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A trajetória da cannabis no basquete internacional

3 min de leitura

A discussão sobre o uso da cannabis deixou de ser um tabu e passou a ocupar espaço central no esporte, especialmente quando o tema envolve saúde, bem-estar e desempenho dos atletas.

 No basquete, essa transformação se reflete de forma marcante na NBA, a principal liga masculina dos Estados Unidos, que recentemente flexibilizou suas regras em relação ao THC. Já a WNBA, criada em 1996 e que vem conquistando cada vez mais reconhecimento, segue um caminho distinto, mantendo políticas antidoping mais rígidas.

Esse contraste revela como duas ligas do mesmo universo podem adotar posturas diferentes diante de um tema cada vez mais relevante no cenário esportivo internacional.

Jogadores de basquete disputando bola perto da cesta em partida indoor
  • A liga retirou o THC da lista de substâncias proibidas em 2023, após três anos de suspensão dos testes durante a pandemia, priorizando saúde mental e autonomia dos atletas.
  • Ao contrário da NBA, a WNBA mantém regras rígidas contra o THC, com testes antidoping e punições em caso de resultado positivo.
  • O CBD é permitido desde 2018, mas o THC segue proibido; até traços mínimos podem gerar punições severas, como suspensão ou perda de medalhas.
  • O debate sobre cannabis no esporte está em transformação, equilibrando desempenho, saúde mental e bem-estar dos atletas, com diferentes ligas adotando posturas distintas.

Como a NBA flexibilizou o uso de THC

Nos últimos anos, a NBA passou por uma transformação importante quando o assunto é cannabis. O que antes era motivo de punição passou a ser tratado com mais maturidade, considerando o bem-estar dos atletas e os avanços científicos.

Em 2020, durante a pandemia de COVID-19, a liga criou a famosa “bolha da Disney” para concluir a temporada em segurança. Nesse período, os testes antidoping para THC – principal componente psicoativo da cannabis – foram suspensos. A decisão não foi apenas prática, mas também humana: os jogadores estavam isolados, longe das famílias e sob enorme pressão psicológica.

O que parecia uma medida emergencial acabou se estendendo. Entre 2020 e 2023, a suspensão foi renovada por três temporadas consecutivas. A experiência mostrou que não houve aumento de problemas disciplinares nem queda no desempenho esportivo. Pelo contrário, serviu como um teste real para repensar a proibição.

Em abril de 2023, a mudança se tornou definitiva. A NBA assinou um novo acordo coletivo de trabalho, válido por sete anos, que retirou o THC da lista de substâncias proibidas. Desde então, os jogadores não estão mais sujeitos a testes antidoping aleatórios para a cannabis. Apenas em casos de indícios de uso durante atividades oficiais pode haver avaliação médica, com encaminhamento para tratamento, se necessário.

Essa abertura representa uma visão mais moderna, que reconhece a importância da saúde mental e da autonomia dos jogadores.

Enquanto isso, a WNBA segue em uma linha mais rígida. O THC permanece proibido, com testes antidoping regulares e penalidades em caso de resultado positivo.

Por outro lado, o CBD já é permitido desde 2018 pela Agência Mundial Antidoping (WADA), o que abriu espaço para algumas oportunidades no universo feminino do basquete.

Cannabis no esporte brasileiro

No Brasil, a cannabis ainda é tratada de forma restritiva no esporte. A Agência Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) segue as diretrizes da WADA (Agência Mundial Antidoping), o que significa:

  • CBD (canabidiol): não é proibido desde 2018. Assim como em outros países, atletas brasileiros podem usar produtos à base de CBD, desde que não haja traços de THC.
  • THC (tetraidrocanabinol): continua na lista de substâncias proibidas. Se um atleta for flagrado com THC em exame antidoping, pode sofrer punições severas — que vão de suspensão à perda de medalhas.

Essa diferença cria um cenário desafiador. Apesar de a Anvisa já permitir a importação e a fabricação de produtos medicinais à base de cannabis (regulamentados pela RDC 660/2022 (que substituiu a antiga RDC 327)/2019 e normas posteriores), os atletas precisam redobrar a atenção. Um óleo de CBD com mínimos vestígios de THC pode resultar em doping.

Considerações finais

As mudanças recentes mostram que a relação entre cannabis e esporte está em plena transformação. A flexibilização na NBA abre caminho para discussões mais amplas, enquanto a WNBA e o Brasil ainda mantêm posturas conservadoras. O que está em jogo não é apenas o desempenho esportivo, mas também a valorização da saúde mental, do bem-estar e da autonomia dos atletas. O debate está apenas começando — e seu desfecho pode redefinir o futuro do esporte.

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Dúvidas frequentes

A NBA permite o uso de cannabis pelos jogadores?

Sim. Desde abril de 2023, a NBA retirou o THC da lista de substâncias proibidas. Agora, os atletas não estão mais sujeitos a testes antidoping aleatórios para cannabis, refletindo uma postura focada em saúde mental e bem-estar.

O que é permitido no Brasil em relação à cannabis no esporte?

No Brasil, o CBD (canabidiol) é permitido desde 2018, mas o THC continua proibido pela Agência Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). Atletas flagrados com THC podem sofrer punições como suspensão e perda de títulos.

Qual a diferença entre CBD e THC no esporte?

O CBD é um composto não psicoativo da cannabis, autorizado pela Agência Mundial Antidoping (WADA) desde 2018. Já o THC é o componente psicoativo e segue proibido na maioria dos regulamentos esportivos, incluindo no Brasil.

Por que a NBA mudou sua política em relação ao THC?

A mudança começou em 2020, na pandemia, quando os testes antidoping foram suspensos. A experiência mostrou que não houve queda de desempenho nem aumento de problemas disciplinares. Em 2023, a decisão se tornou permanente.

Contribuidores:

Andrea Vieira

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