O uso de produtos à base de Cannabis tem sido cada vez mais discutido na área da saúde, especialmente em relação à sua segurança para gestantes e lactantes. Com a crescente regulamentação de medicamentos contendo THC e CBD para fins terapêuticos em diversos países, torna-se essencial compreender os riscos potenciais, as evidências científicas disponíveis e a legislação vigente no Brasil.
Embora a Cannabis medicinal apresente benefícios para determinadas condições clínicas, a ausência de estudos conclusivos sobre seus efeitos na gestação e lactação exige cautela.
Este artigo explora os possíveis impactos da Cannabis durante a gestação e a amamentação, analisando os estudos mais relevantes sobre o tema e apresentando as diretrizes estabelecidas pela legislação brasileira.

Embora o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) sejam compostos derivados da Cannabis, seus efeitos sobre gestantes e lactantes diferem significativamente. Pesquisas científicas analisam os impactos dessas substâncias na gestação e na amamentação, mas ainda não há consenso definitivo sobre sua segurança.
1. Tetraidrocanabinol (THC)
O THC é o principal composto psicoativo da Cannabis, responsável pelas alterações na percepção da realidade. Estudos científicos indicam que sua exposição durante a gestação pode afetar o desenvolvimento neurológico fetal e estar associada a:
Além disso, pesquisas publicadas em periódicos como Breastfeeding Medicine e Journal of Human Lactation demonstram que o THC pode ser transferido para o leite materno, permanecendo detectável por até seis dias após o consumo. Essa exposição pode interferir nos padrões de sono do bebê e impactar seu desenvolvimento neurológico a longo prazo. Diante desses riscos, entidades de saúde recomendam evitar o uso de THC durante a gestação e a lactação.
2. Canabidiol (CBD)
Diferente do THC, o CBD não possui efeitos psicoativos e tem sido estudado por suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, neuroprotetoras e ansiolíticas. Seu uso medicinal é aprovado para tratar condições como epilepsia refratária e dor crônica.
Entretanto, não há evidências conclusivas sobre sua segurança para gestantes e lactantes. Estudos indicam que o CBD pode:
Diante dessas incertezas, especialistas recomendam cautela e evitam sua indicação para gestantes e lactantes, seguindo o princípio da precaução adotado por entidades de saúde como a FDA (EUA), Anvisa (Brasil) e OMS.
Durante a amamentação, o tetraidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da Cannabis, pode ser transferido para o leite materno, expondo o bebê aos seus efeitos. Estudos indicam que o THC pode permanecer no leite materno por até seis semanas após o consumo, aumentando a chance de impactos no desenvolvimento infantil.
Como o sistema nervoso do recém-nascido ainda está em formação, a exposição ao THC pode:
Diante da falta de evidências conclusivas sobre a segurança do uso de Cannabis durante a lactação, entidades de saúde como a FDA (EUA), Anvisa (Brasil) e a Academia Americana de Pediatria recomendam que lactantes evitem o consumo de produtos contendo Cannabis, priorizando a segurança do bebê e a prevenção de riscos ao seu desenvolvimento.
A exposição ao tetraidrocanabinol (THC) e ao canabidiol (CBD) durante a gestação e a amamentação tem sido alvo de diversas pesquisas publicadas em periódicos científicos renomados.
Estudos baseados em coortes, análises longitudinais e pesquisas de farmacocinética investigam os impactos dessas substâncias no desenvolvimento fetal e infantil. A seguir, destacam-se algumas das principais conclusões da literatura científica recente.
1. "Effect of intrauterine marijuana exposure on fetal growth patterns and placental perfusion" (Journal of Perinatal Medicine**, 2019**): Este estudo indica que o uso diário de maconha está associado ao comprometimento do crescimento fetal e ao aumento da resistência vascular placentária. Impactos do THC na Gestação e no Desenvolvimento Fetal.
2. "Prenatal Cannabis Exposure and Neonatal Outcomes" (JAMA, 2023): Esta pesquisa sugere que a exposição pré-natal ao cannabis está associada a um risco aumentado de baixo peso ao nascer e parto prematuro.
3. Maternal Prenatal Cannabis Use and Developmental Delays in Early Childhood" (JAMA Network Open, 2023): Este estudo associa o uso materno de cannabis durante a gravidez a atrasos no desenvolvimento infantil.
4. "Prenatal Cannabinoid Exposure: Why Expecting Individuals Should Avoid" (Frontiers in Pediatrics em 2023) discute os potenciais riscos da exposição pré-natal a canabinoides, incluindo o CBD, e recomenda que gestantes evitem o uso desses compostos devido às incertezas relacionadas aos seus efeitos no desenvolvimento fetal.
A Anvisa estabeleceu normas e resoluções, como a RDC Nº 327/2019, que regulamentam o registro, produção, importação e comercialização de produtos à base de Cannabis no Brasil. Essas normativas têm o objetivo de garantir a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos derivados da planta.
No entanto, apesar da regulamentação para uso medicinal, não há diretrizes específicas que autorizem ou recomendem o uso de produtos contendo Cannabis por gestantes e lactantes, devido à falta de estudos conclusivos que comprovem sua segurança durante esses períodos críticos do desenvolvimento infantil.
O Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão regulador da prática médica no Brasil, também restringe a prescrição de produtos contendo Cannabis medicinal, permitindo seu uso apenas em casos específicos, como epilepsia refratária, esclerose múltipla e doenças neurodegenerativas. Para gestantes e lactantes, não há autorização expressa, e os médicos são orientados a evitar a prescrição devido à ausência de dados científicos robustos sobre os impactos fetais e neonatais.
Dessa forma, seguindo o princípio da precaução e considerando as evidências científicas disponíveis, as autoridades de saúde recomendam evitar a exposição a essas substâncias durante a gestação e a amamentação, priorizando a proteção da mãe e do bebê, até que novos estudos forneçam garantias científicas sobre sua segurança.
A Cannabis tem sido amplamente estudada por seus potenciais benefícios terapêuticos no tratamento de diversas condições de saúde. No entanto, a ausência de evidências conclusivas sobre sua segurança durante a gestação e a lactação levanta preocupações e impõe restrições ao seu uso nesses períodos.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite o uso de medicamentos à base de Cannabis em situações específicas e sob regulamentação rigorosa. Entretanto, o uso por gestantes e lactantes não é recomendado, justamente pela falta de estudos que comprovem sua segurança para o feto e o recém-nascido.
Essa precaução visa priorizar a proteção da mãe e do bebê, garantindo que eventuais riscos sejam minimizados até que novas pesquisas forneçam conclusões definitivas sobre os impactos dessas substâncias.

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