CanabinoidesTHCTHC

O que é Dronabinol? Tudo sobre o medicamento à base de THC sintético

6 min de leitura

Neste artigo, você vai entender para que o dronabinol é indicado, quais são seus usos off-label e em estudo e como ele se diferencia da nabilona, outro canabinoide sintético.

Ilustração editorial sobre dronabinol.
  • O dronabinol tem dois efeitos terapêuticos principais: ação antiemética, que reduz náuseas e vômitos, e estímulo do apetite.
  • O dronabinol não é comercializado no Brasil, e o acesso depende de importação excepcional, com prescrição médica e autorização prévia da Anvisa.
  • Álcool, calmantes, sedativos e outros depressores do sistema nervoso potencializam os efeitos do dronabinol.
  • O uso não é recomendado durante a gestação e a amamentação.

O dronabinol é a forma sintética do delta-9-tetraidrocanabinol (THC), o principal composto psicoativo da Cannabis sativa. Embora tenha a mesma estrutura química da molécula encontrada na planta, ele não é extraído dela, e sim produzido inteiramente em laboratório. Isso garante um princípio ativo puro, em dose exata e padronizada, sem a variação de concentração e a presença de outros canabinoides típicas da planta in natura.

Comercializado sob nomes como Marinol® (cápsulas) e Syndros® (solução oral), o dronabinol é um medicamento controlado, cujo uso exige prescrição médica e acompanhamento médico.

Para que o dronabinol é indicado?

O dronabinol tem duas indicações aprovadas em bula:

  • Náuseas e vômitos causados pela quimioterapia: voltado a pacientes com câncer que sofrem com enjoos e vômitos intensos durante o tratamento e que não obtiveram alívio adequado com os antieméticos convencionais.
  • Perda de apetite e de peso associada ao HIV/AIDS: usado no tratamento da anorexia (perda acentuada de apetite) que acompanha o emagrecimento em pessoas que vivem com HIV ou AIDS. Ao estimular o apetite, ajuda o paciente a ganhar ou manter peso.

Dronabinol: usos off-label e tratamentos em estudo

Além das indicações aprovadas, a prática médica admite o chamado uso off-label, em que o médico prescreve um medicamento para condições que não constam na bula. Essa decisão cabe ao profissional, que avalia as evidências científicas disponíveis e os riscos e benefícios para cada paciente.

No caso do dronabinol, os principais usos alternativos e linhas de pesquisa incluem:

1. Dor crônica e neuropática
O THC sintético atua sobre os receptores canabinoides do sistema nervoso central, modulando a forma como o cérebro processa os sinais de dor. Por isso, vem sendo avaliado em pacientes com dor crônica intensa, dor neuropática (causada por lesão nos nervos) ou fibromialgia, geralmente como complemento quando os analgésicos convencionais não trazem alívio suficiente.

2. Apneia obstrutiva do sono
Estudos clínicos de fase 2 indicaram que o dronabinol pode reduzir o número de pausas respiratórias durante a noite, possivelmente por influenciar os sinais nervosos que controlam a musculatura das vias aéreas superiores.

3. Espasticidade na esclerose múltipla
Pacientes com esclerose múltipla frequentemente convivem com rigidez muscular e espasmos dolorosos. Em estudos clínicos, muitos relataram melhora da espasticidade e da qualidade de vida com o uso de canabinoides.

4. Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)

No TEPT, a amígdala, região do cérebro ligada ao medo, tende a ficar hiperativa, o que contribui para sintomas como estado de alerta constante, sustos exagerados e flashbacks. Em doses baixas e controladas, o dronabinol vem sendo estudado por sua capacidade de reduzir essa reatividade e de facilitar a chamada “extinção do medo”, processo em que o cérebro aprende a não reagir com pânico a lembranças traumáticas.

Qual a diferença entre dronabinol e nabilona?

Embora o dronabinol e a nabilona sejam canabinoides sintéticos usados no tratamento de náuseas e vômitos causados pela quimioterapia, eles não são o mesmo medicamento.

O dronabinol é uma cópia exata do THC da planta: a mesma substância, só que feita em laboratório. A nabilona foi criada a partir do modelo do THC, mas teve sua estrutura química modificada. É uma substância nova, que não existe na natureza.

Uma comparação simples: os dois são “parentes” do THC. O dronabinol seria um gêmeo idêntico, e a nabilona, um primo com traços em comum, mas com características próprias.

Essa diferença na estrutura muda o comportamento de cada um no organismo:

1. Tempo no organismo (meia-vida)

O dronabinol tem meia-vida de eliminação entre 25 e 36 horas, ou seja, esse é o tempo que o organismo leva para eliminar metade da dose. Como se acumula no tecido gorduroso e é liberado aos poucos, pode levar cerca de uma semana para sair quase totalmente do corpo.

Já a nabilona é metabolizada rapidamente, e a molécula original tem meia-vida de cerca de 2 horas. Seus metabólitos, porém, permanecem no corpo por muito mais tempo, cerca de 35 horas.

2. Estrutura química
O dronabinol tem exatamente a mesma molécula do THC encontrado na cannabis. A nabilona é um análogo sintético, ou seja, uma molécula criada em laboratório a partir do modelo do THC, com modificações em sua estrutura.

3. Potência e absorção

A nabilona é mais potente e quase totalmente absorvida por via oral, o que permite usá-la em doses menores, de 1 a 2 mg. O dronabinol, por outro lado, passa por uma metabolização intensa no fígado antes de chegar à circulação, e apenas 10% a 20% da dose ingerida chega a agir no organismo. Por isso, suas doses costumam ser maiores, entre 2,5 e 10 mg.

Confira, na tabela abaixo, as principais diferenças entre os dois medicamentos:

Característica

Nomes comerciais

Característica

Marinol e Syndros

Característica

Cesamet

Característica

Molécula

Característica

THC sintético, idêntico ao da planta

Característica

Análogo sintético do THC

Característica

Meia-vida

Característica

Aproximadamente 25–36 horas

Característica

Aproximadamente 2 horas; metabólitos: cerca de 35 horas

Característica

Indicações da bula

Característica

Náuseas e vômitos refratários da quimioterapia; perda de apetite associada à perda de peso na AIDS

Característica

Náuseas e vômitos refratários da quimioterapia

Característica

Apresentação

Característica

Cápsulas ou solução oral

Característica

Cápsulas

Quais são os possíveis efeitos colaterais do dronabinol?

Grande parte dos efeitos adversos do dronabinol está ligada à ação do THC no sistema nervoso central, e eles costumam ser mais intensos no início do tratamento ou com doses maiores. Veja os principais:

  • Mais comuns: sonolência, tontura, euforia, alterações no pensamento, desconfiança excessiva (reação paranoide), dor abdominal, náuseas e vômitos.
  • Outros efeitos relatados nos estudos clínicos: fraqueza, palpitações, aceleração dos batimentos cardíacos, vermelhidão no rosto, falhas de memória, ansiedade, falta de coordenação, confusão mental, sensação de estranhamento de si mesmo e alucinações.

Conclusão

O dronabinol ocupa um lugar particular entre os medicamentos derivados da cannabis: oferece os efeitos do THC com a previsibilidade de um fármaco convencional, o que facilita o controle da dose e o acompanhamento dos resultados. Essa característica faz dele uma ferramenta útil em situações bem definidas pelo médico.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico, a prescrição ou a orientação de um profissional de saúde. Nunca inicie, interrompa ou altere qualquer tratamento sem orientação médica.

Imagem do Banner

Agende sua consulta

Agende sua primeira consulta na Click por apenas R$50 e converse com nossos médicos especialistas hoje mesmo.

Dúvidas frequentes

Como comprar dronabinol no Brasil com receita médica?

O dronabinol não tem registro na Anvisa e não é vendido em farmácias brasileiras. O acesso é feito por importação excepcional, com prescrição, laudo médico e autorização prévia da Anvisa.

Qual é a diferença entre dronabinol e óleo de canabidiol (CBD)?

O dronabinol é THC sintético, com efeito psicoativo, usado principalmente para náuseas e falta de apetite. O CBD não causa o “barato” do THC, tem outras indicações e pode ser comprado em farmácias com receita.

O dronabinol serve para ganhar peso e estimular o apetite?

Sim, ele é aprovado para estimular o apetite em pessoas com HIV/AIDS que perderam peso. O ganho de peso costuma ser modesto, e o uso não é indicado para quem apenas deseja engordar.

O dronabinol pode causar euforia ou alterações na percepção?

Sim, principalmente no início do tratamento ou em doses maiores. Por isso, a pessoa deve evitar dirigir até saber como o medicamento o afeta.

Idosos podem tomar dronabinol para falta de apetite ou náuseas?

Podem, com acompanhamento médico e doses iniciais mais baixas. Idosos são mais sensíveis a tontura, confusão e queda de pressão, o que aumenta o risco de quedas.

Quem não deve tomar dronabinol e quais são as contraindicações?

O medicamento é contraindicado para quem tem alergia a canabinoides ou ao óleo de gergelim, presente nas cápsulas de Marinol®. O uso exige cautela em casos de transtornos psiquiátricos, convulsões ou doenças cardíacas, e não é recomendado na gestação e na amamentação.

O dronabinol pode causar dependência durante o tratamento?

O risco existe, mas é baixo nas doses terapêuticas e maior em pessoas com histórico de abuso de substâncias. A suspensão deve ser feita com orientação médica, para evitar sintomas como irritabilidade e insônia.

Referências

CARLEY, D. W. et al. Pharmacotherapy of apnea by cannabimimetic enhancement, the PACE clinical trial: effects of dronabinol in obstructive sleep apnea. Sleep, v. 41, n. 1, zsx184, 2018.

RAMAR, K. et al. Medical cannabis and the treatment of obstructive sleep apnea: an American Academy of Sleep Medicine position statement. Journal of Clinical Sleep Medicine, v. 14, n. 4, p. 679-681, 2018.

SCHIMRIGK, S. et al. Dronabinol is a safe long-term treatment option for neuropathic pain patients. European Neurology, v. 78, n. 5-6, p. 320-329, 2017.

U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Marinol (dronabinol) capsules: prescribing information. Silver Spring: FDA.

ZAJICEK, J. et al. Cannabinoids for treatment of spasticity and other symptoms related to multiple sclerosis (CAMS study): multicentre randomised placebo-controlled trial. The Lancet, v. 362, n. 9395, p. 1517-1526, 2003.

Contribuidores:

Andrea Vieira

Andrea Vieira

Ver perfil

Ver mais artigos

Ilustração em verde com planta, vidrarias de laboratório, frasco medicinal e cápsula, representando diferentes origens do THC.
THCTHC

THC sintético ou derivado da cannabis: o que muda no tratamento?

09/10/2026

6 min de leitura

Leia mais sobre
Ilustração conceitual da transformação de um fitocanabinoide ácido em sua forma neutra, com liberação de um grupo molecular.
Canabinoides

Estrutura química dos canabinoides: o que muda na resposta terapêutica

07/10/2026

8 min de leitura

Leia mais sobre
Ilustração de uma cápsula verde diante de um microscópio e vidraria de laboratório, representando o desenvolvimento da nabilona.
Canabinoides

Nabilona: conheça o medicamento com ação semelhante ao THC

04/10/2026

10 min de leitura

Leia mais sobre
THC x CBD: qual é a diferença? Efeitos e benefícios
CBDCBD
THCTHC

THC x CBD: qual é a diferença? Efeitos e benefícios

03/10/2026

10 min de leitura

Leia mais sobre
Ilustração em tons de verde de uma figura humana cercada por cápsula, frasco de óleo com conta-gotas e aplicação de pomada na pele.
THCTHC
CBDCBD

Como a via de administração afeta os efeitos da Cannabis Medicinal

25/09/2026

7 min de leitura

Leia mais sobre

Inscreva-se na nossa Newsletter

Receba novidades, dicas e conteúdos exclusivos no seu e-mail.