O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa condição ocupa o segundo lugar entre os fatores que mais levam à perda da visão, ficando atrás apenas da catarata.
Diante da necessidade de terapias mais eficazes e seguras, o canabigerol (CBG) — um dos fitocanabinoides presentes na planta Cannabis sativa — vem ganhando destaque como uma possível inovação no cuidado com a saúde ocular, especialmente no tratamento do glaucoma.

No Brasil, estima-se que cerca de 900 mil pessoas convivam com a doença — muitas vezes sem diagnóstico, já que o glaucoma evolui de forma silenciosa e progressiva, comprometendo gradualmente o nervo óptico.
Mas como exatamente o CBG pode ajudar? Antes de explorar suas propriedades terapêuticas, é essencial entender o que é o glaucoma e de que forma ele afeta a visão.
O glaucoma é uma doença ocular crônica que compromete diretamente o nervo óptico — estrutura essencial para a visão, responsável por transmitir os impulsos captados pela retina até o cérebro.
Essa condição está geralmente relacionada à perda progressiva das células da retina, o que pode reduzir o campo visual ao longo do tempo e, nos casos mais avançados, levar à cegueira.

Um dos principais fatores de risco para o surgimento do glaucoma é a elevação da pressão intraocular.
A pressão intraocular elevada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma, pois pode comprometer a integridade do nervo óptico ao longo do tempo. No entanto, é importante entender que o diagnóstico da doença não depende apenas da medição dessa pressão.
Não existe um valor exato de pressão ocular que, por si só, determine a presença ou ausência do glaucoma. Algumas pessoas podem desenvolver a doença mesmo apresentando níveis de pressão considerados normais — o chamado glaucoma de pressão normal. Por outro lado, há indivíduos com pressão ocular acima da média que nunca chegam a manifestar danos no nervo óptico — uma condição conhecida como hipertensão ocular.
Essas variações mostram que a suscetibilidade ao dano ocular causado pela pressão interna varia de pessoa para pessoa.
O glaucoma é considerado uma doença silenciosa, especialmente em seus estágios iniciais, quando não apresenta sintomas perceptíveis. Por isso, muitas pessoas só descobrem o problema quando ele já está em fase mais avançada.
Um dos primeiros sinais é a perda da visão periférica — aquela que nos permite enxergar ao redor, fora do foco central. No início, essa perda pode ser sutil e passar despercebida. Com o tempo, ela se acentua e pode evoluir para a chamada “visão tubular”, quando o paciente enxerga apenas o que está diretamente à sua frente, como se olhasse por dentro de um tubo.
Essa alteração costuma se tornar evidente quando a pessoa começa a tropeçar com frequência, esbarrar em objetos ou ter dificuldade para se locomover, justamente pela ausência da visão lateral. Sem tratamento, o campo de visão vai se estreitando cada vez mais, até comprometer de forma significativa a qualidade de vida.
Por isso, é fundamental procurar um oftalmologista ao perceber qualquer mudança na visão. O diagnóstico precoce é a melhor forma de preservar a visão e evitar danos irreversíveis.
Pesquisas iniciais sugerem que o CBG pode contribuir de forma significativa no manejo da doença por meio de três mecanismos principais:
Esses efeitos são, em grande parte, mediados pela ativação dos receptores canabinoides do tipo CB1, especialmente em regiões oculares sensíveis à regulação da pressão intraocular e da inflamação.
Para entender melhor como o CBG exerce essas ações, é preciso observar sua interação com o sistema endocanabinoide — uma rede complexa que participa da manutenção do equilíbrio interno do organismo.
O canabigerol (CBG) exerce seus efeitos terapêuticos ao interagir com os dois principais receptores do sistema endocanabinoide: os receptores CB1 e CB2.
O CBG se liga a esses receptores de forma mais sutil que outros canabinoides, como o THC. Ao contrário do THC, que pode causar efeitos psicoativos por ativar fortemente os receptores CB1 no cérebro, o CBG não altera o estado de consciência e, por isso, não é considerado psicoativo.
Embora seus efeitos sejam geralmente mais suaves do que os do canabidiol (CBD), o CBG vem demonstrando grande potencial terapêutico, especialmente por sua capacidade de modular a inflamação, proteger neurônios e interagir com outros receptores além dos canabinoides, como os do tipo TRP (transient receptor potential), envolvidos na dor e na regulação da temperatura.
Embora o CBG tenha se destacado por seu potencial no tratamento do glaucoma, suas propriedades terapêuticas se estendem a diversas outras áreas da saúde. Estudos pré-clínicos indicam que esse fitocanabinoide pode atuar em condições neurológicas, inflamatórias, infecciosas e até oncológicas, ampliando significativamente seu campo de aplicação clínica.
Confira algumas das principais propriedades já observadas:
Um estudo publicado por Tomida et al. (2004) no British Journal of Ophthalmology, intitulado Cannabinoids and glaucoma, analisou os efeitos de diferentes canabinoides — incluindo o canabigerol (CBG) — sobre a pressão intraocular e o nervo óptico.
Os resultados demonstraram que compostos como o CBG apresentaram efeito hipotensor ocular em modelos animais, especialmente por facilitarem o escoamento do humor aquoso, fluido essencial para a regulação da pressão dentro do olho.
Outro trabalho relevante, intitulado Ocular Conditions and the Endocannabinoid System e disponível na plataforma SpringerLink, aborda a influência do sistema endocanabinoide (SEC) em diversas condições oftalmológicas, com ênfase especial no glaucoma.
O estudo explora como a ativação dos receptores canabinoides CB1 e CB2, presentes nos tecidos oculares, pode modular processos fisiológicos fundamentais — como a produção e a drenagem do humor aquoso —, impactando diretamente na pressão intraocular (PIO). Além disso, destaca os potenciais efeitos neuroprotetores dos canabinoides, sugerindo que a modulação do SEC pode trazer benefícios em doenças oculares de caráter degenerativo.
O capítulo também chama atenção para as limitações do uso clínico dos canabinoides, especialmente do tetrahidrocanabinol (THC), ressaltando a necessidade de estudos mais robustos que comprovem sua eficácia e segurança em comparação às terapias oftalmológicas convencionais.
A conclusão da obra reconhece o potencial terapêutico dos canabinoides, em especial pela atuação nos receptores CB1 e CB2, mas reforça que as evidências ainda são preliminares, baseadas principalmente em pesquisas pré-clínicas com modelos animais ou em estudos in vitro.
A seguir, destacam-se os principais estudos disponíveis até o momento:
1.Estudo de Mosaed et al. (2021)
Este ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou os efeitos da cannabis inalada na PIO de adultos saudáveis. Os resultados indicaram uma redução significativa da PIO, porém de curta duração — entre 2 a 4 horas.
No entanto, o uso da cannabis também resultou em efeitos colaterais sistêmicos, como taquicardia e alterações na pressão arterial, o que limita seu potencial de aplicação clínica, especialmente em pacientes com doenças cardiovasculares ou em uso contínuo de medicamentos.
2.Estudo de Tomida et al. (2006)
Neste estudo piloto, seis pacientes com hipertensão ocular ou glaucoma de ângulo aberto em estágio inicial receberam doses sublinguais de Δ9-THC e CBD.
O Δ9-THC demonstrou capacidade de reduzir temporariamente a PIO, enquanto o CBD não apresentou efeito significativo. Curiosamente, em doses mais elevadas, o CBD chegou a aumentar a pressão intraocular em alguns pacientes.
Os autores destacaram a necessidade de mais estudos controlados para compreender os mecanismos envolvidos e os potenciais riscos do uso de diferentes canabinoides em pacientes com glaucoma.
3.Revisão sistemática de Joshi et al. (2024)
Em uma análise abrangente da literatura científica, os autores concluíram que, embora existam evidências de que alguns canabinoides podem reduzir a PIO, os efeitos são de curta duração, e ainda não há formulações oculares bem estabelecidas para uso clínico seguro e eficaz.
A revisão ressalta que, até o momento, as evidências disponíveis são insuficientes para recomendar o uso rotineiro de canabinoides no tratamento do glaucoma.
O CBG (canabigerol) tem se destacado como um composto promissor no campo da oftalmologia, especialmente no enfrentamento do glaucoma — uma doença silenciosa e progressiva que compromete a visão de milhões de pessoas em todo o mundo.
Sua capacidade de atuar na redução da pressão intraocular, somada ao potencial neuroprotetor e anti-inflamatório, oferece uma nova perspectiva terapêutica, sobretudo para pacientes que não respondem de forma satisfatória aos tratamentos convencionais.
Por não ser psicoativo, o CBG apresenta um perfil de segurança considerado favorável, o que o torna uma alternativa interessante para quem busca opções naturais com menor risco de efeitos colaterais cognitivos.
Ainda assim, é importante reconhecer que as evidências sobre sua segurança e eficácia em humanos ainda são limitadas. Não se pode descartar possíveis riscos, especialmente em populações mais vulneráveis — como gestantes, idosos ou pessoas com condições crônicas — ou quando utilizado em associação com outros medicamentos.
Por isso, o uso do CBG deve sempre ser acompanhado por orientação médica, considerando as características e necessidades individuais de cada paciente, bem como a possibilidade de interações medicamentosas.
Vale reforçar que o CBG não substitui os tratamentos tradicionais para o glaucoma, como os colírios à base de prostaglandinas ou betabloqueadores, que seguem sendo a primeira escolha recomendada pelas diretrizes médicas atuais.

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