O uso medicinal da cannabis tem se expandido rapidamente em todo o mundo, com aplicações que vão desde o tratamento da dor crônica até distúrbios como epilepsia, ansiedade e problemas do sono.
Para que os benefícios terapêuticos sejam alcançados com segurança, é fundamental compreender como os compostos canabinoides — especialmente o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol) — se comportam no organismo. Esse estudo é conhecido como farmacocinética.
Entre os diversos fatores que influenciam a resposta clínica, a via de administração exerce um papel determinante: ela afeta diretamente a quantidade de substância absorvida, a velocidade com que os efeitos se manifestam e a duração da ação terapêutica.

A farmacocinética é o ramo da farmacologia que estuda o percurso de uma substância no organismo — desde o momento em que é administrada até sua eliminação. Esse caminho é representado pela sigla ADME, que reúne quatro etapas fundamentais:
No caso da cannabis medicinal, a farmacocinética de seus principais compostos — como o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol) — pode variar de forma significativa dependendo da via de administração utilizada.
Isso acontece porque cada forma de uso (oral, sublingual, inalatória, tópica, entre outras) interfere diretamente no tempo de início dos efeitos, na duração da ação e na biodisponibilidade — ou seja, na quantidade de substância que realmente chega à circulação e exerce efeito terapêutico.
Entender esses processos é essencial para ajustar corretamente a forma e a dose de uso da cannabis, personalizar o tratamento, otimizar os resultados clínicos e minimizar possíveis efeitos adversos.
A cannabis medicinal pode ser administrada de diferentes formas, e cada uma delas afeta o início, a intensidade e a duração dos efeitos terapêuticos. Essas vias são agrupadas em quatro categorias principais: inalatória, oral, tópica e mucosa.
Atualmente, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamenta a importação e o uso de produtos à base de cannabis exclusivamente na forma de óleos — geralmente administrados por via sublingual ou oral — e mediante prescrição médica.
A forma como a cannabis medicinal é administrada interfere diretamente na forma como o corpo absorve seus compostos, bem como na intensidade e duração dos efeitos terapêuticos.
Essa variação ocorre porque fatores como a solubilidade dos canabinoides em gordura (lipofilicidade), as características do organismo da pessoa e a forma como o produto é consumido influenciam na quantidade efetivamente absorvida e aproveitada pelo organismo.
Entre os principais fatores que afetam essa absorção, destacam-se:
1.O papel do estado nutricional e da alimentação
Quando a cannabis é ingerida por via oral (em cápsulas, óleos ou comestíveis), o estado nutricional faz diferença.
Ingerir o produto em jejum geralmente reduz a absorção, enquanto o consumo junto com alimentos — especialmente ricos em gordura — tende a aumentar a eficácia, pois o CBD e outros canabinoides se dissolvem melhor em gordura do que em água.
Já nas formas sublingual e tópica, esse fator (estar alimentado ou em jejum) não interfere significativamente.
2.A importância da formulação
Outro aspecto essencial é o tipo de excipiente — a substância que acompanha o princípio ativo na fórmula. O canabidiol (CBD), por exemplo, tem baixa solubilidade em água e alta afinidade por gordura. Isso significa que sua absorção intestinal melhora quando é formulado com óleos apropriados.
Estudos demonstraram que preparações orais de CBD contendo óleo de semente de gergelim, por exemplo, aumentam a biodisponibilidade do composto — especialmente quando consumidas em jejum.
Esse dado ressalta o quanto a escolha da formulação influencia nos resultados clínicos do tratamento.
A farmacocinética dos canabinoides é intrinsecamente complexa, modulada por múltiplos fatores individuais como o metabolismo hepático, variações genéticas, composição da microbiota intestinal e possíveis interações medicamentosas.
Diante dessa variabilidade, a escolha da via de administração e o ajuste da dose devem ser cuidadosamente personalizados.
Para garantir eficácia terapêutica e segurança no tratamento, o uso da cannabis medicinal deve sempre ser orientado por um profissional de saúde qualificado, dentro de uma conduta individualizada, embasada em evidências científicas e com monitoramento contínuo.

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