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Limoneno na cannabis medicinal: o que é e para que serve

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O limoneno é um terpeno que contribui para o aroma cítrico de algumas variedades de cannabis e é estudado por seus efeitos no organismo. Neste artigo, você vai entender para que ele serve, como atua e o que as pesquisas mostram sobre sua relação com o humor, o estresse, a inflamação e o efeito entourage.

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  • É um dos terpenos responsáveis pelo aroma e sabor cítricos característicos de determinadas variedades da cannabis.
  • O limoneno não produz os efeitos psicoativos característicos do THC, como alterações na mente e na percepção.
  • É estudado por sua atuação no humor, na resposta ao estresse e nos processos inflamatórios.
  • Combinado a outros compostos da cannabis, pode participar do chamado efeito entourage, a interação entre canabinoides, terpenos e flavonoides.

O limoneno é um terpeno encontrado em alta concentração em variedades de cannabis com aroma cítrico marcante, e é o mesmo composto responsável pelo cheiro característico da casca de laranja, limão e outras frutas cítricas. Na planta, ele é um dos terpenos mais abundantes, junto ao mirceno e ao pineno.

Para que serve o limoneno?

O limoneno atua em diferentes frentes do organismo, com destaque para:

  • Humor e ansiedade
  • Inflamação
  • Neuroproteção
  • Estresse oxidativo
  • Saúde gastrointestinal
  • Atividade antimicrobiana

A seguir, veja como o limoneno atua em cada uma dessas áreas.

Como o limoneno atua na ansiedade e na resposta ao estresse?

O limoneno interage com o sistema nervoso central, influenciando a atividade de neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina, substâncias essenciais para o bem-estar, envolvidas na motivação, na atenção, na sensação de recompensa e no estado de alerta.

Como essas mesmas funções também podem ser afetadas por quadros de ansiedade e estresse prolongado, estudos, principalmente pré-clínicos, avaliam se o limoneno interfere na atividade desses neurotransmissores, o que ajudaria a explicar relatos de maior disposição e ânimo associados ao seu uso.

Mecanismos relacionados à ansiedade

  • Sistema serotoninérgico (5-HT1A): o limoneno é estudado por sua possível interação com receptores de serotonina do subtipo 5-HT1A, os mesmos alvos de alguns ansiolíticos e antidepressivos, o que ajuda a explicar seu interesse em pesquisas sobre regulação da ansiedade, resposta ao medo e equilíbrio emocional.
  • Sistema GABAérgico: o GABA é o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central, responsável por “frear” a atividade neuronal excessiva. A interação do limoneno com esses mecanismos é uma das hipóteses estudadas para seu possível efeito calmante.
  • Amígdala e córtex pré-frontal: essas regiões cerebrais são responsáveis por processar emoções e coordenar a resposta ao medo, a amígdala funciona como uma espécie de “alarme” do cérebro diante de ameaças, enquanto o córtex pré-frontal ajuda a regular essa reação. Pesquisas avaliam se o limoneno pode modular a atividade dessas áreas, o que poderia estar relacionado a uma resposta emocional mais equilibrada diante de situações de estresse.

Efeitos na resposta ao estresse

  • Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA): esse eixo é o principal sistema do organismo responsável por coordenar a resposta fisiológica ao estresse, incluindo a liberação de hormônios. O limoneno é estudado por sua possível influência sobre essas vias neuroendócrinas, ou seja, sobre a forma como o corpo aciona e desliga essa “resposta de alarme”.
  • Cortisol: conhecido como o principal hormônio do estresse, o cortisol tem sua liberação e regulação investigadas em estudos sobre a ação do limoneno. Na prática, isso significa avaliar se o composto ajudaria o organismo a reduzir o excesso desse hormônio circulando no sangue, associado a sintomas como tensão, insônia e fadiga.
  • Receptores de adenosina (A2A): esses receptores participam de processos relacionados à adaptação do organismo ao estresse crônico e à manutenção do funcionamento neuronal. É outro ponto de interação estudado, com hipótese de que o limoneno possa contribuir para essa adaptação, ajudando o sistema nervoso a lidar melhor com situações prolongadas de tensão.

Como o limoneno da cannabis age contra inflamações no organismo?

O limoneno atua sobre a inflamação em diferentes frentes do organismo, interferindo tanto na origem quanto na intensidade da resposta inflamatória.

Diferente dos fitocanabinoides, como o CBD e o THC, que se ligam diretamente aos receptores do sistema endocanabinoide (CB1 e CB2), o limoneno age por caminhos complementares:

  • Via NF-κB: o NF-κB é um dos principais reguladores da resposta inflamatória no organismo. Quando ativado, dá início à produção de diversas moléculas inflamatórias. Estudos investigam se o limoneno consegue modular essa via, reduzindo sua ativação excessiva.
  • Citocinas pró-inflamatórias: citocinas como TNF-α, IL-1β e IL-6 são proteínas responsáveis por coordenar e amplificar a resposta inflamatória, recrutando outras células de defesa para o local afetado. Pesquisas avaliam se o limoneno interfere na produção ou na ação dessas moléculas.
  • Neuroinflamação: no sistema nervoso central, parte da inflamação está associada à ativação da micróglia, as células de defesa imunológica do cérebro. Quando ativada de forma excessiva ou prolongada, ela contribui para o processo inflamatório local; a hipótese em estudo é que o limoneno ajude a conter essa ativação, o que é diferente, mas complementar, do possível efeito protetor sobre os neurônios já mencionado na seção de neuroproteção.
  • Proteção dos tecidos: além dos mecanismos celulares, há investigações sobre efeitos mais amplos do limoneno em tecidos específicos, como a manutenção da integridade da mucosa intestinal, a redução da resposta inflamatória em articulações e a influência sobre a remodelação tecidual, reparo e regeneração de tecidos após lesão ou inflamação.

Como o limoneno atua contra o estresse oxidativo?

O estresse oxidativo ocorre quando a produção de espécies reativas de oxigênio supera a capacidade antioxidante das células. No sistema nervoso, esse desequilíbrio pode danificar membranas, proteínas e outras estruturas importantes para o funcionamento dos neurônios.

Estudos pré-clínicos relacionam a ação antioxidante do limoneno aos seguintes mecanismos:

  • Redução de espécies reativas de oxigênio: em modelos celulares de neurodegeneração, o limoneno diminuiu a produção de moléculas oxidantes capazes de danificar as células nervosas.
  • Reforço das defesas antioxidantes: pesquisas observaram aumento da atividade de enzimas como superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase.
  • Ativação da via Nrf2/HO-1: em um modelo de envelhecimento cerebral em camundongos, o D-limoneno aumentou a expressão de proteínas dessa via, responsável pela regulação das defesas antioxidantes celulares.
  • Proteção das mitocôndrias: em estudos celulares, o limoneno melhorou a produção de ATP e reduziu marcadores relacionados ao dano mitocondrial e à morte celular.

Esses resultados indicam que o limoneno pode proteger células nervosas ao reduzir a carga oxidativa e fortalecer os sistemas antioxidantes do organismo.

Como o limoneno atua na saúde gastrointestinal?

Estudos pré-clínicos investigam os efeitos do limoneno sobre a mucosa do estômago, a inflamação intestinal e a integridade da barreira gastrointestinal.

  • Proteção da mucosa gástrica: em modelos de lesões provocadas por álcool e anti-inflamatórios, o limoneno aumentou a produção de muco e ajudou a preservar o revestimento do estômago.
  • Cicatrização de lesões gástricas: o composto favoreceu a reorganização do epitélio e a recuperação da mucosa em modelos experimentais de úlcera.
  • Redução da inflamação intestinal: em modelos de colite, o limoneno reduziu citocinas inflamatórias, como TNF-α, IL-1β e IL-6, além de diminuir alterações no tecido intestinal.
  • Preservação da barreira intestinal: pesquisas observaram aumento de proteínas responsáveis pela união entre as células intestinais, contribuindo para a integridade da parede do intestino.

O potencial antimicrobiano do limoneno

Estudos laboratoriais investigam a atividade antimicrobiana do limoneno e sua capacidade de interferir no crescimento e na sobrevivência de determinados microrganismos.

  • Ação contra bactérias: o limoneno inibiu o crescimento de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas em estudos in vitro, incluindo cepas de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina. Sua ação tem sido relacionada a danos na membrana e na parede celular bacteriana.
  • Ação contra biofilmes: pesquisas observaram que o limoneno reduziu a formação e a estrutura de biofilmes produzidos por bactérias como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Os biofilmes dificultam a ação dos antimicrobianos e favorecem a permanência das bactérias em diferentes superfícies.
  • Ação contra fungos: estudos in vitro identificaram atividade do D-limoneno contra leveduras do complexo Candida parapsilosis, além da redução de mecanismos relacionados à adesão e à virulência desses fungos.
  • Aplicações em formulações: devido à baixa solubilidade e à volatilidade do limoneno, pesquisas desenvolvem nanoemulsões, nanopartículas e outros sistemas de liberação para aumentar sua estabilidade e sua atividade antimicrobiana.

Apesar dos resultados laboratoriais, ainda são necessários estudos clínicos para determinar a segurança e a eficácia do limoneno na prevenção ou no tratamento de infecções em humanos.

Limoneno e efeito entourage: interação com CBD e THC

O efeito entourage ocorre quando os compostos da cannabis atuam em conjunto e modificam a resposta produzida pela formulação. No caso do limoneno, a evidência mais consistente envolve sua interação com o THC.

  • Modulação dos efeitos do THC: em um estudo clínico com 20 adultos, o D-limoneno administrado junto com o THC reduziu ansiedade, nervosismo e paranoia provocadas pelo canabinoide, principalmente na combinação com a maior dose de limoneno.
  • Ação fora dos receptores CB1 e CB2: estudos celulares mostraram que o limoneno não altera diretamente a atividade do THC ou do CBD nesses receptores. Isso indica que sua influência ocorre por outras vias do sistema nervoso, e não pela intensificação direta da ação canabinoide.
  • Associação com o CBD: o limoneno está presente ao lado do CBD em formulações de espectro completo, mas ainda não foi demonstrado que ele aumente diretamente os efeitos desse canabinoide. Estudos com misturas de CBD e terpenos não permitem atribuir os resultados especificamente ao limoneno.

Os resultados fornecem evidência clínica inicial de que o limoneno modifica efeitos específicos do THC. Para o CBD, essa interação ainda não foi confirmada isoladamente.

Quais produtos de cannabis medicinal podem conter limoneno?

O limoneno pode estar presente principalmente em produtos que preservam os terpenos naturais da Cannabis sativa. Sua presença depende da composição da formulação e do processo de fabricação.

  • Óleos e extratos Full Spectrum: podem conter limoneno, outros terpenos, canabinoides e flavonoides extraídos da planta.
  • Produtos Broad Spectrum: podem conter limoneno, outros terpenos e diferentes canabinoides, mas não contém THC, que é removido durante o processo de fabricação.
  • Produtos com CBD ou THC isolados: normalmente não contém limoneno, porque são formulados apenas com o canabinoide purificado. Nesses produtos, o limoneno só estará presente se for adicionado posteriormente pelo fabricante.

A quantidade de limoneno pode variar conforme a genética da planta, as condições de cultivo, o momento da colheita, a secagem, a cura, o método de extração e o armazenamento. Temperaturas elevadas, exposição ao ar e armazenamento inadequado também podem reduzir a concentração desse terpeno.

Para confirmar se um produto contém limoneno, é necessário consultar o Certificado de Análise (COA) ou o perfil terpênico fornecido pelo fabricante. Esses documentos podem informar quais terpenos foram identificados e suas respectivas concentrações.

Qual a diferença entre D-limoneno e L-limoneno na cannabis?

O D-limoneno e o L-limoneno possuem a mesma fórmula química, mas diferem na organização tridimensional de seus átomos. Suas estruturas são imagens espelhadas que não podem ser perfeitamente sobrepostas, por isso são chamadas de enantiômeros.

  • D-limoneno ou R-(+)-limoneno: forma geralmente associada ao aroma cítrico característico das cascas de laranja e de outras frutas cítricas;
  • L-limoneno ou S-(−)-limoneno: possui a mesma composição química, mas sua organização espacial pode produzir uma percepção aromática diferente.

Na cannabis, os dois enantiômeros podem estar presentes, e a proporção entre eles varia conforme a genética da planta, as condições de cultivo e o processamento.

Como os receptores e as enzimas do organismo também possuem estruturas tridimensionais, o D-limoneno e o L-limoneno podem ser reconhecidos e metabolizados de maneiras distintas. Isso pode produzir diferenças em sua interação com determinados alvos biológicos.

Até o momento, porém, não há evidências suficientes para concluir que um enantiômero tenha efeito terapêutico superior ao outro.

Qual é a diferença entre limoneno, linalol e mirceno na cannabis?

Os três são terpenos naturalmente produzidos pela cannabis, mas apresentam características aromáticas e propriedades biológicas distintas.

A tabela abaixo compara o aroma característico e as principais áreas de estudo do limoneno, do linalol e do mirceno.

Terpeno

Limoneno

Aroma característicoCítrico
Principais áreas estudadasHumor, resposta ao estresse, inflamação e efeito entourage.
Terpeno

Linalol

Aroma característicoFloral e levemente adocicado
Principais áreas estudadasAnsiedade, relaxamento, sono e inflamação.
Terpeno

Mirceno

Aroma característicoTerroso, herbal e almiscarado
Principais áreas estudadasRelaxamento muscular, inflamação, dor e efeito entourage.

Embora cada terpeno apresente características próprias, eles podem atuar em conjunto com canabinoides e outros compostos da cannabis, contribuindo para o perfil químico de cada variedade e para o chamado efeito entourage.

Conclusão

O limoneno integra o conjunto de compostos que contribuem para a complexidade química da cannabis e para o interesse crescente em seus terpenos. À medida que novas pesquisas ampliam o conhecimento sobre esse composto, espera-se compreender melhor sua interação com os canabinoides e seu papel nas formulações de cannabis medicinal.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico, a prescrição ou a orientação de um profissional de saúde. Nunca inicie, interrompa ou altere qualquer tratamento sem orientação médica.

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Dúvidas frequentes

O limoneno presente na cannabis causa efeito psicoativo?

Não. O limoneno é um terpeno e não causa alterações na percepção, na consciência ou no raciocínio, como pode ocorrer com o THC. Portanto, sua presença na cannabis não provoca efeito psicoativo.

O limoneno ajuda a dormir ou deixa a pessoa mais alerta?

Ainda não há evidências suficientes para afirmar que o limoneno ajude a dormir ou aumente o estado de alerta. Os estudos disponíveis não permitem classificá-lo como sedativo nem como estimulante.

Qual é a diferença entre D-limoneno e L-limoneno na cannabis?

O D-limoneno e o L-limoneno possuem a mesma fórmula química, mas apresentam estruturas tridimensionais espelhadas. Ambos podem estar presentes na cannabis, em proporções diferentes. O D-limoneno é mais estudado, mas não há comprovação de que tenha maior efeito terapêutico.

O limoneno da cannabis pode interagir com medicamentos?

Ainda não há evidências clínicas suficientes para confirmar essa interação. Estudos mostram que o limoneno é metabolizado por enzimas do fígado, mas não comprovam que ele altere a concentração ou os efeitos de medicamentos em humanos.

Cannabis com cheiro cítrico sempre contém mais limoneno?

Não necessariamente. O limoneno contribui para o aroma cítrico, mas o cheiro da cannabis resulta da combinação de vários terpenos e compostos voláteis. A quantidade exata só pode ser confirmada por análise laboratorial do perfil terpênico do produto.

O limoneno pode ser utilizado isoladamente como tratamento?

Não. O limoneno não tem eficácia clínica comprovada para tratar doenças quando usado isoladamente. Em um estudo clínico, o D-limoneno administrado com THC reduziu ansiedade, nervosismo e paranoia provocadas pelo canabinoide, sem alterar de forma relevante seus outros efeitos agudos.

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Andrea Vieira

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