A dor é uma experiência complexa, multifatorial e profundamente individual. Embora se manifeste como sintoma em diversas condições clínicas, a dor aguda e a dor crônica configuram fenômenos distintos, com mecanismos fisiopatológicos próprios, impactos funcionais específicos e desafios terapêuticos singulares. Compreender essas diferenças é fundamental para uma abordagem clínica eficaz, precisa e verdadeiramente humanizada.

A dor aguda é um importante mecanismo de defesa do organismo. Surge de forma súbita como um sinal de alerta diante de uma lesão, inflamação ou doença, cumprindo uma função biológica protetiva ao indicar um dano recente ou iminente. Em geral, apresenta duração limitada, podendo variar de minutos a semanas, e não ultrapassa seis meses.

Costuma manifestar-se de maneira repentina e intensa, sendo frequentemente bem localizada, o que facilita a identificação de sua causa. Entre as causas mais comuns estão lesões musculares, contusões, cortes, procedimentos cirúrgicos, infecções, processos inflamatórios e cólicas, como as menstruais ou intestinais.
Quando adequadamente tratada, a dor aguda tende a regredir à medida que o fator desencadeante é resolvido. No entanto, a ausência de tratamento ou o manejo inadequado podem levar à sensibilização do sistema nervoso, aumentando o risco de evolução para dor crônica, com impacto mais duradouro sobre a funcionalidade e a qualidade de vida.
A dor crônica é aquela que dura por um longo período, geralmente mais de três a seis meses, mesmo depois do tempo esperado para o corpo se recuperar de uma lesão. Diferentemente da dor aguda, que surge como um alerta e tende a desaparecer, a dor crônica pode continuar por conta própria, passando a ser considerada uma condição de saúde em si, e não apenas um sintoma.

Esse tipo de dor afeta uma parcela significativa da população — cerca de 30% das pessoas no mundo — e pode interferir de forma importante no dia a dia, prejudicando o sono, o humor, a disposição e a qualidade de vida.
Entre as causas mais comuns estão doenças como fibromialgia, artrose, artrite reumatoide, dor nos nervos (dor neuropática), dores na coluna, especialmente lombalgia, e dores relacionadas ao câncer. Em muitos casos, a dor continua mesmo depois que a lesão inicial já cicatrizou, porque o sistema nervoso passa a interpretar estímulos de forma exagerada.
De maneira simplificada, a dor crônica pode acontecer por três motivos principais:
O tratamento da dor apresenta desafios distintos conforme sua natureza e duração. Na dor aguda, o objetivo principal é identificar e tratar a causa subjacente, promovendo alívio rápido e prevenindo complicações. Quando manejada de forma adequada, a dor aguda tende a regredir à medida que o processo inflamatório ou a lesão se resolve. No entanto, o tratamento inadequado ou tardio pode favorecer a sensibilização do sistema nervoso, aumentando o risco de cronificação da dor.
Já na dor crônica, o desafio terapêutico é mais complexo. A dor deixa de ser apenas um sinal de alerta e passa a se configurar como uma condição de saúde autônoma, frequentemente mantida por mecanismos centrais de amplificação da dor, inflamação persistente e fatores emocionais associados. Nesses casos, a simples supressão do sintoma, por meio de analgésicos convencionais, mostra-se muitas vezes insuficiente.
Outro desafio relevante é o impacto da dor crônica sobre múltiplas dimensões da vida do paciente. Alterações do sono, ansiedade, depressão, redução da funcionalidade e limitação social influenciam diretamente a percepção dolorosa e a resposta ao tratamento. Esse ciclo dificulta o controle da dor e exige intervenções que vão além da abordagem exclusivamente farmacológica.
Diante desse cenário, o manejo eficaz da dor crônica demanda uma abordagem contínua e multidisciplinar, capaz de integrar tratamento medicamentoso, reabilitação física, suporte psicológico e estratégias complementares. O principal desafio, portanto, não é apenas reduzir a intensidade da dor, mas melhorar a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida do paciente, respeitando a complexidade do fenômeno doloroso.
O tratamento da dor varia conforme sua duração, causa e impacto na vida da pessoa. Enquanto a dor aguda funciona como um sinal de alerta do organismo e tende a desaparecer com a resolução do problema, a dor crônica exige um cuidado contínuo e mais abrangente. Ainda assim, muitas estratégias podem ser utilizadas em ambas, com objetivos diferentes.
Na dor aguda, os medicamentos visam aliviar a dor de forma rápida, tratando a causa sempre que possível. Já na dor crônica, o uso de medicamentos busca reduzir a intensidade da dor e melhorar a funcionalidade, muitas vezes com fármacos que atuam no sistema nervoso, além dos analgésicos tradicionais.
Na dor aguda, a fisioterapia ajuda na recuperação da lesão e na prevenção de novas sobrecargas. Na dor crônica, o foco é manter o corpo em movimento, reduzir a rigidez, melhorar a força muscular e recuperar a autonomia, mesmo quando a dor persiste.
O movimento é importante em ambas as situações. Na dor aguda, os exercícios são introduzidos de forma gradual, respeitando o processo de recuperação. Na dor crônica, a atividade física regular é parte essencial do tratamento, contribuindo para a redução da dor, melhora do humor e da qualidade de vida.
Na dor aguda, o suporte emocional pode ajudar a lidar com o estresse e o medo associados à dor. Na dor crônica, a psicoterapia tem papel central, auxiliando no enfrentamento do sofrimento emocional, da ansiedade, da depressão e do impacto da dor no cotidiano.
Práticas como acupuntura, técnicas de relaxamento, meditação e respiração consciente podem ser úteis tanto na dor aguda quanto na dor crônica, como complemento ao tratamento principal, ajudando no alívio da dor e no bem-estar geral.
Nos dois tipos de dor, o acompanhamento por diferentes profissionais de saúde pode trazer melhores resultados. Essa integração é especialmente importante na dor crônica, que exige um olhar ampliado sobre o corpo, a mente e o contexto de vida do paciente.
O canabidiol (CBD) não atua como um analgésico clássico, que bloqueia a dor de forma direta e pontual. Seu efeito ocorre de maneira regulatória, interferindo nos mecanismos biológicos que mantêm a dor ativa ao longo do tempo. Por isso, sua ação é especialmente relevante em quadros de dor crônica, nos quais há desregulação do sistema nervoso, inflamação persistente e alterações emocionais associadas.
Os principais mecanismos envolvidos são:
Em muitas dores crônicas — como dores articulares, musculares, viscerais e inflamatórias — há um processo inflamatório contínuo que mantém a ativação dos nociceptores (receptores da dor). O CBD pode reduzir a liberação de mediadores inflamatórios e modular células do sistema imune, contribuindo para a diminuição do estado inflamatório de base, o que ajuda a reduzir a intensidade e a recorrência da dor ao longo do tempo.
O sistema endocanabinoide participa diretamente do controle da dor, do humor, da resposta ao estresse e da manutenção do equilíbrio fisiológico (homeostase). Em pessoas com dor crônica, esse sistema costuma funcionar de forma desregulada, favorecendo a amplificação do estímulo doloroso. O CBD atua modulando esse sistema, ajudando a restaurar o equilíbrio das vias envolvidas na percepção da dor, sem provocar efeitos psicoativos.
Na dor crônica, especialmente nas dores neuropáticas e nociplásticas, o sistema nervoso torna-se hiperreativo. Estímulos leves passam a ser interpretados como dolorosos, e a dor persiste mesmo sem lesão ativa. O CBD pode atuar reduzindo essa hiperexcitabilidade neuronal, atenuando a resposta exagerada do sistema nervoso e diminuindo a amplificação central da dor.
Fatores emocionais e distúrbios do sono têm impacto direto na percepção da dor. Ansiedade, estresse crônico e insônia reduzem o limiar de tolerância dolorosa e dificultam a recuperação. Ao contribuir para a redução da ansiedade e a melhora da qualidade do sono, o CBD atua de forma indireta, mas relevante, diminuindo a percepção subjetiva da dor e favorecendo uma resposta terapêutica mais ampla.
As evidências científicas disponíveis indicam que o uso do canabidiol (CBD) apresenta maior potencial terapêutico em determinados quadros de dor crônica, especialmente aqueles associados à inflamação persistente, à disfunção do sistema nervoso e à sensibilização central. Os principais contextos nos quais os estudos sugerem benefício são:
O canabidiol (CBD) é, em geral, bem tolerado, mas pode causar efeitos como sonolência e apresentar interações com outros medicamentos. Por essa razão, seu uso deve ser feito de forma responsável, sempre de maneira individualizada, com início em doses baixas e ajuste gradual conforme a resposta do organismo. O acompanhamento por um profissional de saúde é fundamental para garantir segurança, eficácia e adequação ao contexto clínico de cada pessoa.
A distinção entre dor aguda e dor crônica é essencial para compreender não apenas seus mecanismos fisiopatológicos, mas também os desafios específicos que cada uma impõe ao tratamento. A dor aguda exerce uma função protetiva, atuando como sinal de alerta diante de uma lesão ou disfunção, e tende a cessar com a identificação e correção da causa subjacente.
A dor crônica, por sua vez, ultrapassa esse papel inicial e se estabelece como uma condição de saúde complexa, sustentada por interações entre fatores biológicos, emocionais e funcionais, com impacto significativo na qualidade de vida.
Nesse cenário, o canabidiol (CBD) desponta como uma estratégia terapêutica complementar promissora. Sua atuação moduladora sobre processos inflamatórios, o sistema endocanabinoide, a sensibilização neural e fatores associados — como ansiedade e distúrbios do sono — permite que o CBD seja incorporado ao cuidado de forma adjuvante. Embora não substitua os tratamentos convencionais, pode contribuir de maneira relevante, especialmente em quadros de dor crônica de difícil controle.

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