Apesar do interesse crescente da população pelos benefícios terapêuticos da cannabis medicinal, a prescrição desses produtos ainda é pouco comum no Brasil. Levantamentos recentes do setor indicam que apenas uma parcela muito reduzida dos profissionais de saúde já realizou esse tipo de prescrição — um dado que desperta atenção e levanta questionamentos relevantes.

De acordo com dados consolidados em análises especializadas do mercado, o número de médicos que afirmam ter prescrito cannabis medicinal em sua prática clínica permanece bastante restrito. Esse cenário revela um descompasso evidente: enquanto o tema ganha espaço no debate científico, regulatório e social, a incorporação efetiva na prática clínica avança de forma lenta.
É fundamental esclarecer que essa baixa adesão não representa, necessariamente, descrença nos benefícios terapêuticos da cannabis. Na maioria dos casos, o que se observa é a distância entre reconhecer o potencial clínico da substância e sentir-se tecnicamente preparado, juridicamente seguro e eticamente amparado para prescrever produtos à base de cannabis.
Mas por que isso acontece?
1.Regulamentação ainda recente
No Brasil, a prescrição de produtos à base de cannabis passou a ter respaldo normativo apenas a partir de 2015, com regulamentações estabelecidas pela Anvisa. Embora esse marco regulatório tenha evoluído nos últimos anos, ele ainda é considerado recente quando comparado a terapias tradicionais amplamente consolidadas na medicina.
Essa relativa novidade faz com que muitos profissionais ainda estejam em processo de adaptação, estudo e compreensão das regras que envolvem a prescrição, a importação e o acesso dos pacientes aos produtos.
2.Falta de formação acadêmica específica
Outro fator central é a ausência de conteúdos sobre cannabis medicinal na formação universitária e na residência médica. A maioria dos profissionais concluiu sua graduação sem qualquer abordagem estruturada sobre o sistema endocanabinoide, os canabinoides ou suas aplicações terapêuticas.
Sem base acadêmica sólida, muitos médicos se sentem inseguros para prescrever, mesmo diante do aumento consistente de evidências científicas sobre a eficácia do canabidiol (CBD) e de outros derivados da cannabis em diversas condições clínicas.
3.Insegurança jurídica
A insegurança jurídica também exerce forte influência. Ainda há dúvidas sobre os limites da prescrição, os requisitos formais, os tipos de produtos autorizados e os procedimentos necessários para garantir o acesso legal do paciente ao tratamento.
Esse cenário de incerteza leva parte dos profissionais a adotar uma postura conservadora, evitando a prescrição mesmo quando identificam potencial benefício terapêutico.
4.Prescrição concentrada em poucas especialidades
Os dados disponíveis mostram que a prescrição de cannabis medicinal se concentra em algumas áreas específicas da medicina, especialmente:
Ainda assim, mesmo nessas especialidades, a prescrição permanece restrita a uma minoria muito pequena de profissionais, representando apenas frações percentuais do total de médicos atuantes.
Apesar dos números ainda reduzidos, o interesse pela cannabis medicinal cresce de forma consistente no Brasil. Cada vez mais profissionais buscam cursos, capacitações e atualização científica para compreender melhor o uso terapêutico desses produtos.
Com mais informação, segurança jurídica e educação médica continuada, a tendência é que a prescrição se torne mais acessível, responsável e baseada em evidências científicas, ampliando o acesso de pacientes que podem se beneficiar desse tipo de tratamento.
Informação de qualidade, capacitação profissional e clareza regulatória são passos fundamentais para transformar esse cenário — beneficiando tanto profissionais de saúde quanto pacientes.

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