O dia 5 de maio, no Brasil, é marcado pelo Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos — uma oportunidade para refletirmos sobre como lidamos com a nossa saúde. A data surgiu diante dos altos índices de automedicação e do uso indiscriminado de remédios, que podem trazer riscos sérios tanto para o indivíduo quanto para a sociedade.

Tomar medicamentos por conta própria pode mascarar sintomas, atrasar diagnósticos e comprometer tratamentos, tornando problemas simples em quadros graves.
A campanha propõe mais do que alertas: convida cada um de nós a adotar uma atitude consciente e cuidadosa em relação ao uso de medicamentos, reforçando a importância da orientação médica e do respeito ao tratamento adequado.
Tomar um remédio por conta própria pode parecer uma solução rápida e inofensiva. No entanto, quando se torna um hábito, essa prática pode trazer sérios riscos à saúde. Entre os principais perigos, destacam-se:
1. Mascaramento de sintomas
O uso de medicamentos sem orientação pode camuflar sinais importantes do organismo, atrasando o diagnóstico correto e comprometendo o início de um tratamento adequado.
2. Intoxicação medicamentosa
A intoxicação por medicamentos ocorre quando o indivíduo utiliza doses acima das recomendadas, expondo o organismo a níveis tóxicos de substâncias químicas. Essa condição pode causar reações severas e, em alguns casos, levar até mesmo à morte.
Os medicamentos mais frequentemente associados a casos de intoxicação e superdosagem são:
3. Resistência a antibióticos
O uso inadequado de antibióticos, seja na dosagem incorreta, pelo tempo errado ou sem real necessidade, favorece a resistência de microrganismos — um problema crescente e preocupante para a saúde pública.
Quando um antibiótico não elimina completamente as bactérias, as sobreviventes podem se adaptar e criar mecanismos de defesa contra a substância.
Com o tempo, essas bactérias resistentes se multiplicam, e os medicamentos deixam de ser eficazes, dificultando o tratamento de infecções e aumentando o risco de complicações graves.
4. Efeitos colaterais graves e reações adversas
A automedicação também eleva o risco de efeitos colaterais severos, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, que são mais vulneráveis às reações adversas.
Além dos perigos já citados, o uso indiscriminado de medicamentos pode agravar doenças existentes, como as cardiovasculares. Alguns remédios podem descontrolar a pressão arterial, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.
O consumo excessivo de vitaminas também traz riscos à saúde. A vitamina A, por exemplo, quando ingerida em doses elevadas e por longos períodos, pode provocar distúrbios neurológicos. Em crianças, o excesso dessa vitamina pode levar à hipertensão intracraniana.
Outro alerta é para o uso abusivo de medicamentos destinados ao alívio de sintomas de gripes e resfriados, que pode causar aumento da pressão arterial, da pressão intraocular e dos batimentos cardíacos.
Sim. A automedicação frequente pode abrir caminho para o desenvolvimento da dependência de medicamentos.
Quando a pessoa recorre a remédios sem orientação médica, de forma repetida e sem necessidade real, cria-se um padrão de uso inadequado. Esse comportamento favorece o abuso, especialmente no caso de analgésicos, ansiolíticos, relaxantes musculares e outros fármacos com potencial de dependência.
Com o tempo, o organismo pode desenvolver tolerância, exigindo doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito. É nesse ponto que o risco de dependência se torna ainda mais preocupante, tornando o tratamento mais difícil e aumentando os danos à saúde.
Adotar hábitos conscientes no uso de remédios é essencial para proteger sua saúde e garantir a eficácia do tratamento. Confira algumas orientações simples que fazem toda a diferença:
Aprovada para enfrentar um grave problema de saúde pública, a Lei nº 14.912/2024 determina que o Sistema Único de Saúde (SUS) realize campanhas permanentes de conscientização sobre os riscos da automedicação, com atenção especial ao uso inadequado de antibióticos e de medicamentos sujeitos a controle especial.
Com a nova lei, a expectativa é ampliar o acesso à informação e promover um comportamento mais consciente e responsável no uso de medicamentos. Afinal, a automedicação não é apenas um hábito perigoso — é uma questão de saúde coletiva.
Quanto mais pessoas estiverem bem informadas, maiores serão as chances de prevenir complicações e de garantir tratamentos mais seguros e eficazes para todos.
O avanço das pesquisas científicas tem ampliado o uso da cannabis medicinal no tratamento de diversas condições de saúde, como epilepsias refratárias, dor crônica, esclerose múltipla, transtornos de ansiedade e distúrbios do sono. No entanto, seu uso também exige responsabilidade, cautela e acompanhamento profissional.
A cannabis medicinal é composta por uma variedade de substâncias bioativas, chamadas canabinoides, entre as quais se destacam o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC). Cada canabinoide apresenta efeitos específicos no organismo, podendo atuar, por exemplo, na modulação da dor, na redução da inflamação, no controle de convulsões e na regulação do humor.
Apesar dos potenciais benefícios, o uso da cannabis medicinal sem supervisão pode trazer riscos, como efeitos colaterais indesejados (sonolência, tontura, alterações cognitivas) e interações medicamentosas prejudiciais. Além disso, o uso inadequado de produtos de origem duvidosa ou sem padrão de qualidade pode comprometer a segurança e a eficácia do tratamento.
Por isso, o uso racional da cannabis medicinal exige:
Assim como qualquer outro medicamento, a cannabis medicinal deve ser inserida dentro de um plano terapêutico seguro, individualizado e baseado em evidências científicas. Informação, orientação profissional e responsabilidade são essenciais para que seus potenciais benefícios sejam alcançados de maneira segura e eficaz.
O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos é mais do que uma data no calendário — é um convite à reflexão sobre nossos hábitos e escolhas em relação à saúde. Trata-se também de uma oportunidade valiosa para promover a educação em saúde, prevenir riscos evitáveis e reforçar a importância do uso consciente de medicamentos.
Cuidar da saúde começa com atitudes simples: buscar orientação adequada, evitar a automedicação e compreender os riscos do uso indiscriminado de remédios são passos essenciais para uma vida mais segura e saudável. Nesse caminho, a informação continua sendo o melhor remédio.

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