A discussão sobre a eficácia da cannabis medicinal voltou ao centro do debate científico após a publicação de uma revisão internacional de grande porte, divulgada em dezembro de 2025 na revista JAMA (Journal of the American Medical Association). Conduzida por pesquisadores do UCLA Health e de diversas universidades norte-americanas, a análise examinou mais de 2.500 estudos publicados ao longo de 15 anos, avaliando rigorosamente a força das evidências sobre os benefícios terapêuticos da cannabis e de seus derivados.
O trabalho reacendeu questionamentos porque mostrou que, embora o interesse público e o uso medicinal tenham crescido exponencialmente, as evidências de alta qualidade permanecem limitadas para a maior parte das condições de saúde para as quais a cannabis costuma ser buscada.

A cannabis medicinal tem ganhado espaço em diversos países e já se tornou uma alternativa para pacientes que enfrentam quadros como dor crônica, ansiedade, insônia e epilepsias refratárias. Entretanto, a literatura científica é heterogênea: os produtos variam em composição, as dosagens não são padronizadas e muitos estudos são pequenos ou observacionais.
A revisão publicada no JAMA surge justamente para organizar o que a ciência realmente comprovou até agora, seguindo um critério clássico da medicina baseada em evidências: somente estudos robustos, controlados, de boa qualidade metodológica, podem sustentar conclusões fortes.
Principais resultados da revisão internacional
Os pesquisadores identificaram consenso científico sólido apenas para cenários nos quais já existem medicamentos canabinoides aprovados por agências reguladoras, como:
Nesses casos, os benefícios são considerados clínica e estatisticamente comprovados.
A maior parte da busca por cannabis medicinal vem de pessoas que desejam tratar:
Segundo a revisão, para esses quadros não há evidência padrão-ouro suficiente para afirmar eficácia consistente. Muitos estudos sugerem benefício potencial, mas:
Como resultado, os autores classificaram as evidências como “fracas”, “inconsistentes” ou “inconclusivas”.
Um dos pontos mais comentados do estudo foi o descompasso entre o entusiasmo social e o que a literatura científica de alta qualidade mostra. Milhões de pessoas relatam melhora com o uso medicinal da cannabis, mas relatos individuais não substituem ensaios clínicos controlados.
Os autores enfatizam que o uso crescente não significa que exista comprovação universal de eficácia, e alertam para a necessidade de comunicação transparente entre médicos, pacientes e reguladores.
A persistência de incertezas científicas não significa que a cannabis “não funciona”, mas reflete limitações estruturais que ainda dificultam conclusões definitivas. Um dos principais desafios é a falta de padronização dos produtos: extratos podem variar amplamente na proporção entre CBD e THC, na presença de terpenos, na pureza, nos métodos de extração e na biodisponibilidade, o que torna difícil comparar resultados entre diferentes pesquisas.
Soma-se a isso o histórico de barreiras regulatórias, já que a cannabis permaneceu por décadas classificada como substância proibida para pesquisa, restringindo a realização de ensaios clínicos de longo prazo, de estudos multicêntricos e a definição de doses uniformes. Além desses fatores, a demanda clínica cresce em ritmo mais acelerado que o avanço científico. Muitos pacientes recorrem à cannabis após não obterem resposta com outros tratamentos, e esse movimento levou a um uso prático que evoluiu mais rapidamente do que a produção de estudos rigorosos capazes de oferecer respostas conclusivas.
O estudo impacta diretamente médicos, pacientes e formuladores de políticas ao reforçar a necessidade de decisões ancoradas em evidências sólidas. Para os médicos, ele destaca a importância de orientar os pacientes com clareza sobre benefícios e limitações do uso da cannabis, monitorar efeitos adversos e possíveis interações medicamentosas e priorizar produtos regulamentados e padronizados.
Para os pacientes, a revisão traz uma perspectiva equilibrada, lembrando que a cannabis pode oferecer benefícios, mas não constitui uma solução universal, o que torna indispensáveis tanto a qualidade comprovada dos produtos quanto o acompanhamento profissional.
Além disso o estudo evidencia a urgência de criar políticas que incentivem pesquisas clínicas robustas, estabeleçam padrões mínimos de qualidade e rotulagem e evitem decisões baseadas apenas na percepção social, garantindo segurança e consistência no uso medicinal da cannabis.
A revisão internacional publicada em dezembro de 2025 não nega os benefícios que muitos pacientes relatam, nem desconsidera o potencial terapêutico da cannabis medicinal. O que ela revela é um cenário mais complexo: a ciência ainda está construindo as bases necessárias para comprovar, com rigor, quando, como e para quem a cannabis é realmente eficaz.
O estudo chama atenção para um ponto essencial: esperança é legítima, mas deve caminhar ao lado de evidências confiáveis. Enquanto a pesquisa avança, o debate precisa se manter transparente, responsável e centrado na segurança do paciente.

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