A Síndrome de Dravet é uma forma rara e grave de epilepsia infantil que costuma se manifestar ainda no primeiro ano de vida. Caracterizada por convulsões frequentes, muitas vezes resistentes aos medicamentos tradicionais, a doença afeta profundamente o desenvolvimento neurológico, o bem-estar e a qualidade de vida das crianças e de suas famílias.
Nos últimos anos, uma nova esperança tem surgido com o uso do canabidiol (CBD), um composto não psicoativo da planta Cannabis sativa. Pesquisas e relatos clínicos indicam que o CBD pode reduzir significativamente a frequência e a intensidade das crises epilépticas em pacientes com Dravet, abrindo caminho para uma vida mais estável e com menos sofrimento.
A Síndrome de Dravet é causada, na maioria dos casos, por uma mutação genética no gene SCN1A, responsável por regular canais de sódio no cérebro.
Essa alteração compromete a atividade elétrica normal dos neurônios, gerando crises convulsivas severas e frequentes, muitas vezes acompanhadas de febre.
Além das convulsões, a doença pode causar atrasos no desenvolvimento cognitivo, distúrbios do sono, dificuldades motoras e problemas de comportamento.
O tratamento convencional geralmente envolve uma combinação de anticonvulsivantes, mas muitos casos são refratários, ou seja, não respondem adequadamente aos fármacos disponíveis.
Sua principal atuação se dá na modulação da excitabilidade neuronal, ajudando a estabilizar a atividade elétrica do cérebro. O CBD atua em diferentes alvos moleculares, como:
Ao atuar nesses diversos mecanismos, o CBD contribui para a redução da frequência, duração e intensidade das convulsões, ao mesmo tempo em que exerce efeitos ansiolíticos e neuroprotetores.
Por não apresentar os efeitos psicoativos do tetraidrocanabinol (THC), mostra-se uma opção mais segura para uso pediátrico — desde que administrado com acompanhamento médico e conforme as diretrizes da Anvisa.
Nos últimos anos, ensaios clínicos randomizados e controlados têm demonstrado a eficácia do canabidiol (CBD) como terapia adjuvante no tratamento da Síndrome de Dravet, especialmente em casos refratários aos anticonvulsivantes convencionais.
Um dos estudos mais relevantes foi publicado em 2017 no New England Journal of Medicine. Trata-se de uma pesquisa multicêntrica, duplo-cega e controlada por placebo, que avaliou os efeitos do Epidiolex® — uma formulação oral de CBD altamente purificada.
O estudo incluiu 120 crianças e adolescentes com diagnóstico confirmado de Síndrome de Dravet. Os resultados foram expressivos:
Diante desses resultados, o Epidiolex foi aprovado pela FDA (EUA) em 2018, tornando-se o primeiro medicamento à base de CBD autorizado para o tratamento de epilepsias graves.
No Brasil, seu uso foi posteriormente regulamentado pela Anvisa, estando disponível mediante prescrição médica e registro sanitário específico.
O uso do canabidiol em crianças tem se concentrado, principalmente, em situações clínicas específicas, nas quais os tratamentos convencionais não apresentam bons resultados ou causam muitos efeitos colaterais. As principais indicações terapêuticas incluem:
Embora o canabidiol (CBD) seja, em geral, bem tolerado — especialmente quando comparado ao tetraidrocanabinol (THC) —, seu uso em populações vulneráveis, como crianças em fase de desenvolvimento, exige cautela e acompanhamento médico contínuo.
Apesar dos benefícios observados no tratamento de epilepsias refratárias, como a Síndrome de Dravet, é fundamental considerar os possíveis efeitos adversos, bem como as limitações das evidências disponíveis, especialmente em relação ao uso prolongado.
Efeitos adversos mais comuns
Estudos clínicos com crianças indicam que os efeitos colaterais mais frequentemente associados ao uso de CBD incluem:
Esses efeitos costumam ser dose-dependentes e, na maioria dos casos, são reversíveis com o ajuste da posologia ou mediante acompanhamento clínico adequado.
Interações medicamentosas
O canabidiol (CBD) pode interferir no metabolismo de diversos medicamentos ao inibir enzimas do sistema citocromo P450, que desempenham um papel essencial na metabolização hepática de fármacos. Essa interação pode alterar os níveis sanguíneos de outras substâncias, potencializando ou reduzindo seus efeitos terapêuticos e colaterais.
No caso específico da associação do CBD com anticonvulsivantes, é imprescindível tomar alguns cuidados:
Esses cuidados são fundamentais para garantir a eficácia do tratamento e minimizar riscos, sobretudo em crianças com epilepsias refratárias, como a Síndrome de Dravet.
Qualidade e segurança dos produtos
Um aspecto crucial para o uso seguro do canabidiol (CBD), especialmente em crianças, diz respeito à qualidade e procedência dos produtos disponíveis no mercado. Com o aumento da demanda, muitas formulações artesanais ou sem controle sanitário adequado passaram a circular, o que representa um risco significativo para a saúde.
Produtos irregulares podem conter:
A exposição acidental ao THC — particularmente em crianças — pode causar efeitos adversos como sedação excessiva, alterações de comportamento, vômitos, ataxia (falta de coordenação motora) e, em casos mais graves, intoxicação aguda com necessidade de internação.
Diante disso, é fundamental garantir que:
Somente com esses cuidados é possível assegurar um tratamento eficaz e seguro, especialmente em crianças com condições clínicas sensíveis, como a Síndrome de Dravet.
Relatos de famílias que utilizam o CBD no tratamento da Síndrome de Dravet revelam transformações significativas na rotina doméstica.
Crianças que antes sofriam dezenas de convulsões por semana passam a apresentar um quadro mais estável, com crises mais espaçadas ou até ausentes por longos períodos.
Essa melhora clínica repercute no desenvolvimento cognitivo e social da criança, favorecendo avanços em áreas como atenção, linguagem e interação.
Além disso, a maior previsibilidade do quadro clínico permite que os cuidadores reorganizem a rotina com menos urgências, desfrutem de períodos mais regulares de descanso e retomem, quando possível, atividades sociais ou profissionais.
A Síndrome de Dravet impõe uma carga intensa e contínua às famílias. Estudos qualitativos indicam que os cuidadores principais — geralmente as mães — relatam níveis elevados de ansiedade, exaustão, isolamento social e sintomas depressivos, frequentemente agravados pela falta de apoio institucional e de redes de suporte.
O impacto econômico também é significativo: despesas com medicamentos, consultas, exames, internações e adaptações da rotina podem comprometer o orçamento familiar, levando, em muitos casos, um dos responsáveis a abandonar o trabalho para se dedicar integralmente ao cuidado da criança.
O uso do canabidiol (CBD) tem se mostrado promissor não só no controle das convulsões, mas também como um fator de reorganização da vida familiar. A maior previsibilidade do quadro clínico proporciona aos cuidadores:
Com isso, o ambiente doméstico se torna menos tenso e mais propício ao desenvolvimento emocional da criança e ao bem-estar psicológico dos cuidadores.
Mesmo com os avanços promovidos pelo CBD, é fundamental que os cuidadores tenham acesso a uma rede multidisciplinar de suporte, composta por:
Reconhecer a carga invisível que recai sobre os cuidadores é parte essencial no tratamento da Síndrome de Dravet. Toda conquista clínica, como a proporcionada pelo CBD, deve vir acompanhada de apoio emocional, social e institucional às famílias que enfrentam diariamente os desafios da epilepsia refratária.
O canabidiol tem transformado a realidade de muitas crianças com Síndrome de Dravet, surgindo como uma alternativa eficaz especialmente quando os tratamentos convencionais não oferecem resultados satisfatórios.
Ainda que a pesquisa sobre seus efeitos a longo prazo continue em expansão, os avanços científicos e os relatos clínicos já demonstram o potencial do CBD como uma ferramenta valiosa no controle das crises epilépticas e na melhoria da qualidade de vida das famílias.
Com o acompanhamento médico adequado e o uso de produtos seguros e regulamentados, o CBD pode não apenas inaugurar um novo capítulo no tratamento da epilepsia refratária — mas também renovar a esperança de milhares de famílias que convivem com essa condição desafiadora todos os dias.

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