Fitocanabinoides são compostos bioativos produzidos pela Cannabis sativa, como CBD, THC, CBG, CBN e CBC. Cada um apresenta características próprias e níveis diferentes de evidência científica.

- Na planta fresca, os fitocanabinoides predominam em formas ácidas, como THCA e CBDA, que podem ser convertidas em formas neutras pela descarboxilação.
- Esses compostos podem interagir de maneiras diferentes com o sistema endocanabinoide e outras vias biológicas.
- CBD e THC concentram a maior parte das evidências; para CBG, CBN, CBC e outros canabinoides menores, os estudos clínicos ainda são limitados.
- A composição deve ser verificada no rótulo e no certificado de análise, e sua interpretação para uso medicinal requer orientação profissional.
Os fitocanabinoides são compostos bioativos produzidos pela Cannabis sativa. O prefixo ‘fito’ significa ‘planta’ e indica a origem vegetal dessas substâncias, diferenciando-as dos endocanabinoides produzidos pelo próprio organismo. Esses compostos são sintetizados principalmente nos tricomas, pequenas estruturas encontradas em maior concentração nas flores da planta.
Mais de 100 fitocanabinoides já foram identificados. Entre os mais estudados estão o delta-9-tetraidrocanabinol (Δ9-THC), o canabidiol (CBD) e o canabigerol (CBG), que apresentam perfis farmacológicos e mecanismos de ação distintos. Esses compostos podem interagir com receptores, enzimas e outras vias relacionadas ao sistema endocanabinoide (SEC), uma rede de sinalização envolvida na regulação de diferentes processos fisiológicos e na manutenção do equilíbrio interno do organismo.
Na planta fresca, muitos fitocanabinoides são encontrados predominantemente em formas ácidas, identificadas pela letra ‘A’, como CBDA, THCA e CBGA. Por meio da descarboxilação — processo provocado principalmente pelo calor, mas que também pode ocorrer gradualmente durante o processamento e o armazenamento — essas moléculas podem ser convertidas em formas neutras, como CBD, THC e CBG.
As formas ácidas e neutras apresentam estruturas químicas e interações biológicas diferentes. Por isso, os resultados observados em estudos com uma dessas formas não devem ser automaticamente atribuídos à outra.
Quais são os principais fitocanabinoides da cannabis?
Os fitocanabinoides apresentam estruturas, mecanismos de ação e níveis de evidência diferentes. A tabela reúne alguns dos compostos mais conhecidos e esclarece o que já está estabelecido e o que ainda permanece em investigação.
| Fitocanabinoide | Características principais |
|---|---|
| THC (delta-9-tetraidrocanabinol) | É o principal fitocanabinoide associado aos efeitos intoxicantes da cannabis. Atua principalmente como agonista parcial dos receptores CB1 e CB2. Sua interação com os receptores CB1, abundantes no sistema nervoso central, está relacionada a alterações na percepção, na memória, na coordenação motora e no estado de consciência. |
| CBD (canabidiol) | Não produz os efeitos intoxicantes característicos do THC e apresenta baixa afinidade pelos receptores CB1 e CB2. Sua ação envolve diferentes alvos moleculares e vias de sinalização. Há evidência clínica e aprovação regulatória para uma formulação purificada de CBD em síndromes epilépticas específicas; outras aplicações continuam dependendo da formulação, da condição estudada e da qualidade das evidências disponíveis. |
| CBG (canabigerol) | É um fitocanabinoide não intoxicante encontrado geralmente em concentrações menores. Seu precursor ácido, o CBGA, participa da formação de outros canabinoides na planta. Estudos laboratoriais e em animais investigam possíveis atividades antibacterianas, anti-inflamatórias e neuromoduladoras, mas ainda não há evidência clínica suficiente para confirmar essas aplicações em pessoas. |
| CBN (canabinol) | É formado principalmente pela degradação oxidativa do THC durante a exposição ao ar, à luz e ao calor. Possui potencial intoxicante inferior ao do THC. Embora seja frequentemente divulgado como indutor do sono, os estudos clínicos disponíveis ainda são limitados e não sustentam sua apresentação como tratamento comprovado para insônia ou ansiedade. |
| CBC (canabicromeno) | É um fitocanabinoide não intoxicante que apresenta baixa afinidade pelos receptores CB1. Estudos pré-clínicos investigam sua interação com canais como TRPA1 e TRPV1 e possíveis efeitos sobre processos inflamatórios e nociceptivos. Esses resultados ainda não demonstram eficácia terapêutica em seres humanos. |
THC
(delta-9-tetraidrocanabinol)
É o principal fitocanabinoide associado aos efeitos intoxicantes da cannabis. Atua principalmente como agonista parcial dos receptores CB1 e CB2. Sua interação com os receptores CB1, abundantes no sistema nervoso central, está relacionada a alterações na percepção, na memória, na coordenação motora e no estado de consciência.
CBD
(canabidiol)
Não produz os efeitos intoxicantes característicos do THC e apresenta baixa afinidade pelos receptores CB1 e CB2. Sua ação envolve diferentes alvos moleculares e vias de sinalização. Há evidência clínica e aprovação regulatória para uma formulação purificada de CBD em síndromes epilépticas específicas; outras aplicações continuam dependendo da formulação, da condição estudada e da qualidade das evidências disponíveis.
CBG
(canabigerol)
É um fitocanabinoide não intoxicante encontrado geralmente em concentrações menores. Seu precursor ácido, o CBGA, participa da formação de outros canabinoides na planta. Estudos laboratoriais e em animais investigam possíveis atividades antibacterianas, anti-inflamatórias e neuromoduladoras, mas ainda não há evidência clínica suficiente para confirmar essas aplicações em pessoas.
CBN
(canabinol)
É formado principalmente pela degradação oxidativa do THC durante a exposição ao ar, à luz e ao calor. Possui potencial intoxicante inferior ao do THC. Embora seja frequentemente divulgado como indutor do sono, os estudos clínicos disponíveis ainda são limitados e não sustentam sua apresentação como tratamento comprovado para insônia ou ansiedade.
CBC
(canabicromeno)
É um fitocanabinoide não intoxicante que apresenta baixa afinidade pelos receptores CB1. Estudos pré-clínicos investigam sua interação com canais como TRPA1 e TRPV1 e possíveis efeitos sobre processos inflamatórios e nociceptivos. Esses resultados ainda não demonstram eficácia terapêutica em seres humanos.
Qual é a diferença entre fitocanabinoides, endocanabinoides e canabinoides sintéticos?
A principal diferença está na origem dessas substâncias:
- Endocanabinoides: são produzidos naturalmente pelo organismo e funcionam como mensageiros químicos. A anandamida é um exemplo. Ela participa da regulação de processos como apetite, humor e percepção da dor.
- Fitocanabinoides: são produzidos pela planta Cannabis sativa. Entre os mais conhecidos estão o THC e o CBD. O THC atua diretamente em receptores do sistema endocanabinoide, enquanto o CBD interage de maneira mais indireta com diferentes receptores e vias biológicas.
- Canabinoides sintéticos: são produzidos em laboratório para interagir com alguns dos mesmos receptores. Esse grupo inclui substâncias desenvolvidas para pesquisa ou uso farmacêutico e compostos sem controle sanitário, que podem apresentar efeitos mais intensos e riscos imprevisíveis.
Como os fitocanabinoides interagem com o sistema endocanabinoide?
Os fitocanabinoides podem influenciar o organismo por meio do sistema endocanabinoide (SEC), uma rede de comunicação envolvida na regulação do sono, do humor, do apetite, da memória, da percepção da dor e da resposta imunológica.
Cada fitocanabinoide possui características próprias. Por isso, eles podem atuar de maneiras diferentes sobre receptores, enzimas e outras vias de comunicação entre as células.
1. Atuação nos receptores canabinoides
Alguns fitocanabinoides atuam diretamente nos receptores do sistema endocanabinoide. O THC, por exemplo, ativa principalmente os receptores CB1, encontrados em maior quantidade no sistema nervoso central. Essa interação ajuda a explicar seus efeitos sobre percepção, memória, coordenação motora e estado de consciência.
2. Modulação indireta do sistema endocanabinoide
O CBD atua de maneira diferente. Ele apresenta baixa afinidade pelos receptores CB1 e CB2 e pode influenciar indiretamente a atividade do sistema endocanabinoide, além de atuar sobre outras vias relacionadas à neurotransmissão e à sinalização celular.
3. Atuação em outros alvos biológicos
Os efeitos dos fitocanabinoides não se limitam aos receptores CB1 e CB2. Estudos também investigam sua interação com canais, enzimas e outros receptores envolvidos em processos como percepção da dor, humor e resposta inflamatória.
Essa variedade de mecanismos ajuda a compreender por que os fitocanabinoides não produzem efeitos idênticos. Muitos desses mecanismos, porém, foram observados principalmente em estudos laboratoriais ou pré-clínicos e ainda não demonstram, por si sós, eficácia terapêutica em seres humanos.
Conclusão
A presença de um fitocanabinoide, por si só, não determina os efeitos de um produto. A interpretação deve considerar a composição completa, a formulação, a via de uso, as características do paciente e a qualidade das evidências disponíveis.
Por isso, qualquer decisão sobre o uso medicinal da cannabis deve ser individualizada e acompanhada por um profissional habilitado. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico, prescrição ou orientação médica.

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Click Cannabis:Dúvidas frequentes
Todos os fitocanabinoides possuem efeitos psicoativos?
Não. O THC pode alterar percepção, memória, coordenação motora e estado de consciência. O CBD atua no sistema nervoso central, mas não provoca os efeitos intoxicantes característicos do THC. Para vários fitocanabinoides menos estudados, ainda não há evidências suficientes para definir completamente seus efeitos.
Qual é a diferença entre fitocanabinoides ácidos e neutros?
Os fitocanabinoides ácidos predominam na planta fresca e são identificados pela letra ‘A’, como CBDA, THCA e CBGA. As formas neutras, como CBD, THC e CBG, possuem estruturas químicas e interações biológicas diferentes. Por isso, resultados obtidos com uma forma não devem ser automaticamente atribuídos à outra.
O que a descarboxilação faz com os fitocanabinoides?
A descarboxilação transforma fitocanabinoides ácidos em formas neutras. Nesse processo, provocado principalmente pelo calor e que também pode ocorrer gradualmente durante o processamento e o armazenamento, o CBDA pode ser convertido em CBD, o THCA em THC e o CBGA em CBG.
Canabinoides menores são menos eficazes que CBD e THC?
Ainda não é possível fazer essa comparação. Muitos canabinoides menores foram pouco estudados em seres humanos, portanto não há evidências clínicas suficientes para determinar se são mais ou menos eficazes que o CBD ou o THC. O termo ‘menores’ se refere apenas à menor concentração desses compostos na planta, não à sua eficácia terapêutica.
Fitocanabinoides e endocanabinoides são a mesma coisa?
Não. Os fitocanabinoides são produzidos pela Cannabis sativa, enquanto os endocanabinoides são mensageiros químicos produzidos pelo próprio organismo, como a anandamida. Embora ambos possam influenciar o sistema endocanabinoide, apresentam origens e formas de atuação diferentes.
Os fitocanabinoides podem atuar juntos no organismo?
Diferentes fitocanabinoides podem estar presentes na mesma formulação e atuar sobre diversos alvos biológicos. A hipótese de que essa combinação possa produzir efeitos específicos é conhecida como ‘efeito entourage’. Esse fenômeno continua sendo investigado e não deve ser considerado um benefício clínico comprovado para todas as formulações ou condições.
Como saber quais fitocanabinoides estão presentes em um produto?
A composição deve ser consultada no rótulo e, quando disponível, no certificado de análise do produto. Esses documentos podem informar a presença e a concentração de compostos como CBD, THC, CBDA e THCA. A interpretação desses dados para uso medicinal deve ser feita com orientação de um profissional habilitado.
Referências
- CUTTLER, Carrie; STUEBER, Amanda; COOPER, Ziva D.; RUSSO, Ethan. Acute effects of cannabigerol on anxiety, stress, and mood: a double-blind, placebo-controlled, crossover field trial. Scientific Reports, v. 14, art. 16163, 2024. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-024-66879-0.
- BONN-MILLER, Marcel O. et al. A double-blind, randomized, placebo-controlled study of the safety and effects of CBN with and without CBD on sleep quality. Experimental and Clinical Psychopharmacology, v. 32, n. 3, p. 277–284, 2024. DOI: https://doi.org/10.1037/pha0000682.
- SALESKA, Jessica Londeree et al. The safety and comparative effectiveness of non-psychoactive cannabinoid formulations for the improvement of sleep: a double-blinded, randomized controlled trial. Journal of the American Nutrition Association, v. 43, n. 1, p. 1–11, 2024. DOI: https://doi.org/10.1080/27697061.2023.2203221.




