De norte a sul do país, cresce o número de pacientes que encontram na cannabis medicinal uma alternativa eficaz para tratar epilepsia, dor crônica, ansiedade, autismo e doenças neurodegenerativas. O avanço é inegável — mas ainda há um obstáculo que precisa ser superado: a falta de preparo técnico e de informação adequada entre os profissionais de saúde.
Enquanto o debate público amadurece e a legislação se expande, muitos médicos, farmacêuticos e gestores ainda se sentem inseguros para prescrever, orientar ou implementar políticas de acesso no sistema público. Essa lacuna educacional revela um ponto crucial: o conhecimento sobre a cannabis medicinal ainda caminha mais devagar que a demanda dos pacientes.

Prescrever cannabis medicinal exige mais do que boa vontade ou empatia. É necessário compreender o sistema endocanabinoide, suas interações com o organismo, os tipos de extratos (full spectrum, broad spectrum e isolados), as concentrações de canabinoides, bem como as indicações terapêuticas e contraindicações.
Entretanto, a maioria dos cursos de medicina e farmácia no país ainda não inclui o tema em suas grades curriculares. O resultado é uma geração de profissionais que, mesmo bem-intencionados, se depara com um tratamento promissor sem a base científica necessária para aplicá-lo de forma segura.
Sem formação adequada, pacientes acabam enfrentando resistência ou desinformação — o que pode atrasar o início de terapias eficazes e, em alguns casos, levá-los a buscar orientação fora do ambiente clínico, expondo-se a riscos evitáveis.
A educação médica continuada e o acesso a materiais de referência, como guias clínicos, protocolos de prescrição e cartilhas elaboradas por instituições de pesquisa, são fundamentais para mudar esse cenário.
Experiências pioneiras, como a Cartilha da Cannabis Medicinal de Santa Catarina, mostram que é possível alinhar ciência, legislação e prática clínica, oferecendo segurança jurídica e respaldo técnico aos profissionais da saúde.
Ensinar sobre cannabis medicinal não deve se restringir à farmacologia. É também abordar ética, empatia, escuta ativa e compromisso com a ciência. Cuidar, nesse contexto, é aprender continuamente — reconhecendo que o conhecimento salva tanto quanto o tratamento em si.
Com o avanço das pesquisas e a regulamentação pela Anvisa (RDC nº 327/2019), o Brasil dá passos importantes rumo a uma medicina mais integrativa e personalizada. Mas o verdadeiro progresso virá quando todos os profissionais envolvidos no cuidado — médicos, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos e gestores — estiverem capacitados para compreender e aplicar esse conhecimento de forma segura.
Enquanto a ciência avança, ensinar sobre cannabis medicinal é também ensinar sobre humanidade: sobre o direito de cada paciente de receber um tratamento digno, eficaz e respaldado por evidências.
O que ainda falta ensinar a quem cuida é que a cannabis medicinal não é uma promessa distante, mas uma realidade científica que exige preparo, sensibilidade e responsabilidade. Somente com informação acessível, capacitação técnica e diálogo aberto entre ciência e sociedade o Brasil poderá garantir que ninguém fique sem tratamento por falta de conhecimento.

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