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Canabidiol x Ibuprofeno: por que atletas estão mudando suas escolhas?

10 min de leitura

Neste artigo, você vai entender as diferenças entre o canabidiol (CBD) e o ibuprofeno, como cada substância age no organismo, seus possíveis benefícios e efeitos adversos e qual delas pode ser mais adequada para o controle da dor e a recuperação esportiva.

Ilustração sobre canabidiol, sistema endocanabinoide e recuperação esportiva.
  • O ibuprofeno costuma proporcionar alívio mais rápido, enquanto os efeitos do CBD tendem a surgir de forma gradual com o uso contínuo.
  • Embora o CBD e o ibuprofeno possam auxiliar no controle da dor, cada um atua de maneira diferente no organismo.
  • O uso frequente de ibuprofeno exige atenção aos possíveis efeitos gastrointestinais, renais e cardiovasculares.
  • No esporte, o CBD isolado é permitido, mas produtos com THC ou outros canabinoides podem causar resultado positivo no exame antidoping.

Depois de um treino intenso, é comum sentir dores musculares, sobretudo quando há aumento de carga, mudança de exercícios ou retomada da atividade física. Elas geralmente surgem entre 12 e 24 horas após o exercício, atingem maior intensidade em até 48 horas e diminuem gradualmente ao longo dos dias. Esse quadro é conhecido como dor muscular de início tardio (DMIT).

Para aliviar o desconforto, muitos atletas recorrem ao ibuprofeno. Embora apresente ação rápida, seu uso frequente pode provocar efeitos adversos, principalmente no sistema gastrointestinal, nos rins e no coração.

Diante desses riscos, cresce a procura por outras formas de controlar a dor e a inflamação após o treino. Entre elas está o CBD, que vem ganhando espaço por oferecer um suporte mais amplo à recuperação esportiva, com possíveis benefícios também para a ansiedade e a qualidade do sono.

Para que serve o ibuprofeno?

O ibuprofeno é um medicamento utilizado para aliviar dores, reduzir a febre e combater processos inflamatórios no organismo. Ele pertence à classe dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e atua diminuindo a produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas na dor e na inflamação.

Devido às suas ações analgésica e anti-inflamatória, o medicamento é utilizado por atletas para controlar dores musculares e desconfortos articulares após treinos intensos ou competições.

Quando usado de forma pontual e nas doses recomendadas, o ibuprofeno costuma ser bem tolerado. Porém, o uso frequente, prolongado ou em doses elevadas pode causar efeitos adversos, como:

  • Problemas gastrointestinais: pode irritar a mucosa do estômago e favorecer o desenvolvimento de gastrite, úlceras e sangramentos.
  • Alterações renais: a perda de líquidos pelo suor diminui o volume de sangue que chega aos rins e, quando combinada ao uso de ibuprofeno, pode aumentar o risco de lesão renal.
  • Problemas cardiovasculares: o uso prolongado pode elevar a pressão arterial e aumentar a possibilidade de eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já apresentam fatores de risco.

Para que serve o CBD na recuperação esportiva?

O canabidiol (CBD) é um fitocanabinoide presente na Cannabis sativa que pode auxiliar no controle da dor, na modulação da resposta inflamatória e na recuperação física e mental após os exercícios.

Na recuperação esportiva, o CBD (Canabidiol) serve para otimizar o descanso, reduzir o desconforto e acelerar o retorno aos treinos através de um equilíbrio biológico global, sem anular as adaptações que fazem o músculo crescer.

Ao contrário de remédios comuns que apenas mascaram sintomas, o CBD é uma substância reguladora

O canabidiol (CBD) apresenta uma ação multifatorial. Isso significa que, em vez de atuar sobre um único mecanismo, ele interage com diferentes receptores e sistemas envolvidos na percepção da dor, na resposta inflamatória, no sono e no equilíbrio emocional.

Como o ibuprofeno e o CBD atuam no organismo?

Embora ambos possam ser utilizados no contexto da dor e da recuperação esportiva, o ibuprofeno e o CBD atuam no organismo por mecanismos diferentes.

Ibuprofeno: bloqueia as enzimas COX-1 e COX-2, responsáveis pela formação das prostaglandinas — substâncias que aumentam a dor, a inflamação e a temperatura corporal. Ao reduzir a produção dessas substâncias, o medicamento alivia a dor, combate a inflamação e ajuda a baixar a febre.

CBD: apresenta uma ação multifatorial, modulando indiretamente o sistema endocanabinoide e interagindo com receptores como o 5-HT1A, ligado à regulação da serotonina, e o TRPV1, envolvido na percepção da dor e nos processos inflamatórios. Essa atuação integrada pode favorecer a recuperação após o exercício em quatro frentes complementares:

  • Física: auxilia no controle da dor e do estresse oxidativo;
  • Imunológica: ajuda a modular a resposta inflamatória, sem simplesmente bloqueá-la;
  • Neurológica: pode favorecer o relaxamento e melhorar a qualidade do sono;
  • Emocional: contribui para o controle da ansiedade e do estresse.

Esses efeitos estão interligados. Ao reduzir o desconforto e favorecer o sono e o equilíbrio emocional, o CBD pode criar condições mais adequadas para os processos naturais de reparação muscular e recuperação do organismo.

Em quanto tempo o CBD e o ibuprofeno começam a agir?

O ibuprofeno apresenta um tempo de resposta mais previsível. Após a ingestão de um comprimido ou cápsula, o alívio da dor geralmente começa entre 30 e 60 minutos. A concentração máxima no sangue costuma ser alcançada em uma a duas horas, e seus efeitos podem durar aproximadamente quatro a seis horas. A alimentação e a formulação do medicamento podem interferir na velocidade de absorção.

No caso do CBD, o início dos efeitos depende principalmente da forma de administração:

  • Uso sublingual: quando o extrato é mantido sob a língua antes de ser engolido, os efeitos podem começar entre 15 e 45 minutos.
  • Uso oral: cápsulas e outros produtos ingeridos podem levar de uma a duas horas para fazer efeito, pois passam pelo sistema digestivo e são metabolizados pelo fígado.
  • Uso tópico: cremes, pomadas e géis são aplicados diretamente na região desejada. O início e a intensidade dos efeitos variam de acordo com a formulação e com as características da pele, não havendo um intervalo de ação bem definido.

Também é importante diferenciar os efeitos percebidos após uma dose isolada dos resultados obtidos com o uso contínuo. Isso ocorre porque o CBD atua por meio da modulação de diferentes sistemas do organismo, incluindo o sistema endocanabinoide e as vias envolvidas na resposta inflamatória, sem apresentar a ação rápida e direta característica do ibuprofeno.

Por isso, embora alguns efeitos possam ser percebidos após uma única administração, o uso contínuo pode ser necessário para que seus efeitos sobre a inflamação e a recuperação se tornem mais consistentes e mensuráveis.

O que os estudos mostram sobre CBD e recuperação esportiva?

Embora ainda seja um campo de pesquisa recente, alguns estudos com atletas e praticantes de treino de força já trazem indícios interessantes sobre o papel do CBD na recuperação esportiva. De forma geral, os achados apontam para três frentes: menos dor muscular nos dias seguintes ao treino, recuperação mais rápida do desempenho físico e queda em marcadores sanguíneos ligados ao dano muscular.

Isenmann et al. (2021) foi um dos primeiros a explorar essa relação de forma mais controlada. Ao avaliar atletas após um treino intenso de resistência, os pesquisadores notaram que a suplementação com CBD reduziu os níveis de creatina quinase e mioglobina — dois indicadores clássicos usados para medir o grau de dano muscular. Passadas 72 horas do treino, os participantes que usaram CBD também recuperaram melhor o desempenho no agachamento, em comparação ao grupo controle.

Resultados parecidos apareceram em um contexto mais funcional. Peters et al. (2023) acompanharam pessoas treinadas que desenvolveram dor muscular de início tardio e testaram uma formulação combinando CBD e CBG (canabigerol). O efeito não se limitou à sensação de dor: os participantes relataram menos rigidez e menos interferência do desconforto nas atividades do dia a dia, o que sugere um ganho que vai além do alívio subjetivo e chega à rotina prática de quem treina.

Já em 2024, o próprio Isenmann e sua equipe voltaram ao tema, dessa vez observando atletas submetidos a seis dias seguidos de treinamento intenso. O uso do óleo de CBD esteve associado a uma redução na concentração de mioglobina — um sinal de que o composto pode ajudar o corpo a lidar melhor com cargas de treino mais prolongadas, e não apenas com um esforço pontual.

Juntos, esses três estudos começam a desenhar um padrão: o CBD parece contribuir para uma recuperação mais confortável, com potencial para preservar a funcionalidade muscular e reduzir marcadores de desgaste — ainda que, como toda área de pesquisa em expansão, mais estudos sejam necessários para confirmar esses efeitos em maior escala.

O uso de CBD é permitido no esporte?

Sim. Desde 2018, o canabidiol foi retirado da lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping (WADA). Dessa forma, atletas profissionais podem utilizar CBD tanto durante os períodos de treinamento quanto em competições.

Essa autorização, porém, aplica-se exclusivamente ao CBD. Outros canabinoides naturais ou sintéticos, incluindo o THC, continuam proibidos durante as competições. A lista de substâncias proibidas é atualizada anualmente pela Agência Mundial Antidoping, por isso deve ser consultada regularmente.

Quais cuidados o atleta deve ter antes de usar CBD?

Antes de iniciar o uso de CBD, o atleta deve verificar a procedência, a composição e a qualidade do produto. A embalagem precisa indicar claramente o tipo de extrato, a concentração de CBD e a presença de outros canabinoides.

O certificado de análise é fundamental nessa escolha. Emitido por um laboratório independente, ele permite conferir as concentrações declaradas e identificar a eventual presença de THC, assim como de outros canabinoides..

Outros cuidados importantes incluem:

  • escolher produtos de fabricantes confiáveis;
  • consultar as regras da entidade responsável pela competição;
  • preferir CBD isolado quando houver participação em competições;
  • guardar a embalagem e o certificado de análise do produto;
  • informar ao médico todos os medicamentos e suplementos utilizados.

Quais são os possíveis efeitos adversos do CBD?

Embora seja uma substância de origem natural, o CBD pode causar efeitos adversos, principalmente no início do uso ou após mudanças na dose. Os mais relatados são sonolência, cansaço, boca seca, alterações no apetite e desconfortos gastrointestinais.

Outro ponto importante são as interações medicamentosas. O CBD pode interferir na atividade de enzimas do fígado responsáveis pela metabolização de diversos medicamentos. Com isso, pode aumentar ou reduzir a concentração desses fármacos no organismo e modificar seus efeitos. Entre os que exigem maior atenção estão:

  • anticoagulantes;
  • anticonvulsivantes;
  • antidepressivos e ansiolíticos;
  • anti-inflamatórios;
  • analgésicos.

O uso combinado não é necessariamente contraindicado. Com acompanhamento médico, é possível avaliar possíveis interações medicamentosas, ajustar a dose e definir a forma e o momento mais adequados para a administração.

Conclusão: afinal, o CBD pode substituir o ibuprofeno?

O CBD não substitui o ibuprofeno em todas as situações, principalmente nos casos de dor muscular intensa e aguda. Isso porque o ibuprofeno age rapidamente no controle da dor e da inflamação, enquanto o canabidiol apresenta efeitos mais graduais, percebidos principalmente com o uso contínuo.

Na recuperação esportiva, cada um pode ter uma função diferente. O ibuprofeno é usado para aliviar episódios pontuais de dor, enquanto o canabidiol pode contribuir de forma mais ampla para o relaxamento, a qualidade do sono e o bem-estar após os treinos.

Por isso, a possibilidade de substituição depende da intensidade da dor, do objetivo do uso e da avaliação médica.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico, a prescrição ou a orientação de um profissional de saúde. Por isso, nunca inicie, interrompa ou altere qualquer tratamento sem orientação médica.

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Dúvidas frequentes

Quais são as vantagens do CBD para dores articulares persistentes?

Com o uso contínuo, o CBD pode ajudar no controle da dor e da inflamação, além de contribuir para a redução da ansiedade e a qualidade do sono. Também pode ser uma opção para reduzir o uso frequente de anti-inflamatórios, sempre com acompanhamento médico.

Quanto tempo antes ou depois do treino o CBD pode ser utilizado?

O óleo sublingual pode ser utilizado de 30 a 60 minutos antes do treino, enquanto produtos ingeridos podem exigir de uma a duas horas. Após o exercício, o CBD pode ser usado para favorecer o descanso e a recuperação muscular. O melhor horário deve ser definido com acompanhamento médico.

O uso de CBD pode causar resultado positivo no exame antidoping?

O CBD isolado não causa resultado positivo no exame antidoping. No entanto, produtos de espectro completo (full spectrum) ou de amplo espectro (broad spectrum) podem conter THC ou outros canabinoides proibidos e resultar em teste positivo. Mesmo os produtos broad spectrum, geralmente comercializados como livres de THC, podem apresentar traços da substância por contaminação ou falhas no processo de fabricação.

CBD e ibuprofeno podem ser usados juntos?

Sim, o CBD e o ibuprofeno podem ser usados juntos, desde que haja orientação médica. O canabidiol pode interferir nas enzimas responsáveis pela metabolização do ibuprofeno, aumentando sua concentração no organismo e o risco de efeitos adversos.

Existe uma quantidade de CBD equivalente a um comprimido de ibuprofeno?

Não existe uma equivalência direta porque o CBD e o ibuprofeno apresentam mecanismos de ação, finalidades e tempos de resposta diferentes. Enquanto o ibuprofeno age rapidamente sobre a dor e a inflamação, o canabidiol atua de maneira gradual na modulação de processos relacionados à dor, ao sono, ao estresse e à recuperação.

Por isso, não é possível afirmar que determinada quantidade de CBD corresponde a um comprimido de ibuprofeno. A dose do canabidiol deve ser definida individualmente, considerando o objetivo do uso, a concentração do produto e a resposta do organismo.

O CBD pode ser utilizado todos os dias por atletas?

Sim, o CBD pode fazer parte de uma rotina diária quando há indicação e acompanhamento médico. O uso contínuo pode ser mais adequado para quem busca efeitos graduais sobre dores persistentes, sono, relaxamento e recuperação física.

A frequência e a dose devem ser ajustadas conforme a resposta do organismo, a modalidade esportiva, a intensidade dos treinos e os demais medicamentos utilizados pelo atleta.

O óleo ou o produto tópico de CBD é mais indicado para dores musculares?

A escolha depende do objetivo. O óleo apresenta uma ação mais ampla no organismo e pode contribuir para o controle do desconforto, o relaxamento e a qualidade do sono. Já os produtos tópicos são aplicados diretamente sobre a região dolorida e têm como proposta oferecer uma ação localizada.

A indicação também depende da intensidade e da origem da dor. Quando o desconforto persiste, piora ou limita os movimentos, é importante investigar a causa antes de apenas controlar os sintomas.

Referências

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Contribuidores:

Andrea Vieira

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