, o que reduz significativamente qualquer risco de dependência ou uso problemático.
Já o uso recreativo, especialmente em altas doses de THC e sem acompanhamento, pode levar à dependência psicológica e, em alguns casos, física. Isso reforça a necessidade de distinguir contextos e evitar generalizações.
Existe risco de “progressão” para outras drogas?
A ideia de que o uso de cannabis funciona como “porta de entrada” para substâncias mais perigosas tem raízes culturais, mas não encontra respaldo no uso medicinal.
No ambiente clínico:
- o objetivo é aliviar sintomas específicos;
- as doses são padronizadas e seguras;
- há acompanhamento médico contínuo;
- não existe busca por efeitos psicoativos.
Além disso, pacientes que recorrem à cannabis medicinal geralmente já passaram por diversos tratamentos convencionais sem resultados satisfatórios. Portanto, o perfil desse paciente é completamente diferente daquele associado ao uso recreativo ou experimental.
Assim, o conceito de “progressão” simplesmente não se aplica ao contexto terapêutico.
A importância do acompanhamento profissional
Mesmo sendo considerada segura, a cannabis medicinal não deve ser utilizada sem orientação adequada. A prescrição especializada envolve:
- avaliação da condição clínica e histórico do paciente;
- identificação de possíveis interações medicamentosas;
- escolha da formulação mais apropriada (CBD isolado, broad spectrum, full spectrum);
- ajustes cuidadosos de dose;
- definição das vias de administração mais eficazes.
Esse acompanhamento garante segurança, melhora a resposta terapêutica e evita qualquer uso inadequado ou desnecessário.
Considerações finais
O uso medicinal da cannabis não leva automaticamente ao uso recreativo e não funciona como porta de entrada para outras drogas. Quando utilizada de forma responsável, com prescrição e acompanhamento profissional, a cannabis medicinal é uma ferramenta terapêutica segura, eficaz e com baixíssimo potencial de dependência.
Grande parte do estigma decorre da falta de informação. Diferenciar claramente o uso terapêutico do uso recreativo é essencial para que pacientes possam acessar tratamentos baseados em evidências e potencialmente transformadores para sua qualidade de vida.

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