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Por que tão poucos profissionais prescrevem cannabis medicinal no Brasil?

3 min de leitura

Apesar do interesse crescente da população pelos benefícios terapêuticos da cannabis medicinal, a prescrição desses produtos ainda é pouco comum no Brasil. Levantamentos recentes do setor indicam que apenas uma parcela muito reduzida dos profissionais de saúde já realizou esse tipo de prescrição — um dado que desperta atenção e levanta questionamentos relevantes.

Médico segurando frasco de medicamento e realizando anotação durante prescrição clínica
  • Apesar do crescente interesse social e científico, poucos profissionais de saúde prescrevem cannabis medicinal no Brasil, revelando um descompasso entre debate e prática clínica.
  • A baixa prescrição não indica descrença, mas falta de preparo técnico, segurança jurídica e amparo ético para indicar tratamentos à base de cannabis.
  • Regulamentação recente, ausência de formação acadêmica específica e insegurança jurídica dificultam a adoção da cannabis medicinal na rotina médica.
  • O interesse cresce com a busca por capacitação e atualização científica, indicando uma tendência de expansão responsável da prescrição no futuro.

De acordo com dados consolidados em análises especializadas do mercado, o número de médicos que afirmam ter prescrito cannabis medicinal em sua prática clínica permanece bastante restrito. Esse cenário revela um descompasso evidente: enquanto o tema ganha espaço no debate científico, regulatório e social, a incorporação efetiva na prática clínica avança de forma lenta.

É fundamental esclarecer que essa baixa adesão não representa, necessariamente, descrença nos benefícios terapêuticos da cannabis. Na maioria dos casos, o que se observa é a distância entre reconhecer o potencial clínico da substância e sentir-se tecnicamente preparado, juridicamente seguro e eticamente amparado para prescrever produtos à base de cannabis.

Mas por que isso acontece?

Principais barreiras à prescrição da cannabis medicinal no Brasil

1.Regulamentação ainda recente

No Brasil, a prescrição de produtos à base de cannabis passou a ter respaldo normativo apenas a partir de 2015, com regulamentações estabelecidas pela Anvisa. Embora esse marco regulatório tenha evoluído nos últimos anos, ele ainda é considerado recente quando comparado a terapias tradicionais amplamente consolidadas na medicina.

Essa relativa novidade faz com que muitos profissionais ainda estejam em processo de adaptação, estudo e compreensão das regras que envolvem a prescrição, a importação e o acesso dos pacientes aos produtos.

2.Falta de formação acadêmica específica

Outro fator central é a ausência de conteúdos sobre cannabis medicinal na formação universitária e na residência médica. A maioria dos profissionais concluiu sua graduação sem qualquer abordagem estruturada sobre o sistema endocanabinoide, os canabinoides ou suas aplicações terapêuticas.

Sem base acadêmica sólida, muitos médicos se sentem inseguros para prescrever, mesmo diante do aumento consistente de evidências científicas sobre a eficácia do canabidiol (CBD) e de outros derivados da cannabis em diversas condições clínicas.

3.Insegurança jurídica

A insegurança jurídica também exerce forte influência. Ainda há dúvidas sobre os limites da prescrição, os requisitos formais, os tipos de produtos autorizados e os procedimentos necessários para garantir o acesso legal do paciente ao tratamento.

Esse cenário de incerteza leva parte dos profissionais a adotar uma postura conservadora, evitando a prescrição mesmo quando identificam potencial benefício terapêutico.

4.Prescrição concentrada em poucas especialidades

Os dados disponíveis mostram que a prescrição de cannabis medicinal se concentra em algumas áreas específicas da medicina, especialmente:

  • Neurologia
  • Psiquiatria
  • Tratamento da dor crônica

Ainda assim, mesmo nessas especialidades, a prescrição permanece restrita a uma minoria muito pequena de profissionais, representando apenas frações percentuais do total de médicos atuantes.

Um cenário em transformação

Apesar dos números ainda reduzidos, o interesse pela cannabis medicinal cresce de forma consistente no Brasil. Cada vez mais profissionais buscam cursos, capacitações e atualização científica para compreender melhor o uso terapêutico desses produtos.

Com mais informação, segurança jurídica e educação médica continuada, a tendência é que a prescrição se torne mais acessível, responsável e baseada em evidências científicas, ampliando o acesso de pacientes que podem se beneficiar desse tipo de tratamento.

Considerações finais

Informação de qualidade, capacitação profissional e clareza regulatória são passos fundamentais para transformar esse cenário — beneficiando tanto profissionais de saúde quanto pacientes.

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Dúvidas frequentes

Por que poucos médicos prescrevem cannabis medicinal no Brasil?

A prescrição ainda é limitada devido à regulamentação recente, à falta de formação acadêmica específica e à insegurança jurídica enfrentada por muitos profissionais de saúde.

A baixa prescrição significa que os médicos não acreditam na cannabis medicinal?

Não. Na maioria dos casos, os profissionais reconhecem o potencial terapêutico da cannabis, mas não se sentem tecnicamente preparados ou juridicamente seguros para prescrever.

Desde quando a cannabis medicinal é regulamentada no Brasil?

A prescrição de produtos à base de cannabis passou a ter respaldo normativo no Brasil a partir de 2015, com regulamentações estabelecidas pela Anvisa.

A cannabis medicinal é ensinada na faculdade de medicina?

Em geral, não. A maioria dos cursos de graduação e residências médicas ainda não inclui conteúdos estruturados sobre o sistema endocanabinoide e o uso terapêutico da cannabis.

Quais são as principais barreiras à prescrição da cannabis medicinal?

As principais barreiras são a regulamentação ainda recente, a ausência de formação acadêmica específica, a insegurança jurídica e a concentração da prescrição em poucas especialidades médicas.

Quais especialidades mais prescrevem cannabis medicinal no Brasil?

A prescrição está mais concentrada em áreas como neurologia, psiquiatria e tratamento da dor crônica, ainda assim representando uma parcela pequena dos profissionais.

Existe insegurança jurídica para prescrever cannabis medicinal?

Sim. Muitos médicos ainda têm dúvidas sobre requisitos legais, tipos de produtos autorizados e procedimentos necessários para garantir o acesso legal do paciente ao tratamento.

O interesse pela cannabis medicinal está crescendo no Brasil?

Sim. Cada vez mais profissionais buscam cursos, capacitações e atualização científica, indicando um cenário de crescimento e maior adoção baseada em evidências.

O que pode aumentar a prescrição de cannabis medicinal no país?

Informação de qualidade, capacitação profissional contínua e maior clareza regulatória são fatores fundamentais para ampliar a prescrição de forma responsável.

Quem pode se beneficiar da cannabis medicinal?

Pacientes com diversas condições clínicas, especialmente neurológicas, psiquiátricas e relacionadas à dor crônica, podem se beneficiar quando o tratamento é indicado de forma adequada e baseada em evidências científicas.

Contribuidores:

Andrea Vieira

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