
Em 2018, a Agência Mundial Antidoping (WADA) removeu o CBD da Lista de Substâncias Proibidas, permitindo seu uso por atletas dentro e fora das competições.
No entanto, essa flexibilização não se aplica ao THC, que segue proibido devido aos seus efeitos psicoativos. Para evitar violações, produtos à base de CBD devem passar por testes rigorosos para garantir a ausência de THC.
Essa mudança reflete o reconhecimento do potencial terapêutico do CBD, equilibrando ciência, saúde e ética no esporte, sem comprometer a integridade das competições.
O canabidiol (CBD) é uma das mais de 400 substâncias canabinoides presentes na planta Cannabis sativa. Por não apresentar efeitos psicoativos, destaca-se por suas propriedades anticonvulsivantes, ansiolíticas, analgésicas e anti-inflamatórias.
A substância é extraída do cânhamo, uma variedade da Cannabis sativa caracterizada por conter baixos níveis de tetrahidrocanabinol (THC), o componente psicoativo da planta.
A Cannabis contém diversos compostos bioativos, sendo o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol) os mais estudados. Ambos pertencem à classe dos canabinoides, mas apresentam propriedades distintas e aplicações terapêuticas específicas.
1.Canabidiol (CBD)
O CBD é um composto não psicoativo, ou seja, não altera o estado mental nem provoca euforia. É amplamente utilizado no tratamento de epilepsia refratária, ansiedade, dor crônica, inflamações e distúrbios do sono.
Devido à sua segurança e ausência de efeitos psicoativos, o CBD tem sido regulamentado para uso medicinal, inclusive no Brasil, sob prescrição médica e supervisão da Anvisa.
2.Tetrahidrocanabinol (THC)
O THC é o principal composto psicoativo da cannabis, responsável pelos efeitos eufóricos do uso recreativo. No entanto, também possui propriedades terapêuticas, sendo indicado para náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, dores crônicas, espasticidade muscular e estímulo do apetite em pacientes com HIV/AIDS e outras condições debilitantes.
Embora tenham a mesma origem botânica, CBD e THC diferem nos efeitos e aplicações. O CBD é preferido em condições onde a ausência de psicoatividade é essencial, enquanto o THC é utilizado em tratamentos específicos, quando seus benefícios superam os riscos.
Em alguns casos, medicamentos combinam CBD e THC para aproveitar seus efeitos complementares, proporcionando maior eficácia terapêutica conforme a necessidade clínica do paciente.
O CBD atua diretamente no sistema endocanabinoide (SEC), uma rede presente em todo o corpo humano que regula funções vitais como humor, sono, dor, inflamação, memória e apetite. Esse sistema é composto por receptores, endocanabinoides (substâncias naturalmente produzidas pelo organismo) e enzimas responsáveis pela sua síntese e degradação.
Ao promover o equilíbrio do corpo, conhecido como homeostase, o sistema endocanabinoide desempenha um papel essencial no funcionamento saudável de diversos sistemas do organismo.
A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.º 327/2019, da Anvisa, estabelece no artigo 4º os limites de tetrahidrocanabinol (THC) em produtos de Cannabis para fins medicinais no Brasil.
De acordo com essa norma:
Essa diferenciação foi criada para garantir o uso seguro e controlado de produtos à base de Cannabis, considerando os potenciais efeitos psicoativos do THC.
O THC (tetra-hidrocanabinol) é o principal composto psicoativo da Cannabis sativa, e seu uso medicinal é rigorosamente regulado para garantir segurança e eficácia. Em doses elevadas ou sem controle adequado, pode causar efeitos adversos, como ansiedade, paranoia e comprometimento cognitivo.
Embora o risco de dependência seja menor em tratamentos controlados, o THC pode levar ao uso abusivo, especialmente quando consumido por longos períodos. As regulamentações buscam equilibrar seus benefícios terapêuticos com a segurança dos pacientes, assegurando uma utilização responsável e eficaz.
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) segue as diretrizes da Agência Mundial Antidoping (WADA), que proíbe todos os canabinoides, exceto o CBD (canabidiol).
No entanto, o COB adota uma postura cautelosa, pois muitos produtos de CBD podem conter traços de THC, o que pode gerar um Resultado Analítico Adverso (RAA) em testes antidoping. Por isso, recomenda-se que os atletas utilizem apenas produtos de fornecedores confiáveis e certificados.
Já a cannabis segue proibida durante as competições, e um teste positivo para THC pode resultar em sanções severas. O COB reforça que a responsabilidade final é do atleta, que deve gerenciar rigorosamente o consumo de substâncias para garantir conformidade com as regras antidoping e preservar a integridade esportiva.
A Agência Mundial Antidoping (WADA) classifica o THC como uma substância proibida apenas durante competições, pois, embora não melhore diretamente o desempenho esportivo, pode afetar a saúde e o espírito esportivo. Essa restrição busca garantir a integridade das competições e preservar os valores do esporte.
O Objetivo da WADA é garantir a integridade das competições e promover um ambiente esportivo justo, livre de substâncias que possam prejudicar a saúde ou influenciar de forma indevida os resultados.
Segundo o Código Mundial Antidoping, uma violação ocorre quando a concentração de carboxi-THC (metabólito do THC) ultrapassa 150 ng/mL em amostras de urina. Esse limite está detalhado no documento técnico da WADA, "Decision Limits for the Confirmatory Quantification of Threshold Substances" (TD2021DL), que define parâmetros para exames antidoping.
Com essas diretrizes, a WADA equilibra o controle antidoping com a promoção de um esporte justo e seguro, orientando atletas e organizações sobre os limites permitidos e as consequências do uso do THC durante competições.
Embora produtos com até 0,2% de THC sejam permitidos para uso médico no Brasil, eles representam um risco para atletas que competem sob as normas da WADA. Mesmo dentro do limite regulamentado pela Anvisa, essa concentração pode levar a um resultado positivo em testes antidoping.
Para navegar por esse cenário, é imprescindível que atletas, treinadores e profissionais de saúde adotem uma postura responsável e informada. O acompanhamento médico, a escolha de produtos certificados e o conhecimento aprofundado das diretrizes da WADA e das regulamentações da Anvisa são pilares essenciais para um uso consciente e seguro.
A recomendação mais segura é evitar o uso desses produtos antes e durante as competições, garantindo conformidade com as regras e evitando possíveis sanções. O acompanhamento médico, a escolha criteriosa dos produtos e o conhecimento das diretrizes da WADA e da Anvisa são fundamentais para um uso seguro e dentro das normas esportivas.

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