Canabidiol no tratamento de pacientes com COVID longa

- A COVID longa pode causar sintomas persistentes como fadiga, dor, névoa cerebral e alterações emocionais, impactando significativamente a qualidade de vida
- O CBD surge como terapia complementar promissora, com propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e neuroprotetoras, mas não substitui tratamentos médicos
- Estudos brasileiros (USP, Unicamp, Fiocruz) e internacionais apontam que a COVID longa exige abordagem multidisciplinar e individualizada
- O uso seguro do CBD depende de acompanhamento médico e de produtos autorizados pela Anvisa
Mesmo após a fase aguda da infecção por COVID-19, muitos pacientes continuam apresentando sintomas persistentes, condição conhecida como COVID longa (ou síndrome pós-COVID). Esses efeitos podem envolver diferentes sistemas do organismo, incluindo fadiga intensa, alterações cognitivas, dor crônica, distúrbios do sono e sintomas emocionais, exigindo acompanhamento contínuo.
Nesse contexto, o canabidiol (CBD) tem sido investigado como uma possível abordagem complementar, devido às suas propriedades anti-inflamatórias, ansiolíticas e moduladoras do sistema endocanabinoide, um sistema que participa da regulação do equilíbrio do organismo.
Aplicações terapêuticas do CBD: o que a ciência já sabe
O CBD interage com o sistema endocanabinoide, que ajuda a regular processos essenciais do corpo como dor, humor, sono e inflamação. Diferente de muitos medicamentos tradicionais, ele não atua em um único alvo, o que explica sua ampla gama de possíveis aplicações.
Distúrbios neurológicos
O CBD ganhou destaque especialmente no tratamento de epilepsias raras e de difícil controle. Em estudos clínicos, demonstrou reduzir significativamente a frequência de crises epilépticas em síndromes como Dravet e Lennox-Gastaut.
Além da epilepsia, pesquisas indicam efeitos neuroprotetores, sendo estudado em doenças como Alzheimer, Parkinson e Huntington, com potencial relacionado à redução da inflamação no sistema nervoso e ao combate ao estresse oxidativo.
Dor crônica e inflamação
A dor crônica pode ter diferentes origens: inflamação, lesões nervosas ou problemas musculares. Estudos pré-clínicos apontam que o CBD pode atuar como modulador da dor, com ação anti-inflamatória, ajudando a reduzir tanto a intensidade quanto a percepção dolorosa.
Saúde mental: ansiedade, depressão e psicose
Pesquisas indicam que o CBD pode ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e medo, atuando em regiões do cérebro ligadas ao processamento emocional. No caso da psicose, há evidências de que pode atuar com menor risco de efeitos colaterais motores. Em relação à depressão, os estudos ainda estão em fase inicial, mas apontam potencial benefício.
Dependência química
O CBD também vem sendo estudado na redução da fissura (craving) e do comportamento de busca por drogas, incluindo nicotina, opioides e álcool, possivelmente por sua atuação no sistema de recompensa do cérebro.
Sono, cognição e névoa cerebral (brain fog): o papel do CBD
Sono: melhora indireta e regulação do organismo
O uso do CBD tem sido associado à melhora da qualidade do sono, especialmente em pessoas com dificuldades relacionadas à ansiedade, dor ou estresse. O CBD não funciona como um "indutor do sono" clássico, mas pode favorecer um ambiente fisiológico mais propício ao descanso ao atuar na:
- Redução da ansiedade
- Diminuição da dor
- Modulação do ciclo sono-vigília
Controle motor e cognição
O CBD, tanto em uso agudo quanto prolongado, não demonstrou prejuízo significativo na atividade motora nem em funções cognitivas básicas. Esse dado é relevante, pois indica um bom perfil de segurança neurológica, especialmente quando comparado a medicamentos que podem causar sedação excessiva ou prejuízo cognitivo.
Memória e neuroproteção
Estudos pré-clínicos indicam que o CBD pode proteger e recuperar a função cognitiva. Em modelos animais com disfunções neurológicas, o uso do CBD foi associado à melhora de déficits de memória, possivelmente por sua capacidade de reduzir a inflamação no sistema nervoso, combater o estresse oxidativo e modular neurotransmissores.
Quais são as sequelas da COVID longa?
A COVID longa (ou síndrome pós-COVID) reúne um conjunto de sintomas que persistem por semanas ou meses após a infecção inicial. Essas manifestações variam entre as pessoas e podem afetar diferentes sistemas do organismo.
| Sequela | Sintomas | Sistema afetado |
|---|---|---|
| Fadiga persistente | Cansaço incapacitante, falta de energia | Sistêmico |
| Névoa cerebral (brain fog) | Dificuldade de memória e concentração | Neurológico |
| Dor crônica | Dores musculares e articulares | Musculoesquelético |
| Distúrbios do sono | Insônia, sono não reparador | Neurológico |
| Alterações emocionais | Ansiedade, depressão, alterações de humor | Psiquiátrico |
| Problemas respiratórios | Falta de ar, redução da capacidade respiratória | Respiratório |
| Alterações sensoriais | Perda ou alteração do olfato e paladar | Neurológico |
| Alterações cardiovasculares | Palpitações | Cardiovascular |
Fadiga persistente
Névoa cerebral (brain fog)
Dor crônica
Distúrbios do sono
Alterações emocionais
Problemas respiratórios
Alterações sensoriais
Alterações cardiovasculares
A COVID longa não segue um padrão único. Os sintomas podem surgir mesmo após casos leves de COVID-19, podem aparecer semanas após a fase aguda e variam em intensidade, duração e combinação. Esse caráter variável sugere múltiplos mecanismos envolvidos, como inflamação persistente, alterações imunológicas e impactos no sistema nervoso.
Potencial do CBD nos principais sintomas da COVID longa
| Sintoma | Como o CBD pode ajudar | Mecanismo |
|---|---|---|
| Fadiga persistente | Modulação do sistema imunológico, redução de citocinas pró-inflamatórias | Anti-inflamatório |
| Névoa cerebral (brain fog) | Propriedades neuroprotetoras, regulação da neuroinflamação | Neuroprotetor |
| Dor crônica | Interação com receptores CB1 e CB2, modulação da percepção da dor | Endocanabinoide |
| Inflamação sistêmica | Regulação da resposta imune, redução do estado inflamatório crônico | Imunomodulador |
| Ansiedade e depressão | Efeito ansiolítico, estabilização do humor | Serotoninérgico |
| Distúrbios do sono | Melhora indireta via redução de ansiedade e dor | Modulador |
Fadiga persistente
Névoa cerebral (brain fog)
Dor crônica
Inflamação sistêmica
Ansiedade e depressão
Distúrbios do sono
É importante destacar que esses efeitos são moduladores e não substituem tratamentos médicos estabelecidos.
Dia Mundial de Conscientização sobre a COVID Longa
O dia 15 de março marca o Dia Mundial de Conscientização sobre a COVID Longa, reconhecido oficialmente a partir de 2023. A data reforça a importância do diagnóstico adequado, do acompanhamento multidisciplinar e do avanço das pesquisas científicas.
O que estudos brasileiros descobriram sobre a COVID longa
No Brasil, instituições como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e centros apoiados pela FAPESP vêm investigando a COVID longa. Pesquisas identificaram:
- Relação direta entre inflamação persistente e sintomas neuropsiquiátricos (ansiedade, depressão, dificuldades cognitivas)
- Alterações em marcadores inflamatórios (citocinas e quimiocinas) associadas à manutenção dos sintomas ao longo do tempo
- Comprometimento de células cerebrais (astrócitos), o que pode explicar a perda de memória e dificuldade de concentração
- Alta prevalência de sintomas persistentes e impacto significativo na qualidade de vida (Fiocruz)
Status científico (2025-2026)
Entre 2025 e 2026, a pesquisa avançou significativamente. Programas como o RECOVER Initiative concluíram fases importantes de recrutamento, avaliando estratégias terapêuticas para fadiga persistente e brain fog.
Os dados preliminares reforçam que não há uma solução única, mas sim a necessidade de tratamentos individualizados e multidisciplinares. A COVID longa passa a ser compreendida como uma condição complexa que exige acompanhamento contínuo e integração entre diferentes especialidades da saúde.
Cuidados essenciais no uso do CBD na COVID longa
Consulta médica é indispensável
O uso de CBD deve ser sempre orientado por profissional de saúde habilitado, preferencialmente com experiência em prescrição de cannabis medicinal. A avaliação é essencial para definir dose adequada e evitar interações medicamentosas.
Origem e qualidade do produto
Recomenda-se utilizar apenas formulações de grau farmacêutico ou autorizadas pela Anvisa, garantindo controle sobre pureza, concentração de CBD e ausência de contaminantes.
Abordagem integrativa no tratamento
O CBD não deve ser encarado como solução isolada, mas como parte de uma estratégia terapêutica mais ampla, associada a fisioterapia, reabilitação cognitiva, atividade física orientada e medidas de higiene do sono.
Conclusão
A COVID longa representa um dos maiores desafios da medicina pós-pandemia. O canabidiol (CBD) surge como alternativa complementar promissora, especialmente por sua atuação na modulação da inflamação, da dor, do sistema nervoso e do equilíbrio emocional.
Embora os resultados iniciais sejam encorajadores, o CBD não substitui tratamentos convencionais, mas pode integrar estratégias terapêuticas mais amplas, sempre com orientação médica adequada. O cuidado com o paciente deve ir além do controle isolado de sintomas, priorizando uma visão global do organismo, com foco na recuperação funcional, no bem-estar e na qualidade de vida.
Referências
- SCHOUTEN, M. et al. Cannabidiol and brain function: current knowledge and future perspectives. Frontiers in Pharmacology, v. 14, 2024. DOI: 10.3389/fphar.2023.1328885.
- CÁRDENAS-RODRÍGUEZ, N. et al. Possible role of cannabis in the management of neuroinflammation in patients with post-COVID condition. International Journal of Molecular Sciences, v. 25, n. 7, 2024. DOI: 10.3390/ijms25073805.

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O que é COVID longa?
A COVID longa é uma condição em que os sintomas da infecção persistem por semanas ou meses após a fase aguda. Pode afetar diferentes sistemas do corpo, como o respiratório, neurológico e imunológico.
Quais são os sintomas mais comuns da COVID longa?
Fadiga persistente, falta de ar, dores no corpo, dificuldade de concentração (névoa cerebral/brain fog), insônia, ansiedade, depressão e alterações no paladar ou olfato.
O CBD pode curar a COVID longa?
Não. O CBD não é uma cura. Ele pode atuar como terapia complementar, ajudando no controle de sintomas como dor, ansiedade, inflamação e distúrbios do sono.
Como o CBD pode ajudar na fadiga da COVID longa?
O CBD pode contribuir indiretamente ao reduzir processos inflamatórios e melhorar fatores como sono, dor e ansiedade, que estão diretamente relacionados à sensação de cansaço persistente.
O CBD ajuda na névoa cerebral (brain fog)?
Há indícios de que o CBD pode auxiliar devido às suas propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias, que podem favorecer a função cognitiva. Ainda são necessários mais estudos clínicos em humanos.
O uso de CBD é seguro?
De forma geral, o CBD apresenta bom perfil de segurança. Pode causar efeitos leves como sonolência ou alterações gastrointestinais e deve ser usado com acompanhamento médico.
O CBD pode interagir com outros medicamentos?
Sim. O CBD pode interferir no metabolismo de alguns medicamentos, especialmente os processados pelo fígado. É essencial informar ao médico todos os remédios em uso.
Preciso de receita médica para usar CBD no Brasil?
Sim. O uso de produtos à base de cannabis deve ser feito com prescrição médica e autorização conforme as regras da Anvisa.
Quanto tempo leva para o CBD fazer efeito?
O tempo varia de pessoa para pessoa. Alguns efeitos podem ser percebidos em dias, enquanto outros podem levar semanas, dependendo da dose e do organismo.
O CBD substitui outros tratamentos para COVID longa?
Não. O CBD deve ser utilizado como parte de uma abordagem integrativa, associado a outras terapias como fisioterapia, acompanhamento psicológico e cuidados com o sono.




