Neste artigo, você vai entender como o CBD atua nos folículos capilares, o que as pesquisas já descobriram sobre seu uso na alopecia e quais dúvidas ainda precisam ser esclarecidas.

- O sistema endocanabinoide participa da regulação do ciclo de crescimento dos fios.
- Pequenos estudos com formulações tópicas contendo CBD observaram aumento na contagem de fios em pessoas com calvície hereditária.
- Ainda não foi estabelecida uma concentração ideal de CBD para estimular o crescimento capilar.
- Óleo de semente de cânhamo não é o mesmo que óleo de CBD: a presença de cânhamo no produto não garante que ele contenha canabidiol.
A alopecia é a perda parcial ou total de cabelos ou pelos do corpo e pode estar relacionada a fatores genéticos, alterações hormonais, doenças autoimunes ou deficiências nutricionais. Como os cabelos também fazem parte da identidade e da imagem pessoal, sua perda pode afetar a autoestima e a qualidade de vida, despertando o interesse por novas possibilidades de tratamento.
Nesse contexto, o canabidiol (CBD) vem sendo investigado por sua influência no crescimento dos fios. Esse interesse se deve à presença de componentes do sistema endocanabinoide nos folículos pilosos, estruturas responsáveis pela produção do cabelo. Como esse sistema participa da regulação do ciclo capilar, pesquisadores buscam compreender de que forma o CBD pode atuar nesses mecanismos e contribuir para o tratamento da alopecia.
Como funciona o ciclo de crescimento do cabelo?
O ciclo capilar é um processo contínuo e independente para cada fio. Isso significa que os cabelos não crescem nem caem todos ao mesmo tempo: enquanto alguns estão em plena fase de crescimento, outros estão em repouso ou prestes a cair. Esse ciclo é dividido em três fases principais:
- Anágena (crescimento): é a fase ativa, em que as células do folículo se multiplicam rapidamente e o fio cresce cerca de 1 cm por mês. Dura de 2 a 7 anos e, em condições normais, abrange cerca de 85% a 90% dos fios do couro cabeludo.
- Catágena (transição): o crescimento é interrompido e o folículo se contrai, desprendendo-se gradualmente da sua fonte de nutrição. É uma fase curta, de duas a três semanas, que envolve cerca de 1% dos fios.
- Telógena (repouso): o fio permanece inativo por cerca de três meses até se soltar, dando lugar a um novo fio que inicia outra fase anágena. Aproximadamente 10% a 15% dos fios estão nessa etapa.
Por isso, perder entre 50 e 100 fios por dia faz parte da renovação natural do cabelo. A queda passa a ser um problema quando a perda supera a reposição, levando à redução do volume e ao aparecimento de áreas com menos fios.
Como o CBD atua nos receptores dos folículos capilares?
O CBD pode interferir nos sinais que regulam o crescimento dos fios. Para entender como isso acontece, vale conhecer os receptores envolvidos nessa ação:
- Receptores de adenosina: estão envolvidos na regulação da inflamação. A ação do CBD por essa via pode ajudar a reduzir sinais inflamatórios ao redor do folículo, favorecendo o ambiente em que o fio se desenvolve.
- Receptor CB1: substâncias produzidas pelo próprio organismo, como a anandamida, ativam esse receptor e podem desacelerar o crescimento dos fios. O CBD pode atenuar esse sinal, aliviando o “freio” que limita o crescimento capilar.
- Receptor TRPV4: participa dos sinais que fazem o folículo parar de produzir o fio e entrar na fase de regressão. Em concentrações elevadas, o CBD pode ativar esse receptor e, assim, interromper o crescimento em vez de favorecê-lo.
O CBD pode ajudar a reduzir a queda de cabelo?
Sim, o CBD pode contribuir para a saúde capilar e para a redução da queda por diferentes caminhos:
- Couro cabeludo menos inflamado: processos inflamatórios ao redor dos folículos estão associados a diferentes tipos de queda, inclusive à alopecia androgenética, a forma mais comum. Com sua ação anti-inflamatória, o CBD ajuda a criar condições mais favoráveis para que os folículos mantenham um ciclo saudável.
- Fios que crescem por mais tempo: quanto mais longa a fase de crescimento, maior a proporção de fios ativos e menor a queda perceptível. Ao favorecer as vias que sustentam essa fase, o CBD pode contribuir para fios mais fortes e duradouros.
- Complemento a outros cuidados: como o CBD atua por mecanismos diferentes dos de medicamentos como o minoxidil e a finasterida, ele desperta interesse como aliado de uma rotina de cuidados capilares, sempre com orientação de um dermatologista.
O que os estudos mostram sobre o CBD e o crescimento capilar?
Um estudo publicado em 2020 avaliou folículos humanos cultivados em laboratório e identificou efeitos diferentes conforme a concentração de CBD:
- Em concentrações baixas, o CBD apresentou ação anti-inflamatória e tendência de estímulo ao alongamento dos fios. A redução da inflamação foi associada à atuação sobre receptores de adenosina.
- Em concentrações altas, houve inibição do crescimento e antecipação da fase de regressão do folículo, com participação do receptor TRPV4.
Esses achados mostram que a concentração é um fator importante para a resposta capilar: uma quantidade maior de CBD pode produzir o efeito oposto ao desejado.
Uma série de casos publicada em 2021 acompanhou 35 participantes — 28 homens e 7 mulheres — durante seis meses. Eles aplicaram diariamente no couro cabeludo uma formulação tópica com extrato de cânhamo rico em CBD, utilizando, em média, 3 a 4 mg de CBD por dia.
Os autores relataram um aumento médio de 93,5% na contagem de fios nas áreas avaliadas. A maioria dos participantes apresentou crescimento, embora a tabela do estudo registre uma pessoa sem alteração na contagem.
Em 2023, outra série de casos acompanhou 31 pessoas com alopecia androgenética por seis meses. A formulação combinava CBD, THCV e CBDV
Embora os testes clínicos apresentem resultados altamente promissores e estatisticamente significativos, a comunidade médica (como a Associação de Dermatologia) ainda defende que são necessários estudos maiores e em larga escala para que o CBD alcance o mesmo status de tratamentos padrão da FDA, como o Minoxidil ou a Finasterida.
Conclusão
As pesquisas sobre o CBD e o crescimento capilar ajudam a compreender como o sistema endocanabinoide participa do funcionamento dos folículos. Os resultados observados em laboratório e em pequenos estudos com pessoas apontam um potencial para o uso tópico e abrem perspectivas para o desenvolvimento de tratamentos contra a queda de cabelo.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico, a prescrição ou a orientação de um profissional de saúde. Nunca inicie, interrompa ou altere qualquer tratamento sem orientação médica.

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Click Cannabis:Dúvidas frequentes
Óleo de CBD e óleo de semente de cânhamo são a mesma coisa?
Não. O óleo de CBD contém canabidiol, enquanto o óleo de semente de cânhamo é extraído das sementes e não contém naturalmente quantidades relevantes desse composto.
Shampoo com cânhamo contém CBD?
Não necessariamente. Ele pode conter apenas óleo de semente de cânhamo. A palavra “cânhamo” na embalagem, sozinha, não indica a presença de canabidiol.
Tomar CBD por via oral ajuda no crescimento do cabelo?
Ainda não há benefício demonstrado para essa finalidade. Os estudos citados no artigo avaliaram a aplicação no couro cabeludo, e seus resultados não comprovam o efeito do CBD ingerido.
O CBD pode substituir o minoxidil?
Ainda não há evidência que sustente essa substituição. O minoxidil tem eficácia demonstrada para determinados tipos de queda de cabelo, enquanto o CBD permanece em investigação.
É possível usar CBD junto com outros tratamentos para calvície?
Essa associação precisa ser avaliada pelo dermatologista. Os estudos apresentados não demonstraram se acrescentar CBD ao minoxidil ou à finasterida melhora os resultados.
Existe medicamento com CBD aprovado para queda de cabelo?
Não foi identificado medicamento com CBD aprovado pela Anvisa especificamente para essa indicação. A autorização de um produto de cannabis para uso medicinal não significa aprovação de sua eficácia contra a queda capilar.
Como saber se um produto capilar contém canabidiol?
Confira se a composição informa “cannabidiol” ou “canabidiol”. Já “Cannabis sativa seed oil” significa óleo de semente de cânhamo e, sozinho, não indica que o produto contenha CBD
Referências
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