O número de pesquisas científicas que comprovam o potencial da Cannabis no tratamento de doenças crônicas relacionadas ao sistema nervoso central tem crescido significativamente.
Nesse contexto, o óleo de cannabis vem ganhando cada vez mais destaque tanto na medicina quanto em terapias complementares, graças às suas propriedades terapêuticas e ao potencial para auxiliar no cuidado de diversas condições de saúde. Neste artigo, você entenderá para que serve o óleo de cannabis, seus benefícios, formas de administração e o que a legislação brasileira diz sobre seu uso.

O óleo de Cannabis é um extrato concentrado obtido da planta Cannabis sativa. Ele contém uma combinação de compostos chamados canabinoides, substâncias químicas que ativam receptores presentes no sistema nervoso e imunológico.
A concentração e a proporção desses compostos podem variar conforme a variedade da planta e o método de extração, resultando em óleos com diferentes finalidades e níveis de ação no organismo.
Full Spectrum: Extraído de variedades de Cannabis com alta concentração de CBD e baixo teor de THC. É utilizado principalmente por suas propriedades terapêuticas, sem causar efeitos psicoativos.
Broad Spectrum: Extraído de variedades de Cannabis com concentração significativa de THC, esse óleo é utilizado principalmente para fins terapêuticos, como alívio da dor crônica, controle de náuseas e espasmos musculares. Dependendo da concentração, pode ter efeitos psicoativos, influenciando a percepção, o humor e a cognição.
Isolated: Contém todos os componentes da planta, incluindo THC (geralmente em baixas concentrações, como até 0,3%), CBD, outros canabinoides, terpenos e flavonoides. A interação entre esses compostos pode gerar o chamado "efeito entourage", potencializando seus benefícios terapêuticos.
Os óleos de Cannabis podem ser extraídos por diferentes métodos, cada um influenciando a pureza, concentração e composição química do produto final. A escolha do método adequado depende do propósito do produto e das regulamentações aplicáveis.
A seguir, destacamos os principais métodos utilizados na indústria.
1. Extração com dióxido de carbono (CO₂) supercrítico
Esse é um dos métodos mais avançados e eficazes para a extração de compostos da Cannabis, incluindo o CBD e outros canabinoides. Utiliza CO₂ em estado supercrítico, no qual ele atua como solvente para extrair os componentes desejados da planta. Esse processo garante uma extração altamente pura, eficiente e livre de resíduos tóxicos.
2. Extração com solventes (etanol, butano ou hexano)
Solventes líquidos, como etanol, butano ou hexano, dissolvem os canabinoides da planta. Após a extração, os solventes são evaporados, deixando apenas o extrato concentrado. Esse método é eficiente, mas requer controle rigoroso para evitar resíduos indesejados no produto final.
3. Extração por maceração com óleos vegetais
Esse método tradicional envolve a imersão da planta em um óleo transportador (como azeite de oliva, óleo de coco ou MCT) e a aplicação de calor para facilitar a extração dos compostos ativos. Embora seja um processo simples e seguro, pode resultar em um estrato com menor concentração de canabinoides em comparação com outros métodos.
4. Extração por destilação a vapor
A destilação a vapor utiliza calor e vapor para liberar os compostos da planta, que são então condensados em um óleo rico em CBD e outros canabinoides. Embora seja um método seguro e natural, sua eficiência pode ser menor do que a extração com CO₂ supercrítico.
Além dos métodos citados, também existem outras abordagens, como a extração assistida por ultrassom e a prensagem (rosin press), mais comuns em pequenas operações ou em contextos específicos.
Por suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, anticonvulsivantes e ansiolíticas, o óleo de cannabis tem sido estudado para auxiliar no tratamento de várias condições de saúde, sobretudo relacionadas ao sistema nervoso central.
O óleo de Cannabis atua no organismo principalmente ao interagir com o sistema endocanabinoide (SEC), um mecanismo interno responsável por manter o equilíbrio (homeostase) em diversas funções do corpo. Esse sistema é composto pelos receptores CB1 e CB2, por endocanabinoides como a anandamida e o 2-AG, além de enzimas que produzem e degradam esses compostos.
Ao se ligar ou modular a atividade desses receptores, o óleo de Cannabis influência processos fisiológicos relacionados a dor, inflamação, humor, sono e apetite. Além disso, seus compostos podem afetar outros sistemas, como o sistema serotoninérgico (associado ao bem-estar e à ansiedade), o sistema dopaminérgico (ligado à motivação e ao prazer) e receptores vanilóides (TRPV1), que regulam a sensação de dor e a temperatura corporal.
Dessa forma, o óleo de Cannabis tem um efeito amplo no organismo, ajudando a regular diferentes processos biológicos.
Existem diversas formas de usar o óleo de Cannabis, e a escolha do método de administração pode influenciar tanto o tempo de início de ação quanto a duração dos efeitos. Alguns dos principais métodos são:
Cada método tem suas vantagens e desvantagens, variando em rapidez de ação, facilidade de uso e duração dos efeitos. A escolha costuma levar em conta as necessidades individuais, a recomendação profissional e o tipo de óleo disponível.
De acordo com a RDC nº 327/2019 da Anvisa, no Brasil, as formas de administração de produtos de Cannabis para uso medicinal são limitadas, sendo permitidas apenas as vias oral e tópica, conforme descrito a seguir:
Embora o óleo de cannabis seja geralmente bem tolerado, seu uso pode provocar efeitos colaterais, especialmente em doses elevadas ou quando não administrado corretamente. Entre os efeitos mais comuns estão:
A orientação médica é fundamental no uso do óleo de cannabis, pois é ela que garante o ajuste correto da dosagem, ajuda a prevenir efeitos colaterais e possibilita o acompanhamento da resposta ao tratamento. Dessa forma, o paciente pode se beneficiar de um uso seguro e eficaz, contando com a avaliação contínua do profissional de saúde para potencializar os resultados.
Não. De forma geral, a legislação brasileira não permite o cultivo caseiro de Cannabis nem a produção doméstica de óleo ou outros derivados. Hoje, o acesso a produtos à base de Cannabis para uso medicinal é regulamentado pela Anvisa (por meio da RDC nº 327/2019) ou via importação, sempre com prescrição médica e seguindo normas específicas.
Apesar de algumas decisões judiciais individuais permitirem o plantio para uso medicinal em casos específicos, não existe uma autorização geral para produção doméstica de óleo de Cannabis. Portanto, quem deseja utilizar esses produtos deve obtê-los por meio de importação, compra em farmácias (conforme a regulamentação vigente) ou, em casos especiais, com autorização judicial para cultivo próprio.
O óleo de cannabis surge como uma opção terapêutica promissora para diversas condições de saúde, graças às suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, ansiolíticas e anticonvulsivantes.
Com o avanço das pesquisas na área, tem ganhado destaque no manejo de dores crônicas, transtornos neurológicos, distúrbios do sono e até em tratamentos dermatológicos.
Contudo, é fundamental que o uso seja sempre supervisionado por um profissional de saúde e realizado de acordo com as normas legais vigentes, para que seus benefícios terapêuticos sejam aproveitados de forma segura e eficaz.

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