Por milhares de anos, a cannabis ocupou um lugar legítimo na medicina. Civilizações antigas, de diferentes culturas e continentes, documentaram o uso da planta para tratar dores, inflamações e até problemas gastrointestinais. No Egito, na China, na Índia e no mundo árabe, ela era um recurso terapêutico respeitado — parte das práticas médicas e dos conhecimentos transmitidos por gerações.

No último século, essa história tomou um rumo inesperado. A partir das primeiras décadas de 1900, políticas internacionais, campanhas de desinformação e interesses econômicos colocaram a cannabis no centro de um estigma global. Uma planta antes associada à saúde e ao cuidado passou a ser vista como símbolo de ilegalidade e perigo.
A proibição não se baseou em um consenso científico, mas em narrativas políticas e midiáticas que ignoraram (e muitas vezes apagaram) evidências médicas. O resultado? Décadas de pesquisas interrompidas, tratamentos inacessíveis e milhões de pessoas privadas de um recurso com potencial terapêutico reconhecido por especialistas.
Nos últimos anos, no entanto, o cenário começou a mudar. Estudos clínicos passaram a evidenciar os benefícios dos canabinoides para condições como epilepsia refratária, dores crônicas, esclerose múltipla e distúrbios do sono. Movimentos de pacientes desempenharam papel central ao dar rosto e voz às histórias de quem depende da planta para viver com dignidade.
A legalização progressiva em países como Canadá, Uruguai, Alemanha e em diversos estados dos EUA reforçou o debate global. No Brasil, embora ainda existam barreiras regulatórias, cada vez mais pacientes conquistam o direito ao acesso seguro por via judicial ou por regulamentações específicas da Anvisa.
O desafio agora é duplo: educar para quebrar preconceitos e garantir acesso seguro a quem pode se beneficiar. A cannabis medicinal não é uma promessa futurista — ela já é realidade para milhares de pacientes no Brasil e no mundo.
A cannabis medicinal não é uma promessa futurista — ela já é realidade para milhares de pacientes no Brasil e no mundo. O resgate de seu papel legítimo na medicina é também uma oportunidade de revisar preconceitos e reaproximar ciência, tradição e cuidado. O futuro da cannabis será definido pela capacidade de sociedades modernas de aprender com os erros do passado e valorizar um recurso terapêutico milenar.

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